Centro de Genética Humana da UFG celebra quatro anos
Laboratório transforma diagnóstico de câncer e doenças raras em Goiás, unindo pesquisa, prevenção e acolhimento
Texto: Kharen Stecca
Fotos: Carlos Siqueira
Diagnosticada com câncer de mama aos 33 anos, em 2020, Rosilda Resplandes Freire encontrou no teste genético a oportunidade de mudar o rumo da sua saúde e da sua família. O exame identificou uma mutação no gene BRCA1, permitindo que ela realizasse cirurgias preventivas de mastectomia e remoção dos ovários, além de orientar a testagem de seus nove irmãos e de sua filha — que também testou positivo e hoje recebe acompanhamento preventivo antes mesmo do aparecimento de qualquer sintoma. Histórias como a de Rosilda reafirmam a importância do Centro de Genética Humana do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Goiás (CEGH/ICB-UFG), uma estrutura pública que há quatro anos oferece exames moleculares gratuitos e de alta precisão pelo SUS, transformando a prevenção do câncer hereditário e de doenças raras em realidade para a comunidade.
A cerimônia comemorativa de quatro anos do centro foi aberta pela professora Elisângela de Paula Silveira Lacerda, coordenadora do painel genético e idealizadora do projeto, que tocou violino em homenagem aos pesquisadores, colaboradores e às pacientes “que confiaram suas histórias à universidade”. Ela celebrou os quatro anos do Centro: “vem prestando serviços com excelência, ciência e cuidado”. Ela também celebrou a coragem das pacientes e familiares: “nos ensinam todos os dias o que é ter força", declarou a docente.
A trajetória da instituição foi detalhada pela responsável técnica do Centro, professora Rosângela Rocha, que destacou a resiliência da equipe desde o projeto inicial em 2010 até a consolidação de uma estrutura de 584 m² com laboratórios de ponta em citogenética e genética molecular. "Nossa missão sempre foi humanitária e social: suprir a alta demanda de pacientes com doenças genéticas sem diagnóstico no SUS. Em 2024, consolidamos uma parceria pioneira com a Secretaria Estadual de Saúde para oferecer testes genéticos de câncer de mama e ovários hereditários, salvando vidas pelo diagnóstico precoce", ressaltou a coordenadora.
Representando a direção do ICB-UFG, a professora Ana Cristina Silva Rebelo enfatizou o compromisso da universidade pública com entregas de alto impacto social: "O que mais nos preocupa é a entrega que fazemos para a sociedade, e este centro realiza um trabalho de altíssima relevância para a saúde pública. Tenho orgulho das nossas servidoras que persistem e não desistem de transformar a ciência em cuidado", pontuou.
A viabilidade técnica dos sequenciamentos genéticos conta com a colaboração da iniciativa privada, representada por Laura Torres, especialista de produtos de sequenciamento da Thermo Fisher Scientific. "Sabemos de todas as dificuldades para viabilizar projetos desse porte e reafirmamos nosso apoio para continuar seguindo juntos nessa luta em favor da saúde pública", afirmou.
Pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), a superintendente Lígia Vanessa Silva Cruz Duarte destacou a expansão do programa Goiás Todo Rosa. "O Goiás Todo Rosa nasceu de uma iniciativa da UFG e se transformou em uma linha de cuidado completa para qualificar a jornada do paciente durante o ano inteiro, garantindo acesso e atendimento no tempo oportuno", explicou.
O impacto prático da gratuidade no SUS foi enfatizado no relato de Camila Rabelo, superintendente da Fundação de Apoio a Pesquisa da UFG - FUNAPE e paciente tratada de câncer de mama. "Quando fiz meu tratamento em 2023, precisei pagar o teste genético na rede privada porque o plano de saúde não cobria, e sei o quanto esse exame é caro e inacessível para a maioria das pessoas. Ver um projeto nascido na UFG tornar-se lei estadual permanente e servir de modelo para o Brasil escancara o papel fundamental da universidade pública no ensino, pesquisa, extensão e inovação", salientou.
O ex-deputado federal e atual vice-prefeito de Aparecida de Goiânia, João Campos, incentivador inicial do centro por meio de emendas parlamentares, relembrou o início da estrutura. "Embora minha trajetória seja na segurança pública, compreendi o alcance humano deste projeto e destinei recursos para a obra e equipamentos. É motivo de muita alegria ver a universidade oferecendo gratuitamente pelo SUS um exame tão avançado, capaz de prevenir o câncer e proporcionar a cura para tantas famílias", destacou.
Ao encerrar os pronunciamentos, a reitora da UFG, professora Sandramara Matias Chaves, reforçou a função social da instituição e a importância da manutenção de parcerias e recursos de fomento. "A universidade pública é da população e para a população. O projeto de mapeamento genético e o Goiás Todo Rosa provam que a ciência faz a diferença quando atua na prevenção e no cuidado humano, garantindo continuidade como política de Estado permanente", concluiu a reitora.
A cerimônia foi finalizada com entregas de homenagens aos colaboradores e servidores, momento em que a professora Lucilene Arilho Ribeiro Bicudo destacou o papel fundamental da professora Elisângela de Paula. "Sem a visão e a determinação da professora Elisângela em levar o rastreamento genético ao SUS, este projeto não existiria. Esta celebração é um reconhecimento a ela e a toda a equipe de alunos e pesquisadores que abraçaram essa causa", finalizou.
Saiba mais:
Goiás Todo Rosa: projeto aprimora diagnóstico do câncer de mama
Familiares de 22% das pessoas com câncer de mama em Goiás correm risco de ter a doença
Fonte: Secom UFG
Categorias: NOTÍCIAS CEGH Goiás todo rosa
