Laboratório NB3

Laboratório Multiusuário de Biossegurança NB3 eleva pesquisa goiana a padrões internacionais

Em 29/06/26 08:01.

Com investimento de R$ 3,9 milhões equipamentos auxiliam o avanço de estudos em saúde pública

Texto: Kharen Stecca

Fotos: Lucas Yuji

Após a pandemia da covid-19 ficou evidente a importância de preparar as instituições de pesquisa para dar respostas rápidas à questões de saúde. E a Universidade Federal de Goiás está cada dia mais preparada para essas ações. No dia 26 de junho foi inaugurado o Laboratório Multiusuário de Biossegurança Nível 3 (NB3), uma obra de engenharia de alta tecnologia que representa um marco histórico para a ciência e a saúde pública em Goiás. Localizado no Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (IPTSP), o laboratório amplia a atuação científica do estado, permitindo respostas rápidas a emergências sanitárias e o avanço no conhecimento sobre agentes biológicos de alto risco. Confira o álbum de fotos do evento.

Laboratório NB3
Laboratório é um salto para a pesquisa no Estado de Goiás

 

O laboratório teve fomento de R$3,9 milhões, via Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) e está preparado para pesquisas com agentes biológicos de classe três (3), o que inclui vírus, bactérias e fungos altamente infecciosos que causam doenças mais graves, ou para os quais ainda não existem vacinas ou tratamentos eficazes. Esses agentes, são aqueles que precisam ser investigados em condições de contenção extremamente rigorosas, a fim de evitar contaminação aos pesquisadores, ao ambiente ou à população em geral. 

O laboratório se diferencia por ser o primeiro do estado com pressão negativa, um sistema que impede a eliminação de qualquer contaminante acidental (líquido, volátil ou sólido) para o ambiente externo. A estrutura de alta complexidade conta com uma casa de máquinas robusta e a aplicação rigorosa de todas as hierarquias de controles de risco para o trabalho com agentes de classe 3. Além da segurança para os pesquisadores e para a comunidade, o NB3 permite realizar com excelência atividades de diagnóstico, vigilância, desenvolvimento de testes e estudos de novos fármacos.

Para a concretização deste projeto para além do financiamento da Fapeg foi realizado um esforço conjunto e parcerias estratégicas envolvendo também a Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP, o CNPq, a Fundação de Apoio à Pesquisa da UFG - Funape e o governo estadual, demonstrando a importância da cooperação entre universidades e agências de fomento para o desenvolvimento social e econômico.

Laboratório NB3
Cerimônia teve a participação de autoridades do governo do Estado

 

A coordenadora do NB3, professora Ana Paula Junqueira-Kipnis, expressou que a inauguração é a maior satisfação de sua trajetória de quase 35 anos na UFG. "Um laboratório de alta complexidade como este amplia de forma decisiva a capacidade do Estado de Goiás para responder a desafios sanitários presentes e futuros", afirmou, ressaltando que a estrutura representa autonomia científica e um compromisso com a proteção da vida. Ela enfatizou que o investimento em ciência deve ser uma política de estado permanente, independente de governos, devido aos seus benefícios coletivos e duradouros.

A diretora executiva da FUNAPE, professora Flávia Aparecida de Oliveira, que também é professora do IPTSP, destacou que o laboratório é um sonho idealizado há mais de 20 anos e que passou por diversas gestões até se tornar realidade. Ela sublinhou o papel crucial da fundação na gestão executiva, financeira e jurídica do projeto: "Este projeto jamais teria chegado ao dia de hoje se não fosse a gestão com todos os cuidados de segurança jurídica, transparência e lisura nos processos". Flávia reforçou que o equipamento coloca a UFG em padrões internacionais para a produção de ciência de vanguarda.

Laboratório NB3
Investimento no laboratório foi de R$3,9 milhões 

 

O diretor do IPTSP, professor Yves Mauro Fernandes Ternes, assinalou que o dia 26 de junho de 2026 ficará marcado como um momento de celebração para a pesquisa científica em Goiás. Ele assumiu o compromisso de buscar estratégias para o pleno funcionamento do marco, visando benefícios diretos para a comunidade. "Nossas metas serão garantir condições para o seu pleno funcionamento e promover o laboratório como uma ferramenta de vigilância em saúde, fortalecendo colaborações com outras instituições, como o LACEN-GO", declarou.

Laboratório NB3
Marcos Arriel destacou o papel da Fapeg no investimento de projetos para a ciência goiana

 

O presidente da FAPEG, Marcos Fernando Arriel, reiterou que a missão da fundação é fomentar a inovação e que o laboratório é um "marco histórico" para o estado. Ele citou que o governo estadual tem investido em projetos disruptivos e áreas estratégicas, alcançando a meta de mais de 100 editais lançados desde 2023 para dar suporte à produção científica goiana. "A FAPEG e o governo de Goiás seguem firmes no fomento da ciência, assumindo compromissos com os grupos de pesquisa", afirmou.

Laboratório NB3
Laboratório vem sendo pensado pelos pesquisadores há muitos anos e foi fruto de muitas parcerias com instituições de fomento, em especial a Fapeg

 

A subsecretária de vigilância em saúde, Fúlvia Amorim, representando a Secretaria de Estado da Saúde, enfatizou a necessidade de uma saúde baseada em evidências. Segundo ela, a pandemia deixou clara a urgência da ciência como base para decisões de gestão: "A construção e o funcionamento deste laboratório com certeza vão nos ajudar a entender o que está por vir e diminuir os impactos na saúde da nossa população". Fúlvia defendeu que a parceria entre a universidade e a secretaria deve ser institucional e permanente.

O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, José Frederico Lyra Netto, representante do governador, trouxe uma mensagem do governo estadual sobre a importância de apoiar projetos de médio e longo prazo. Ele comparou o avanço científico ao desenvolvimento de vacinas, que exige décadas de preparação prévia, e afirmou que Goiás está consolidando sua posição como uma nova fronteira do conhecimento. "Vocês estão empurrando essa fronteira para frente; Goiás, que foi reconhecido como fronteira agrícola, agora é o estado da fronteira da ciência", declarou.

Laboratório NB3
Sandramara ressaltou a segurança que o laboratório garante para a população e para os pesquisadores

 

Encerrando as falas, a reitora da UFG, professora Sandramara Matias Chaves, celebrou a conquista como fruto de muita luta e resistência. Ela destacou que o NB3 terá um papel pedagógico essencial, sendo fundamental na formação de estudantes de graduação e pós-graduação com alta qualidade. "O NB3 garante segurança para os pesquisadores e para a população, possibilitando pesquisas que colocarão Goiás na fronteira do conhecimento", concluiu a reitora, reforçando o compromisso de buscar novos fomentos para a operação plena da unidade.

 

Fonte: Secom

Categorias: Notícias fapeg IPTSP Inauguração NB3