Referência mundial em Bioética é novo Doutor Honoris Causa
Rui Nunes recebeu a máxima honraria concedida pela UFG
Texto: Caroline Pires
Fotos: Lucas Yuji
Em reconhecimento ao pioneirismo, impacto acadêmico e relevância mundial, a Universidade Federal de Goiás concedeu na última segunda-feira, 6/7, o título de Doutor Honoris Causa ao médico e professor da Universidade do Porto, em Portugal, Rui Nunes. O docente, que já escreveu mais de 30 livros e centenas de artigos, colaborando com a formação de mais de 400 médicos na área de Bioética, é um dos pesquisadores de maior referência nesta área mundialmente e possui estreitas parcerias com a UFG e o Conselho Federal de Medicina (CFM). Confira o álbum de fotos do evento.
Em sua fala, Rui Nunes agradeceu o recebimento da honraria e destacou, especialmente, o fato da UFG ser uma universidade pública. “Todos os cidadãos devem ter garantido o direito à igualdade de acesso e aos bens sociais primários. E mais do que isso, o Estado deve ainda gerar condições para que cada um possa desenvolver todas as suas capacidades e potencial”, defendeu. Segundo ele, as universidades públicas não se limitam a ser fontes geradoras de ensino ou produção de conhecimento, mas são, sobretudo, o extensor social, permitindo que os valores máximos da sociedade sejam aprofundados na sociedade moderna. “Fico feliz por receber essa honrada distinção, especialmente por ser na UFG”, agradeceu. O professor já veio a Goiânia em outras oportunidades e lembrou da sua proximidade com a medicina brasileira, “ao longo dos anos não imaginávamos que, sobretudo na última década tivemos uma proximidade tão grande com o Conselho Federal de Medicina, o que permite essa proeminência da bioética brasileira e portuguesa, transcendendo as suas fronteiras”, destacou. Rui Nunes ainda se comprometeu a seguir defendendo uma bioética plural e inclusiva, “essa transversalidade passa por diferentes áreas do saber e do conhecimento e tem muito a contribuir com todas elas”, concluísse.
O vice-diretor da FM, Rui Gilberto Ferreira, lembrou que o médico nasceu em uma família de raíces acadêmicas e que Rui Nunes se formou em Medicina na cidade do Porto em 1985, “consolidando a técnica cirúrgica com a bioética, tornando-se em 1996 o primeiro doutor nessa área. Sua contribuição para a medicina mundial é notável”, apresentou. Hoje, ele dirige o programa de pós-graduação em bioética em Portugal, colaborando com a formação de mais de 400 médicos nessa área. Sua trajetória é reconhecida no Brasil, por entidades de classe e pelo CFM, “ele tem sido um grande colaborador nesse modelo de parceria exitosa entre a UFG, a Universidade do Porto e o CFM”. São mais de 2.500 voluntários atuando em 40 centros distribuídos em todo o mundo atuando nessa área, e destaca-se ainda o seu livro Inteligência Artificial: uma ponte para o futuro, que hoje é referência mundial na área. “Receba essa honraria pela sua brilhante atuação como docente, excelência acadêmica na área da bioética e pela colaboração que em muito nos honra. Parabéns por todo esse legado”, finalizou.
José Iram da Silva Gallo, presidente do CFM, afirmou que a trajetória de Rui Nunes ultrapassou fronteiras e, acima de tudo, zela pela dignidade da pessoa humana. “Influenciando condutas médicas e colaborando fortemente para o progresso da ciência. O programa doutoral em bioética entre o CFM e a Universidade do Porto transforma vidas em todas as regiões do Brasil”, afirmou. Em uma relação de respeito e amizade com Rui Nunes, José Gallo defendeu a prática médica eticamente qualificada e centrada na pessoa humana, “a bioética oferece os fundamentos para o avanço da medicina com justiça e respeito. Pontes permanentes foram construídas entre o Brasil e Portugal”, finalizou.
O presidente da Academia Goiana de Medicina (AGM), Waldemar Alves do Amaral, que foi diretor da FM, destacou que a instituição possui 34 anos e tem sua atividade baseada na Grécia antiga, quando a vida e o bem-estar da população eram discutidos debaixo do luar, sendo os filósofos chamados de lunáticos. Hoje, a academia conta com 40 titulares eleitos, que atuam na retaguarda da ciência e da ética médica. “Destacamos a bioética, surgida há pouco mais de 50 anos que tem como princípio a autonomia, a não maleficência, a beneficência e a justiça, como a verdade dos fatos. Rui Nunes é presidente da Cátedra Internacional de Bioética, portanto estamos aqui hoje para fazer uma continência a essa trajetória”, apresentou. O título de Doutor Honoris Causa o coloca como um membro componente da Universidade. Na ocasião, a reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves recebeu uma homenagem em virtude da sua colaboração e disposição em continuar investindo e aprofundando a relação com o CFM.
Reforçando que esse momento é um marco na história da FM, Marcelo Rabahi destacou a maneira como Rui Nunes aproxima ciência e humanismo com a bioética, “e esse é um dos marcos mais desafiadores da nossa carreira: enxergar não só a doença, mas sim o ser humano, entregando muito mais do que remédio”, ponderou. Segundo ele, em um ciclo de virtuosidade esse momento reforça a união com a Universidade do Porto, e prepara para o desafio de seguir criando novos caminhos na formação de novos médicos.
Encerrando a cerimônia, a reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves, reforçou a relação com o CFM e a Universidade do Porto, afirmando que esse título é a maior honraria da instituição. “Sua contribuição é em um campo que é essencial na nossa sociedade: a bioética. Precisamos seguir trabalhando na humanização das relações”, destacou a reitora. Hoje, a UFG se destaca na graduação e na pós-graduação em todas as áreas do conhecimento, tendo crescido exponencialmente nas avaliações pelas quais tem passado, o que demonstra a qualidade das pessoas que fazem a Universidade. “Em muitos rankings figuramos em destaque também internacionalmente e, para nós, uma característica muito clara é a inclusão de pessoas que foram impossibilitadas de ter acesso a uma universidade pública”, lembrou a reitora ao dizer que a UFG foi pioneira na inclusão no país, e hoje possui programas efetivos de assistência estudantil. Segundo ela, tudo isso configura uma universidade diversa, plural, que respeita as diferenças e impacta a vida das pessoas com a sua qualidade, “parabéns pela sua contribuição para a medicina no Brasil e Portugal e por fazer parte da UFG”.

Reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves, concede o título de Doutor Honoris Causa, honraria máxima que pode ser concedida pela Universidade

Mesa diretiva destacou o impacto das pesquisas e o papel pioneiro do médico na Bioética

Rui Nunes acompanhando da esposa, Cristina Nunes , e da filha, Sofia Nunes, que vieram de Portugal para a homenagem

Na ocasião, a reitora foi homenageada pelo Conselho Federal de Medicina, pelo seu comprometimento e dedicação em estabelecer parcerias e diálogo com a instituição
Fonte: Secom UFG
