23ª Acof cumpre a missão de valorizar a mulher da agricultura familiar
Estimativas indicam mais de R$ 500 mil comercializados; edição de 2027 será realizada em Goiânia
Texto: Versanna Carvalho
Fotos: Carlos Siqueira
O encerramento da 23ª Agro Centro-Oeste Familiar (Acof 2026) transmitiu a sensação de dever cumprido na missão de colocar o agricultor familiar em evidência para a Região Centro-Oeste e para o Brasil, bem como de reconhecer e dar visibilidade ao trabalho da mulher do campo, que participa de todas as etapas da produção, assumindo diferentes e muitas vezes múltiplos papéis como família, parceira, gestora, produtora, titular do estabelecimento rural e líder de classe. A solenidade que marcou o final da maior feira do segmento da região foi realizada no sábado (20/6) no Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Goiás (UFG), anfitriã do evento, e homenageou mais de 100 mulheres que de muitas formas se destacam em suas atividades em prol da agricultura familiar e reforma agrária por meio da Sessão Especial em Homenagem às Mulheres da Agricultura Familiar, na qual foram entregues diplomas de honra ao mérito pela Câmara Municipal de Goiânia. Clique aqui para acessar ao álbum de fotos.
A edição de 2026 veio para consolidar a condição de grande evento que a feira adquiriu nos últimos anos. Foram montados dentro do Centro de Eventos 96 estandes para os 175 expositores agricultores familiares selecionados. Os agricultores familiares também foram os responsáveis pela praça de alimentação da Acof que manteve a tradição de oferecer exclusivamente alimentos e refeições oriundas da agricultura familiar. A praça de alimentação foi montada na área externa do Centro de Eventos com 12 estandes e três cozinhas camponesas. A estimativa inicial da organização é que juntos, os expositores e a praça de alimentação comercializaram em torno de R$ 500 mil nos quatro dias da feira realizada de 17 a 20 de junho.
Já foi anunciado que a Acof 2027 será novamente em Goiânia, atendendo a uma reivindicação dos próprios agricultores familiares que entendem que em uma capital o evento recebe um público maior e gera uma maior comercialização de produtos. Mais uma vez, o público visitante ficou acima de 15 mil pessoas.
Grande evento
A reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves, ressaltou a importância da Agro Centro-Oeste Familiar, que começou em 2000 na Escola de Agronomia e hoje se tornou um grande evento que recebe milhares de pessoas para conhecer e para usufruir de toda a produção dos pequenos agricultores e para valorizar o trabalho de um segmento estratégico para a sociedade. “Um trabalho que cuida da saúde das pessoas, que preserva a qualidade dos alimentos e que se preocupa com uma alimentação saudável para todas as pessoas”.
A gestora da Universidade continuou afirmando, “ser um orgulho participar e promover um evento dessa natureza, que traz tantas pessoas para dentro da Universidade, que além de cumprir o seu papel com o ensino, pesquisa e extensão, preocupa-se com a segurança alimentar".
“Ontem (sexta-feira, 19/6), passei por aqui, conversei com várias pessoas, agricultoras, agricultores, produtores e todos, sem exceção, falaram da alegria de estar aqui, do quão bom é estar aqui”, comentou.
Expositores
Uma das coordenadoras-gerais da feira, Graciella Corcioli, enfatizou que 175 agricultoras e agricultores familiares foram selecionados para expor na Agro Centro-Oeste Familiar 2026. “Dos nossos 96 estandes, todos eram da agricultura familiar. Parte de agricultores familiares tradicionais, de assentamentos da reforma agrária, de comunidades indígenas e de comunidades quilombolas. Tivemos 324 pessoas expondo seus produtos”, afirmou.
Sobre o valor estimado inicialmente para a comercialização durante a Acof 2026, Graciella observou que “esse recurso significa muito para muitas pessoas que estiveram comercializando aqui. Eles voltam com esse dinheiro para as suas famílias, para as suas casas, para continuar a sua produção e a sua reprodução social”. Ela continuou ressaltando que esses dados são muito positivos. “Não são dados ainda finalizados porque nós ainda estamos apurando, mas é um montante muito importante para agricultura familiar”, disse. Clique aqui para ver a galeria de fotos dos estandes.
Alerta
A agricultora familiar e uma das lideranças da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar de Goiás (Fetraf/GO), Agajoeme Alves Barreto, conhecida como Nega, compôs a mesa diretiva, representando as mulheres do campo e as entidades de classe e organizações do segmento. Ela falou sobre os desafios de ser mulher em um ambiente ainda tão dominado pelos homens. “Para a mulher do campo a situação é ainda mais crítica, porque o trabalho do dia a dia, de sol a sol, é muito difícil. Além do sofrimento que a gente tem no trabalho sofremos com a discriminação e a repressão. Muitas vezes as mulheres vivem no campo situações muito difíceis das quais não conseguem sair”, alertou.
Agajoeme agradeceu à organização da Acof por escolher destacar o protagonismo das mulheres neste ano. “Esse espaço aqui trouxe para nós mulheres a oportunidade de mostrar e de nos libertar também, porque quando você mostra o seu produto, que você vem para um espaço desse aqui, tem mais conhecimento e troca de experiência com as companheiras que estão aqui, isso muda a sua vida”, refletiu.
Prestação de serviços
Para o também coordenador-geral da feira, o professor licenciado da UFG e vereador licenciado por Goiânia, Edward Madureira, a edição 2026 foi um sucesso e teve três pontos altos: a dupla homenagem às mulheres com o tema “Mulher agricultora: o protagonismo da agricultura familiar é seu” e com o reconhecimento feito pela Câmara Municipal; os serviços agregados pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), que é correalizador da Acof juntamente com a UFG, pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e a Caixa; além do fato de que os expositores puderam receber refeições das cozinhas camponesas do evento.
“As pessoas ficaram muito emocionadas com a homenagem às mulheres”, comentou. Já a mudança do fornecimento da alimentação dos feirantes para as cozinhas camponesas foi boa para todos. Pela qualidade da comida que os agricultores familiares recebem durante o evento e para que os expositores da área de alimentação eh pudessem ter acesso a esse público”.
Sobre a inclusão dos serviços, Edward acredita que tenha sido benéfica para os agricultores familiares que puderam ter acesso a várias soluções. “Eu acho que é um ponto que a gente deve investir mais pra feira, para que além de ser um lugar de comercialização, também possa ser um lugar de serviços para os agricultores familiares”, disse. “Então, já estamos pensando na próxima edição”, finalizou o professor.
Desde o início, a Escola de Agricultura da UFG (EA UFG) é a unidade acadêmica por meio da qual a UFG realiza a Agro Centro-Oeste Familiar. A vice-diretora Francine Calil Neves representou a unidade acadêmica na mesa diretiva do encerramento. Ela falou da alegria de participar do evento que “tem uma importância muito grande para a Escola, a Universidade, para o Estado e para o País e que está maior e mais organizado a cada ano”, comentou.
“Gostaria de agradecer os esforços de todos envolvidos na organização e na participação da feira. É muito bonito estar aqui vendo esse centro de eventos com muitas mulheres, mostrando a força das mulheres na agricultura familiar”, disse Francine.
Muitas mãos
Para que um evento do porte da 23ª Agro Centro-Oeste Familiar ocorra são necessárias muitas mãos. A Universidade Federal de Goiás (UFG), por meio da Escola de Agronomia (EA) e do Programa de Pós-Graduação em Direito Agrário (PPGDA), realiza a feira juntamente com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), tendo a Fundação Rádio e Televisão Educativa e Cultural (Fundação RTVE) como proponente. Somados a eles estão 44 instituições parceiras como sindicatos, federações e movimentos sociais do segmento da agricultura familiar, mais órgãos como o Incra, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Sebrae e a Caixa.
Segundo Graciella Corcioli, mais de 100 alunos da Escola de Agronomia e de outras unidades acadêmicas trabalharam voluntariamente durante todo o ano pela realização e operacionalização dos 3 dias e meio de evento, sob a orientação de professores e técnicos administrativos.
Neste ano, a Acof recebeu expositores de 80 municípios. Sessenta deles dos estados da Região Centro-Oeste e do Distrito Federal, e o restante de estados como Minas Gerais, São Paulo e outros.
Pelo segundo ano consecutivo, o evento se propôs a ser lixo zero. Para isso, contou novamente com a parceria do Ideias Urbanas, instituição responsável pelo gerenciamento de resíduos sólidos. Uma das medidas foi oferecer aos consumidores da praça de alimentação e das cozinhas camponesas pratos, copos e talheres descartáveis feitos de materiais biodegradáveis e compostáveis.
Fonte: Secom UFG
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