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A poética do desconforto

Criada em 30/08/17 17:50. Atualizada em 31/08/17 09:06.

Exposição Contrarquitetura reabre Museu de Arte Contemporânea de Goiás com obras que brincam com normas e estruturas sociais

Texto: Patrícia da Veiga

Fotos: Adriana Silva

As coisas não estão em seus “devidos” lugares: o que parece ser uma caixa de marimbondos cresce na superfície da construção modernista; cristais de madeira carbonizada estão esparramados pelo chão; a escultura de um cavalo fala, mas não escuta; o busto de um líder político é exibido empacotado; uma lira destroçada está posta no vão de uma rampa, à sombra, mas de longe é percebida. Esses e outros elementos estão na exposição Contrarquitetura, aberta nesta terça-feira (29/08) no Museu de Arte Contemporânea de Goiás.

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Assinada pelo professor da Faculdade de Artes Visuais (FAV) Juliano Moraes, Contrarquitetura é um convite à reflexão a respeito do que está posto: normas, ordens e estruturas. A mostra conta com 50 obras – entre esculturas, pinturas e instalações – que, uma vez postas em relação, produzem um discurso de confronto a todo tipo de arquitetura social vigente.

O professor passou os últimos cinco anos buscando referências diversas para criar Contrarquitetura. Caminhou pelas ruas de Goiânia, viajou Cerrado adentro, retomou leituras, se inspirou em outras artes, aproveitou debates travados no âmbito da Universidade e gerou o que chama de museu do excesso. Em sua concepção, trata-se de um espaço que exibe elementos disformes e sobras, onde não necessariamente há complementaridades, mas sim paradoxos. “Ora os objetos tensionam o valor das esculturas e o próprio museu como instituição, ora é esse lugar que dá legitimidade às peças como obra de arte”, comenta Juliano.

Essa tensão do trabalho do artista foi sentida por quem compareceu ao primeiro dia da exposição. “Os tempos atuais não nos trazem uma expectativa de vida calma e a obra dele me lembrou disso. Senti um desconforto”, comentou Oneida Teixeira de Araújo Caixeta, estudante de Artes Visuais do Instituto Técnico em Artes Basileu França. “Ao acompanhar os desenhos com colagem, percebi que, na vida, vários caminhos podem ser possíveis”, afirmou Bruno Tavares Matos, estudante do Ensino Médio e também aluno do Basileu França. Contrarquitetura fica em cartaz até o dia 20 de outubro, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h de segunda a sexta, e aos sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h.

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Retomada

Com curadoria de Gilmar Camilo, produção de Guilherme Wohlgemuth, ação educativa de Cayo Honorato e design gráfico de Maurício Mota, Contrarquitetura é uma iniciativa de Juliano Moraes, em parceria com o Museu de Arte Contemporânea de Goiás e com recursos da Lei Goyazes, da Secretaria de Estado da Educação, Cultura e Esporte (Seduce) e do Governo de Goiás. A exposição marca a retomada dos trabalhos no espaço, que vem passando por reformas desde o mês de junho, visando troca de piso e readequação da iluminação e dos itens de segurança. Também é um reencontro do artista com o lugar, uma vez que sua última individual, Ne-Uter (2001), foi realizada exatamente ali, quando o Museu ainda era parte do Centro Cultural Octo Marques, no Partenon Center, espaço historicamente constituído pelas artes plásticas em Goiás.

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Perfil

Juliano Moraes é graduado em Ciências Sociais pela UFG e mestre em Poéticas Contemporâneas pela Universidade de Brasília (UnB). É professor de Teoria e Processos da Arte Contemporânea desde 2010 e Artista Plástico desde 1989. Recebeu seu primeiro prêmio aos 18 anos, na 2ª. Bienal Nacional de Artes de Goiás, e ao longo de sua carreira participou da 3a. Bienal do Mercosul, Panorama da Arte Contemporânea de Brasília e Bienal das Américas. Expôs no MAM Rio de Janeiro, MAC São Paulo, Casa das Rosas/SP, Museu de Arte de Brasília. Na UFG, desenvolve pesquisa sobre arte e psicanálise e coordena o Programa de Artes Integradas (Frestas) e o Festival Experimental de Artes (Refluxo).

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Fonte: Ascom/UFG

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