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Professor Mark Langevin realiza palestra sobre relações comerciais

Criada em 28/05/18 12:12. Atualizada em 28/05/18 12:52.

Professor da Universidade George Washington (EUA) abordou o caso do contencioso do algodão. Evento foi promovido pelo curso de Relação Internacionais da UFG

Texto: Bruno Roque

Foto: Laís Thomaz

O curso de Relações Internacionais da Faculdade de Ciência Sociais da UFG recebeu, na última terça-feira (22), o Prof. Dr. Mark Langevin, da Universidade George Washington (EUA). Ele é assessor internacional da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa) e também pesquisa e escreve extensamente sobre a formulação de política agrícola, energética e de comercio internacional do Brasil, bem como as relações entre Brasil e Estados Unidos. 

O caso do contencioso do algodão

O Prof. Langevin ministrou uma palestra sobre o caso do contencioso do algodão e trouxe reflexões sobre a formação da política externa brasileira. O caso, que iniciou em 2002, teve como fator preponderante a desleal concorrência competitiva dos produtores de algodão americanos, diante dos demais países produtores de algodão. A situação foi resultado da alta taxa de subsídio que o governo estadunidense assegurava para seus produtores. Cerca de 89% da produção era subsidiada, segundo Langevin.

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A situação gerou a necessidade de uma intervenção por parte do governo brasileiro. O caso foi levado à Organização Mundial do Comércio (OMC). Iniciaram-se, então, negociações internacionais entre os países. O Brasil conseguiu a vitória no Painel e no órgão de apelação. Foi uma vitória histórica e simbólica, mas cujos resultados demoraram a se concretizar.

Depois da vitória na OMC, o governo brasileiro, na perspectiva de Langevin, teria deixado de lado os produtores do país. Langevin atuou como lobista, estabelecendo um diálogo e articulando os interesses brasileiros com o governo e produtores estadunidenses nas negociações que se seguiram para que fossem cumpridas as exigências estabelecidas pela OMC.

O professor ressaltou que é essencial entender o outro lado em uma negociação e que sua função estratégica foi exatamente essa – dialogar com produtores estadunidenses, representados pelo National Cotton Council, para assim verificar como poderiam ser feitas compensações efetivas aos produtores brasileiros.

Segundo Langevin: “O Brasil jogou de forma muito eficiente na OMC, marcou gol contra os Estados Unidos e teve um resultado vitorioso, mas o resultado foi bom para quem? Foi uma vitória incompleta para o grupo de interesse mais importante no conflito. Nessa conjuntura eu entrei em cena e, trabalhando com a ABRAPA, ofereci outra batalha, em um campo mais politizado, em um campo mais transparente em relação ao confronto entre brasileiro e americano produtor de algodão – tem gente que chama isso de lobby ou de representação de interesses particulares”.

O palestrante relatou vários encontros das negociações entre agosto de 2009 e outubro de 2014, nas quais o setor americano foi pressionado a buscar uma solução para o caso. As recomendações das duas partes foram consolidadas em carta enviada ao Itamaraty. Langevin defendeu a importância dos setores brasileiros se organizarem e buscarem acordos sem depender extremamente do governo.

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