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Nilma Lino na FIC

Para Nilma Lino movimentos devem se fortalecer em lutas cotidianas

Por Angélica Queiroz. Criada em 09/05/17 11:54. Atualizada em 09/05/17 14:43.

Professora da UFMG falou sobre a necessidade de articulação entre os coletivos sociais em prol da ação comum, mas sem perder suas especificidades 

Texto: Angélica Queiroz

Fotos: Ana Fortunato

Nilma Lino na FIC

Uma mesa com três mulheres negras discutindo antirracismo, universidade pública e diversidade. A universidade não pode mais ser a mesma com a chegada de novos sujeitos sociais na academia. Tendo em vista esse contexto, a Faculdade de Comunicação e Informação da UFG (FIC), sediou nesta terça-feira (9/5) um debate com a presença da ex-ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Nilma Lino. A professora falou sobre articulação de coletivos sociais diversos na luta política pela garantia de direitos e representatividade em todos os níveis e ressaltou a necessidade de união entre os grupos, sem perder suas especificidades. 

Na condição de mediadora, a professora e mestranda em Comunicação, Zanza Gomes, deu inicio às provocações do debate questionando: qual modelo de universidade pública queremos? Ela lembrou o protagonismo da UFG com o UFGInclui e as cotas na pós-graduação, que vem mudando a cara dos estudantes da Universidade. Falou ainda da criação do Grupo de Trabalho em Ações Afirmativas da FIC, que veio para suprir a necessidade de lidar com essa diversidade, mas destacou que esses estudantes ainda enfrentam muitos desafios. "Em alguns momentos a gente tem empatia, em outros isolamento e silenciamento". 

"Não há tempo sombrio que dê conta dessa diversidade que vemos aqui"

A convidada lembrou o momento político vivido no país, interpretado com ela como a ascensão das forças conservadoras. Segundo ela, esses grupos que vem se fortalecendo em todo o mundo acreditam que vão vencer pelo cansaço. "Muitas 'canetadas' têm tirado nossos direitos, mas não podem 'canetar' nossa luta cotidiana. E é aí que está a nossa força", afirmou. Para Nilma Lino é preciso que os coletivos sociais sejam prudentes e encontrem elos e eixos de ação comum para produção de conhecimento emancipatório. Ela lembrou que, para isso, é essencial pensar de quem é o protagonismo em cada luta para saber quem fala e, mesmo que o lugar seja só de escuta, somar na luta.

A professora da UFMG também ressaltou que os retrocessos e a ameaça de retirada de direitos conquistados não devem desanimar em um momento político que ela chamou de "sombrio". "A força dessa onda neoconservadora é proporcional aquilo que conseguimos alcançar em nossas lutas emancipatórias. Conseguimos trincar essas estruturas e superamos tempos mais sombrios ainda em nossa história. Não há tempo sombrio que dê conta dessa diversidade que vemos aqui. Ela tem que ser nosso trunfo e não aquilo que nos divide", afirmou. 

Nilma Lino lamentou ainda a  influência da grande mídia, ao lado do poder conservador, mas lembrou o crescimento das mídias alternativas e das redes sociais que, para ela, desempenham importante papel na luta política e de circulação de conhecimento, podendo ser estratégias de libertação e emancipação. Nesse ponto, a professora também destacou a necessidade da busca de conhecimentos fora da literatura hegemônica da academia, trazendo novas indagações e repensando a nós mesmos e o espaço acadêmico, considerando essas novas pessoas que existem e agora também estão nesses lugares. "Não podemos deixar que nossa universidade pública se contamine e se torne um ambiente epistemologicamente democrata, mas politicamente fascista". 

Nilma Lino na FIC

Coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Comunicação e Diferença (Pindoba) e presidente do GT em Ações Afirmativas da FIC, a professora Luciene Dias, contribuiu com o debate e afirmou que os coletivos sociais precisam se ver e se reconhecer num protagonismo mais plural, com novas vozes e novos corpos, construindo uma agenda antirracismo. "O que essas vozes estão gritando é 'não'. Não aceitamos esse modelo que não aceita as diferenças. E vamos ocupar todos os espaços para fazer valer as nossas vozes," concluiu.

A atividade foi uma ação conjunta do Pindoba - Núcleo de Pesquisa em Comunicação e Diferença, do Grupo de Trabalho em Ações Afirmativas da Faculdade de Informação e Comunicação da UFG, do Laboratório de Estudos de Gênero, Étnico-Raciais e Espacialidades do Instituto de Estudos Sócio-Ambientais (LaGente), e do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social (PPGAS). 

Veja o vídeo do debate completo, transmitido pela Magnífica Mundi.

Fonte : Ascom UFG

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