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Ekaterina

Servidora aposentada recebe título de doutora por notório saber

Por Patricia Veiga. Criada em 10/07/17 12:25. Atualizada em 10/07/17 14:19.

Foi a primeira vez que a UFG entregou um diploma desta natureza, reconhecendo as contribuições de Ekaterina Akimovna Botovchenco Rivera para a Ciência Animal

Texto: Patrícia da Veiga

Fotos: Ana Fortunato

Com base na Resolução n° 1405/2016 do Conselho de Ensino, Pesquisa, Extensão e Cultura da Universidade Federal de Goiás (Cepec/UFG), a servidora técnico-administrativa aposentada do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), Ekaterina Akimovna Botovchenco Rivera recebeu, na última sexta-feira (7/7), em sessão solene da Assembleia Universitária, o título de Notório Saber. Primeira pessoa na história da instituição a conquistar tal reconhecimento, Ekaterina tem agora em suas mãos um diploma com peso equivalente a um doutorado acadêmico.

A solicitação do título foi feita pelo Instituto de Patologia e Saúde Pública (IPTSP), avaliada pelo Cepec e concedida pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal da Escola de Veterinária e Zootecnia (PPGCA/EVZ), onde Ekaterina atua como pesquisadora voluntária. Na solenidade de entrega da honraria, a pró-reitora de Pesquisa e Inovação e também docente da EVZ, Maria Clorinda Soares Fioravanti, proferiu saudação à homenageada em nome da comunidade universitária e destacou a importância de seu trabalho para a UFG. “Ela permeou todas as áreas biológicas desta universidade, passando pela Medicina, Farmácia, Odontologia, Medicina Veterinária, Biologia etc.”, afirmou.

Ekaterina foi coordenadora do Biotério Central da UFG de 1979 a 2014 e em meados da década de 1990 foi convidada a colaborar com o PPGCA, primeiro, recebendo e intermediando o diálogo entre os docentes da EVZ e pesquisadores estrangeiros, depois, ministrando disciplinas e contribuindo com a orientação de novos profissionais. “A Resolução n° 1405 traz alguns pontos que regem o título de Notório Saber. Para recebê-lo, a pessoa deve: ter produção técnica e científica classificada nos extratos mais elevados da avaliação realizada por órgãos competentes, regularidade na produção intelectual, contribuir para a formação de novos professores, pesquisadores e para o fortalecimento das instituições de ensino e pesquisa, apresentar alta qualificação na sua área de conhecimento e ter reconhecimento público da sua atuação. É indiscutível que todos esses itens foram preenchidos pela Ekaterina”, defendeu a pró-reitora em seu discurso.

Maria Clorinda

Para Maria Clorinda, Ekaterina Rivera preenche todos os quesitos para receber o título de doutora por notório saber

A servidora técnico-administrativa possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1967) e mestrado em Ciência Animal de Laboratório pela Royal Veterinary College University Of London (1989). Ekaterina iniciou o doutorado na mesma instituição em 1994, mas não chegou a concluí-lo. Ainda assim, ela se comprometeu a trazer para o Brasil o debate do bem-estar animal e teve participação decisiva na elaboração da Lei n° 11794/2008, que regulamenta o uso de animais para fins científicos. “Eu diria que, no Brasil, ela foi uma das primeiras pessoas a falar em cuidados com animais de laboratório”, afirmou Maria Clorinda.

Pioneirismo e preconceito

Ao tomar a palavra, Ekaterina agradeceu a todas as pessoas que cruzaram sua trajetória nestas quatro décadas de atuação profissional: “sinto-me muito pequena frente à irrestrita generosidade de meus companheiros de caminhada”. Ela lembrou a formação de base que teve na família, que a estimulou a ter “gosto pelo saber”, e relatou que sua chegada ao Centro-Oeste, na década de 1970, não se deu sem estranhamento. “Passei a infância e a juventude no Rio Grande do Sul, mas mal sabia eu que Goiás era meu lugar”, declarou.

Na UFG, Ekaterina destacou os desafios que teve para trabalhar e construir sua carreira, uma vez que foi um das primeiras servidoras técnico-administrativas da instituição a seguir os passos da investigação acadêmica. “A alegria por ter conseguido um novo trabalho se tornou pânico quando soube que iria tomar conta do Biotério. Consegui um curso curto em Curitiba, onde aprendi os cuidados elementares para gerenciar aquele lugar. Tempos depois, tive a oportunidade de fazer Mestrado na Inglaterra no tema da Ciência Animal de Laboratório. Apesar de ter sido aceita, o meu diretor, na época, escreveu um memorando dizendo que não havia interesse algum por parte do ICB de que um técnico fosse fazer mestrado. Isso era coisa de professor”, denunciou.

Ekaterina Rivera

Ekaterina Rivera superou desafios e se tornou referência na ciência brasileira

Sem desistir, Ekaterina voltou do mestrado com a bagagem intelectual cheia de novidades, propondo debates sobre ética em pesquisa ainda não feitos pelos servidores docentes. “Consegui sensibilizar alguns pesquisadores, mas mudar uma cultura leva muito tempo”, afirmou. Em sua visão, sua maior contribuição foi orientar estudantes a buscarem alternativas para o manuseio de animais em laboratórios. “Meu maior feito foi ter conseguido cativar alunos que continuaram meu trabalho”.

Orlando Amaral, reitor da UFG, finalizou a solenidade frisando “a liderança, a competência e o compromisso” de Ekaterina com a UFG e com a ciência brasileira. A servidora técnico-administrativa e pesquisadora voluntária da UFG ocupa atualmente o posto de presidente do Comitê de Bem-estar Animal do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-GO) e da Sociedade Brasileira de Ciência em Animais de Laboratório. Ela também atua como membro do Comitê de Ética em Pesquisa Humana do Hospital das Clínicas da UFG, entre outros comitês, e tem diversas publicações sobre ética em pesquisa e bem-estar animal.

Notório Saber

Ekaterina Rivera mostra seu diploma ao lado da mesa diretiva formada na sessão solene da Assembleia Universitária. Da esquerda para a direita: Marcos Café, diretor da EVZ, Flávia Oliveira, diretora do IPTSP, Orlando Amaral, reitor da UFG, a homenageada, Maria Clorinda Fioravanti, pró-reitora de Pesquisa e Inovação, Heitor Rosa, professor aposentado da Faculdade de Medicina (FM), e Reginaldo Nassar, diretor do ICB.

Fonte : Ascom/UFG

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