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Vacinação

Pesquisas avaliam vacinas do Programa Nacional de Imunização

Criada em 08/06/16 15:21. Atualizada em 08/06/16 15:27.

Imunização contra pneumonia, meningite e varicela em crianças foi alvo dos estudos

No dia 09 de junho, ocorrem  em todo o país ações em função do Dia Nacional de Imunização. Pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) têm desenvolvido estudos, em colaboração com o Ministério da Saúde, para avaliar, a partir de diferentes tecnologias, o impacto das vacinas contra os microrganismos causadores de diversas doenças no Brasil. De 2010 até então, novas vacinas foram introduzidas ao programa para diminuir a incidência de doenças como a pneumonia, otite, meningite e varicela no país, principalmente na infância.

De acordo com a coordenadora das pesquisas e professora do do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (IPTSP), Ana Lúcia Andrade, os resultados vêm sendo discutidos junto ao Comitê Técnico Assessor de Imunização do Ministério da Saúde para subsidiar políticas públicas, referentes aos esquemas vacinais no âmbito do Programa Nacional de Imunização (PNI) cujo objetivo é reduzir os óbitos por doenças imunopreveníveis e efetivar o controle dessas patologias no Brasil por meio de ações integradas de imunização.

PCV-10

Infecções pela bactéria pneumococo são um dos principais motivos de internação por pneumonia, sobretudo entre crianças, e de visitas aos ambulatórios das Unidades de Saúde na infância por otite, além de serem causadoras de outras doenças como a meningite pneumocócica. No entanto, as pesquisas mostram que a introdução da vacina pneumocócica PCV-10 no PNI, cujas doses são ministradas em crianças com até dois anos de idade, trouxe benefícios, com a redução da incidência da pneumonia, otite e meningite nessas crianças.

Segundo a pesquisadora Ana Lúcia Andrade, após três anos da inclusão da vacina no programa, houve uma redução significativa nas taxas de internação por pneumonia na infância, com queda de 20,2% em crianças entre 12 e 23 meses de idade. Outras faixas etárias que não são alvo da vacina, entre cinco e 39 anos de idade, também foram beneficiadas indiretamente com a proteção. Isso porque, explica a pesquisadora, a imunização das crianças diminui a circulação da bactéria na comunidade, o que tende a diminuir a transmissão da bactéria aos adultos.

Em crianças menores de dois anos de idade, houve uma redução de 44,2% de ocorrência de outras doenças pneumocócicas, especialmente meningite pneumocócica, com a imunização pela PCV-10. Impacto semelhante ocorreu sobre a colonização da bactéria na nasofaringe: a vacina promoveu a redução em 44% da colonização em crianças da capital goiana. “A principal porta de entrada do pneumococo é a nasofaringe. Se conseguirmos bloquear a entrada da bactéria, isso facilita muito a diminuição dos casos de meningite e pneumonia”, explica Ana Lúcia Andrade.

Meningite

Em relação às meningites causadas pela bactéria meningococo, as pesquisas mostraram o impacto obtido pela vacina meningocócica C (MEN-C), após a introdução no PNI, nas taxas de incidência dos casos notificados de meningite no Brasil entre crianças. Os resultados confirmaram que houve queda de 90%, na ocorrência da doença em crianças com menos de dois anos de idade.

Varicela

As pesquisas avaliaram ainda, tanto em Goiânia como em São Paulo, a efetividade da vacina da Varicela na infância. Segundo Ana Lúcia Andrade, a vacina só passou a ser disponibilizada na rede pública de saúde a partir de 2013, quando foi inserida no PNI, sendo ministrada em dose única em bebês aos 15 meses de idade. A partir de um esquema de vigilância implementado nos dois municípios, foi comparada a proporção de crianças imunizadas e não-imunizadas nas quais incidiram a doença. “Das crianças vacinadas, a pesquisa mostrou que houve uma proteção de 85% dos casos de varicela, em todos as formas de incidência, em relação a crianças não vacinadas”, confirma a pesquisadora.

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