Professora emérita Dulce Barros de Almeida (in memorian)

Dulce Barros de Almeida é homenageada por pioneirismo na inclusão

Em 23/10/26 18:07.

Docente recebeu o título de professora emérita da UFG (in memorian) por romper barreiras históricas na universidade pública

Texto: Kharen Stecca

Fotos: Carlos Siqueira

A Universidade Federal de Goiás (UFG) concedeu no dia 23 de outubro, o título de Professora Emérita in memoriam à docente Dulce Barros de Almeida, quei foi professora da Faculdade de Educação da UFG e cuja trajetória pioneira converteu o acesso e a permanência de pessoas com deficiência em pauta prioritária do ensino superior brasileiro. Em um período em que as políticas nacionais ainda tratavam a deficiência sob a ótica da segregação ou da integração tutelada, a pesquisadora antecipou debates e articulou a criação de estruturas institucionais definitivas na universidade. A concessão da honraria, aprovada pelo Conselho Universitário, reafirma o papel da instituição em resgatar e oficializar a memória de quem construiu alicerces democráticos na UFG. 

Professora emérita Dulce Barros de Almeida (in memorian)
Cerimônia foi realizada na Faculdade de Educação, unidade de origem da professora homenageada

 

A abertura das saudações coube ao professor Ricardo Antônio Gonçalves Teixeira, da Faculdade de Educação, que definiu Dulce como uma presença agregadora e de posições firmes. "A Dulce era a pessoa do presente, sempre lembrava da gente com um livro, um gesto, um abraço. Ela chegava, chegando". Ele destacou que a professora era para além de uma formadora de professores no processo de estágio, pesquisadora de renome internacional, mas também engajada localmente como ativista dos direitos das pessoas com deficiência. 

Professora emérita Dulce Barros de Almeida (in memorian)
A filha Renata Barros de Almeida representou a mãe durante a entrega do título in memorian

 

Em nome dos familiares, a filha mais velha, Renata Barros de Almeida, recebeu o diploma e discursou sob forte emoção. Renata destacou que a maior lição deixada pela mãe não está restrita à produção acadêmica, mas aos valores éticos de solidariedade e coragem compartilhados no cotidiano. "Minha mãe fez do conhecimento a ferramenta de transformação e da educação o caminho para a dignidade", afirmou a filha. Ao agradecer à universidade pelo reconhecimento, ela resgatou uma das frases mais repetidas pela professora: "Ela sempre dizia que nada é difícil quando corremos atrás do que acreditamos".

A diretora da Faculdade de Educação, professora Amone Inácia Alves, iniciou sua fala fazendo a própria autodescrição — prática pedagógica incentivada por Dulce, de quem foi orientanda e aluna. Amone classificou a homenagem como um ato de compromisso com a história institucional e salientou a criação do Núcleo de Acessibilidade da UFG como um divisor de águas. "Dulce não se limitou a refletir sobre a inclusão; ela trabalhou para torná-la realidade", apontou a diretora, frisando que a importância de uma educadora se mede "pelas barreiras que enfrentou e que transformou em espaços de acessibilidade, reafirmando que uma educação democrática não pode deixar ninguém para trás".

As memórias dos primeiros passos práticos dessa política foram detalhadas pelo ex-reitor Edward Madureira Brasil. Ele relatou que, durante seu primeiro mandato, em 2006, em meio ao plano de expansão física do ensino superior e à criação do programa UFGInclui, a professora Dulce questionou a Reitoria sobre o acolhimento a estudantes cegos, surdos e com mobilidade reduzida. "O Núcleo de Acessibilidade começou numa sala emprestada de arquivo da universidade, porque ela nos convenceu de que tínhamos de sair do lugar e dar espaço", revelou o ex-reitor, apontando a iniciativa de Dulce como a semente da atual Secretaria de Inclusão da UFG.

Professora emérita Dulce Barros de Almeida (in memorian)
A reitora Sandramara Matias Chaves durante o discurso de homenagem à também colega de unidade

 

O encerramento e a outorga solene do diploma foram conduzidos pela reitora Sandramara Martins Chaves, que compartilhou a mesma mesa de trabalho com Dulce a partir de 1996. A professora também acompanhou com Dulce as tratativas com o Ministério da Educação para obter o primeiro financiamento do núcleo, orçado em cerca de R$ 50 mil. A reitora salientou que a professora Dulce consolidou uma compreensão que orienta a universidade até os dias atuais: "Ela nos ensinou que incluir não é apenas abrir portas ou ampliar vagas; é assegurar condições reais para que as pessoas possam permanecer, participar e realizar seus projetos com dignidade", pontuou a reitora. Ao declarar oficialmente a concessão do título in memoriam, a poucos dias da data em que Dulce completaria 74 anos, a reitora frisou que homenagear a educadora é assumir a responsabilidade de manter vivo seu legado ético e humano na educação pública.

 

Dulce Barros de Almeida
Dulce marcou a história da UFG lutando pela inclusão

 

Biografia

Nascida em Minas Gerais em 1952, pedagoga de formação, mestre pela UFG e doutora pela Unicamp, Dulce ingressou na Faculdade de Educação (FE) em 1996, após duas décadas de atuação na educação básica e na formação de professores. Na FE atuou ministrando disciplinas nas áreas de didática, prática de ensino e estágios.

Na instituição, teve papel determinante e pioneiro na idealização e coordenação do Núcleo de Acessibilidade da UFG, transformando-se em referência na formulação de diretrizes para o ingresso e a permanência de estudantes com deficiência no ensino superior. Falecida há nove anos, a educadora teve sua memória e contribuição institucional consagradas com a concessão do título de Professora Emérita in memoriam. A solenidade, realizada no auditório da FE, foi marcada pela presença da família da homenageada, incluindo seu marido, Alberto de Almeida, com quem se casou em 1974, além de filhos, netos, irmãs, cunhados e genro.

Professora emérita Dulce Barros de Almeida (in memorian)
A família de Dulce esteve presente na homenagem

 

Fonte: Secom UFG

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