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Criança de máscara (Foto_Leo_Fontes_Pixabay)

37% dos pacientes pediátricos da Tendinha UFG têm covid-19

Em 02/09/20 10:19.

Desse montante, 40% não apresentavam sintomas da doença causada pelo novo coronavírus

A equipe que integra o projeto Tendinha, subprojeto complementar ao projeto Tenda Triagem Covid-19 UFG, divulga os primeiros resultados de testes realizados com crianças e adolescentes de 5 a 19 anos de idade, filhos ou contactantes de profissionais da saúde e da segurança pública que testaram positivo para covid-19. Um total de 207 crianças e adolescentes foram testados entre os dias 6 de julho e 24 de agosto de 2020. De acordo com as equipes de Pediatria da Faculdade de Enfermagem (FEN) e da Faculdade de Medicina (FM) da Universidade Federal de Goiás (UFG), o resultado foi positivo em 37% dos casos. 
Chamou a atenção o fato de 40% dos casos positivos não apresentarem sintomas da Covid-19, o que aumenta a chance de que tais crianças e adolescentes assintomáticos estejam circulando normalmente e possam transmitir o vírus para seus pares e para adultos de sua convivência, incluindo idosos, cuja letalidade é muito alta. Outro aspecto merece destaque: apesar de habitualmente ser considerada um indicador de infecção, a febre só foi observada em 30% dos casos que testaram positivos. Outros sintomas da doença, como diarreia e vômitos, foram também encontradas em 4%, sem manifestações respiratórias.
"Esses dados apontam que crianças e adolescentes, mesmo em afastamento ou isolamento social, estão em risco de contaminação domiciliar, possivelmente relacionados a determinados grupo de trabalhadores. Isso reforça a importância da testagem e monitoramento, especialmente desses profissionais com maior exposição e seus contactantes domiciliares, ainda que assintomáticos", observa a diretora da FEN, Claci Rosso.
Sintomas variados
Goiás atualmente (24/08) conta com 8.553 casos confirmados em menores de 19 anos (SES-GO), sendo 1.850 casos em Goiânia (SMS-Goiânia). Apesar de inicialmente ter sido informado que as crianças não apresentariam evolução desfavorável como muitos adultos, estudos recentes demonstram que as mesmas podem ter sintomas que variam de casos leves a graves e que a presença de doenças prévias pode piorar o quadro clínico.
De um modo geral, a apresentação clínica mais comum de covid-19 na população pediátrica tem sido com sinais e sintomas de infecção aguda do trato respiratório superior como febre, tosse, dor de garganta, rinorreia (coriza), congestão nasal, falta de ar, além de sintomas  não respiratórios, como manifestações gastrointestinais. Eventualmente alguns pacientes podem progredir para  formas graves e óbito. Algumas particularidades nas manifestações clínicas graves da covid-19 nesta faixa etária tem chamado a atenção, entre elas os casos de síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P), de maior ocorrência em escolares e adolescentes associados a gravidade clínica  em períodos mais tardio do início da doença.
Tendinha
A coordenação do subprojeto denominado "Tendinha" está a cargo da Faculdade de Enfermagem (FEN) e do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina (FM) da Universidade Federal de Goiás (UFG). O atendimento às crianças e adolescentes é realizado em um espaço destinado exclusivamente para esse público no Centro de Aulas D da Universidade Federal de Goiás (UFG), Câmpus Colemar Natal e Silva, Setor Leste Universitário. 
A meta é realizar a testagem de 600 crianças e adolescentes. A coordenadora do projeto e diretora da FEN, Claci Fátima Weirich Rosso, explica que a decisão de ampliar o público-alvo se deve ao fato do elevado risco das crianças e adolescentes de contactantes positivos de adquirem a doença. Além disso, existem poucas pesquisas sobre a incidência da covid-19 em crianças e adolescentes. "Queremos colaborar na construção do conhecimento científico sobre a magnitude do novo coronavírus em crianças e adolescentes, além de proporcionar cuidado e acolhimento aos pais e familiares desse grupo, considerando que trabalhadores da saúde e segurança pública são mais suscetíveis a adquirir a doença pela atividade laboral e consequentemente os contactantes”.
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Parte da equipe da Tendinha Foto: divulgação FEN/UFG
Parceiros
O projeto Tenda Triagem Covid-19 UFG é financiado pelo Ministério da Educação (MEC) e é realizado em parceira com a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS Goiânia). Foi lançado em 20 de maio de 2020. 
A coordenação é realizada pela Faculdade de Enfermagem (FEN). Participam ainda do projeto a Faculdade de Farmácia (FF), Faculdade de Medicina (FM), Instituto de Ciências Biológicas (ICB), Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (IPTSP), Hospital das Clínicas (HC)/Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
Funcionamento
O projeto Tenda Triagem Covid-19 UFG funciona de segunda-feira e quarta-feira, das 9h às 13h, no Centro de Aulas D da UFG, Câmpus Colemar Natal e Silva, Setor Universitário. O atendimento dos trabalhadores da saúde e segurança sintomáticos é realizado apenas por agendamento prévio que deverá ser feito, das 9h às 16h, nos telefones: (62) 99545-6671/(62) 99163-0666. O público-alvo do projeto passa por uma teletriagem para evitar filas e aglomerações no local.
O agendamento das crianças e adolescentes dos contactantes positivos testados na tenda é realizado pela equipe do projeto, após confirmação do diagnóstico de covid-19 dos profissionais. Nestes casos, a equipe entrará em contato para o agendamento do teste.
O serviço é realizado, preferencialmente, por drive-thru com atendimento de enfermagem e médico e coleta de amostras para realização dos testes RT-PCR. Posteriormente, o público-alvo são telemonitorados pelo serviço de telemedicina/Faculdade de Medicina e Secretaria Municipal de Saúde até resolução do quadro.
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Fonte: equipes do projeto Tenda Triagem Covid-19 UFG/Universidade Federal de Goiás

Fonte: FEN/UFG

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