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Boletim Econômico

Queda na indústria pode impactar PIB goiano

Por Mariza Fernandes Santos. Criada em 21/09/18 16:48.

Indústria é atividade econômica com pior desempenho em 2018

A equipe da Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas da UFG (FACE), coordenada pelos professores Edson Roberto Vieira e Antônio Marcos de Queiroz, divulgou mais um Boletim de Conjuntura Econômica de Goiás. Em seu número 101, o documento traz informações e análises referentes a setembro de 2018.

Entre as atividades econômicas do estado de Goiás, a indústria é a que está com pior desempenho em 2018. O comércio e os serviços registraram recuo até o mês de julho/2018, mas a queda da indústria é superior à dessas duas atividades. Neste período, as vendas do comércio varejista caíram 2,2%, o volume de serviços recuou 0,5% e a produção industrial do estado diminuiu 3,8%.

A questão é que alguns setores que têm importante peso no total da produção industrial goiana estão empurrando o indicador ladeira abaixo. Este é o caso da produção de veículos, que acumula queda de 7,1% no ano, da produção de alimentos e bebidas, com recuo de 5,6%, e da fabricação de biocombustíveis, cuja diminuição é de 3,9%. As indústrias extrativas e a fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos são importantes para a indústria goiana e registram resultados positivos até agora, contrabalançando os resultados negativos dos outros setores mencionados.

Os últimos dados disponibilizados pelo IBGE dão conta de que a indústria é responsável por cerca de um quarto do PIB de Goiás. Se continuar no ritmo que está neste ano, este setor deve ter impacto negativo de cerca de 1,0% sobre o PIB goiano. E dificilmente os setores de comércio e serviços farão contraponto a este impacto da indústria, haja vista que também estão em movimento de queda em 2018. O segundo semestre/2018 foi iniciado com queda de 2,0% do volume de serviços e aumento de apenas 0,3% das vendas do comércio varejista do estado.

O setor agropecuário talvez ganhe mais relevância neste sentido. Embora contribua com pouco mais de 10,0% do PIB goiano, e ainda que a produção de grãos o estado em 2018 tenda a fechar em volume inferior à 2017 (21,64 milhões de toneladas contra 22,81 milhões de toneladas nestes dois anos, respectivamente), os bons preços da soja e do milho registrados neste ano devem garantir uma boa renda para o setor.

O Comitê de Política Monetária no Banco (Copom) manteve a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic) em 6,5%, mas continuam as discussões sobre os juros altos pagos pelos tomadores finais de crédito no país. E o desemprego, ainda que tenha recuado um pouco, continua alto, com cerca de 13 milhões de pessoas desocupadas no Brasil (taxa de 12,4%) e 342 mil em Goiás (taxa de 9,5%) no segundo trimestre desse ano.

Isso tudo acaba sendo agravado pelas incertezas no campo político, que têm abalado os mercados e desiludido a população. O que parece mais certo é que a economia vai continuar andando de lado, sem conseguir avançar em 2018.

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