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Medicamentos IQ

Evolução dos medicamentos é retratada em palestra

Criada em 01/09/17 13:08. Atualizada em 01/09/17 14:30.

Parte dos Seminários do IQ, palestra destacou a importância da química para o desenvolvimento de medicamentos

Texto: Carolina Melo

Fotos: Ana Fortunato

“A evolução dos medicamentos coincide com a evolução da química. E foi o desenvolvimento dos medicamentos que contribuiu para o crescimento do status da medicina na sociedade”. O resgate da evolução da Química, da Farmacologia e da Medicina enquanto ciências foi realizado pelo médico e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Manoel Odorico de Moraes Filho, ao longo da palestra “Desenvolvimento dos Medicamentos: das moléculas ao homem”, realizada na manhã desta sexta-feira (1/9) no Instituto de Química da UFG.

Segundo o palestrante, a medicina é uma área de conhecimento que deve muito à química e aos fármacos. Em seu princípio, era pouco valorizada. Para ilustrar essa realidade, Manoel Odorico citou o pensamento de Voltaire (1694-1778), que ilustra a reputação da medicina de uma época: “Os médicos se valem de medicamentos que pouco conhecem para curar doenças que conhecem menos ainda, em seres humanos dos quais nada sabem”.  De acordo com o professor, à medida que os medicamentos foram se tornando seguros e conhecidos a percepção da sociedade sobre a medicina também melhorou. “Com a descoberta dos medicamentos, a medicina passou a ter mais credibilidade”.

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A descoberta dos medicamentos passou por fases ao longo do tempo. Inicialmente eram recolhidos da natureza de forma intuitiva. Posteriormente, o princípio ativo das plantas medicinais foi extraído para uma utilização empírica. E, de acordo com o palestrante, foi com a industrialização que os medicamentos passaram a ter um uso racional. “Momento em que a evolução da química passou a fornecer também as moléculas sintéticas”, afirmou.

Conforme o professor de Medicina, a química medicinal e a farmacologia ensejaram o crescimento da indústria de medicamentos. "Um dos primeiros medicamentos industrializados foi a aspirina, descoberta em 1898 por Félix Hoffman".  Mas também, segundo Oderico de Moraes, ocorreram os grandes desastres com a comercialização dos medicamentos. Entre eles, o consumo do Elixir de Sufanilamida e o de Talidomida. O primeiro “matou 107 pessoas só nos Estados Unidos”, o segundo foi prescrito para mulheres grávidas e provocou o “nascimento de 30 mil crianças com deformidades congénitas”. Os novos medicamentos passaram, então, a ser testados em animais, antes de ensaios clínicos em seres humanos.

A cronologia dos medicamentos foi ilustrada pelo palestrante: Da era das vacinas, para a dos alcaloides, passando pela era dos compostos sintéticos e dos antibióticos, até a era da biologia molecular, chegando à era da biotecnologia. Nesse histórico, segundo o professor, as principais descobertas ocorreram principalmente nas universidades, nos centros de pesquisa.

Por trás do medicamento, há um trabalho multidisciplinar e que culmina em testes com seres humanos. A cadeia da Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) dos medicamentos passa pela pesquisa, teste, farmacotécnica, desenvolvimento clínico e registro.  No caso da química, segundo o professor, é importante os pesquisadores procurarem uma aplicação ou um emprego para as moléculas que descobrem em laboratórios. Na avaliação de Oderico de Moraes, “o Brasil precisa investir em inovação e para isso é preciso dominar toda a cadeia de produção”. Segundo ele, não há política de Estado para o desenvolvimento de medicamentos no Brasil. “Para se ter ideia, 93% dos insumos da indústria farmacêutica no Brasil são importados. Temos café e importamos cafeína”, destacou.

Fonte: Ascom UFG

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