Acof comemora 26 anos em defesa da agricultura familiar
Feira segue aberta ao público até 20/6 e espera receber mais de 15 mil visitantes
Texto: Caroline Pires
Fotos: Carlos Siqueira, Evelyn Parreira e Júlia Mariano
Para marcar mais uma vez a força e o potencial da agricultura familiar brasileira, foi aberta na quarta-feira (17/6), a 23ª edição da Agro Centro-Oeste Familiar (Acof 2026), considerada a maior feira da Região Centro-Oeste e uma das maiores do País. Com o objetivo de fortalecer o papel das mulheres neste cenário, a feira deste ano adotou como tema “Mulher agricultora: o protagonismo da agricultura familiar é seu”. As atividades seguem até sábado (20/6) e a expectativa é que mais de 15 mil pessoas passem pelo Centro de Cultura e Eventos Professor Ricardo Freua Bufáiçal, no Campus Samambaia. Durante a abertura do evento, o palco recebeu não apenas autoridades, mas trabalhadores rurais e representantes de movimentos sociais que discursaram em defesa de direitos e de maiores financiamentos governamentais para a agricultura familiar. Confira o álbum de fotos do primeiro dia, da cerimônia de abertura e do segundo dia de Acof.
A reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves, iniciou sua fala dizendo da importância de um evento como esse destacar as lutas e a força das mulheres no campo, especialmente neste momento em que a Universidade tem pela primeira vez duas mulheres ocupando a Reitoria. Ela reforçou o seu orgulho de estar à frente desse evento, “mulheres na agricultura familiar e a sua atuação comprometida são o pilar da segurança alimentar e climática desse País”, frisou. Ela lembrou ainda que, em 2024, a UFG passou a integrar o Grupo de Trabalho de Cooperação Acadêmica que subsidia a Aliança Global de combate à fome e à pobreza, iniciativa do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e que, neste ano o Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição escolar (Cecane), da Faculdade de Nutrição da UFG, recebeu projeção internacional ao ser incluído como referência a plataforma oficial dessa aliança. “Assim como cada agricultora e agricultor familiar é dedicado, tenha a certeza que a UFG é comprometida com a garantia de uma alimentação digna a todos os brasileiros e brasileiras”, finalizou a reitora.
Ao iniciar sua fala de maneira descontraída e reforçando a aproximação entre MDA e UFG, Eric Moura, secretário-executivo da pasta, disse que “estamos competindo com o Ministério da Educação para termos mais projetos com a UFG que eles”, brincou. Em consonância com a temática do evento, ele destacou que pela primeira vez na história à frente do MDA está uma mulher, a ministra Fernanda Machiaveli, e que “quando a política pública chega até as mulheres, a realidade muda”. Segundo ele, uma das principais missões do ministério é sempre garantir o alimento saudável na mesa dos brasileiros e que o governo federal tem trabalhado para garantir que não apenas os grandes produtores, mas especialmente os agricultores familiares tenham acesso aos subsídios governamentais. “E desde já anunciamos que no dia 1º de julho será lançado do novo Plano Safra, que destinará 1,5 bilhão de reais em recursos”, finalizou o secretário-executivo.
Para lembrar que a Agro Centro-Oeste Familiar faz parte da sua vida, o vereador de Goiânia e professor da UFG, Edward Madureira Brasil, recordou de sua criação, em 2000, e a maneira como a feira foi crescendo e se articulando de maneira exemplar. “Esse evento só existe em função dos agricultores e eles são a essência e a razão de existir essa feira. Um outro pilar que temos aqui é a integração institucional que permite ele existir”, afirmou. Segundo ele, com a volta da criação do Ministério do Desenvolvimento Agrário, no ano 2023 a feira ganhou um novo fôlego, para, neste ano, culminar no fato de que “hoje temos aqui 300 produtores e quase 80% são mulheres. A agricultura familiar é de vocês”. O reitor da UFG por três mandatos, ainda destacou o papel do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do Programa Nacional de Formação em Assistência Técnica e Extensão Rural para Assentamentos de Reforma Agrária e Contribuições para Agenda 2030 (ProSemeia), que atende hoje 10 mil famílias que são acompanhadas por 19 instituições de ensino superior em todo o País, “que possamos chegar com esse projeto em cada assentamento desse País e que continuemos a lutar pelo financiamento”, defendeu. Ao finalizar seu discurso ele defendeu que a Acof hoje é bem mais do que um evento, mas uma plataforma para o desenvolvimento da agricultura familiar.
Ao final da solenidade foi entregue o Selo Nacional de Agricultura Familiar - Mulheres Rurais. Além disso, foi feita a entrega simbólica de contratos que beneficiam assentamentos rurais, bem como a assinatura de crédito para instalações e acordo de cooperação técnica para transferências tecnológicas entre instituições, ações concretas que incentivam e oferecem condições para o desenvolvimento da agricultura familiar no estado.
Compuseram a mesa diretiva: reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves; secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Eric Moura; superintendente regional da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em Goiás, Luís Carlos Nascimento; diretor de Desenvolvimento Sustentável do Incra, José Ubiratan Santana; reitor da Universidade Federal de Jataí, Christiano Peres Coelho; pró-reitor de administração do Instituto Federal Goiano, Gilson Dourado da Silva; deputado estadual, Mauro Rubem; chefe adjunta de Transferência de Tecnologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Arroz e Feijão, Aline Pereira de Oliveira; diretora-executiva da Fundação Rádio e Televisão Educativa e Cultural (Fundação RTVE), Silvana Coleta; diretor da Escola de Agronomia da UFG, Cláudio Fernandes Cardoso; reitor da UFG gestão 2006-2010 / 2010-2014 / 2018-2022, vereador por Goiânia e coordenador-geral da Acof 2026, Edward Madureira Brasil; vereadora por Goiânia, Kátia Maria dos Santos; vereador por Goiânia, Fabrício Rosa; secretária de Mulheres da Federação dos Trabalhadores Rurais na Agricultura Familiar do Estado de Goiás (Fetaeg), Ariana dos Santos Sousa; coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) Regional Goiás, Gerailton Ferreira dos Santos; coordenadora de Produção da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Goiás (Fetraf Goiás), Agajoeme Alves Barreto; coordenadora do Movimento Camponês Popular, Mariene Pereira; diretora estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Amélia Franz; representante do Quilombo Chico Muleque, Edesio José Pereira; e representante da comunidade dos Karajá, Joelma Silvéria da Silva Ramos.
Discursos em prol da agricultura familiar
A diretora estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Amélia Franz, afirmou entender que se a Acof “pudesse ser resumida em uma palavra seria 'visibilidade', mesmo diante de todas as dificuldades das políticas públicas, e essa é a prova do que a agricultura familiar consegue fazer”. Já a coordenadora do Movimento Camponês Popular, Mariene Pereira defendeu que esse momento não é apenas a representação de uma instituição, mas é “a reafirmação do nosso compromisso, enquanto agricultores, com alimentos saudáveis e em defesa dos movimentos sociais”. Ao falar em nome da Fetaeg, Ariana Santos afirmou que “a feira é uma resistência porque reforça a presença das mulheres na produção e também em espaços de luta e de direção. Esse espaço fortalece os saberes populares e demonstra a capacidade produtiva da classe trabalhadora”, concluiu.
A vereadora de Goiânia, Kátia Maria dos Santos, iniciou sua fala falando sobre a questão climática e a forma como ela tem sido mais preocupante a cada ano, “aliando uma produção sustentável com o fato de colocar comida de verdade na mesa dos brasileiros, a agricultura familiar e a sua valorização são capazes de movimentar a economia e garantir a saúde do brasileiro”, afirmou. A diretora-executiva da Fundação RTVE, Silvana Coleta, destacou que faz questão de todos os anos colaborar com esse grande evento, “e é uma alegria ver uma mesa diretiva como essa, cada vez mais feminina. Que a Acof e a nossa parceria siga tendo uma vida longa”, finalizou. O vereador por Goiânia, Fabrício Rosa, cumprimentou em especial os expositores da Acof, “estamos com vocês na luta e temos todo o respeito pelo trabalho desenvolvido. Nosso papel é defender o compromisso do nosso governo para levar informações com qualidade e seriedade”. O vereador defendeu ainda que sejam pensadas formas de escoamento de produção, empréstimo facilitado e mais tecnologias alcançando os agricultores familiares.
Em seguida, o deputado estadual Mauro Rubem reconheceu publicamente os movimentos sociais porque há 500 anos lutam para que os brasileiros tenham posse de terras. “Essa luta não vai parar enquanto estivermos vendo latifúndios produzindo com veneno que impacta diretamente a saúde dos brasileiros”, defendeu. O diretor de desenvolvimento sustentável do Incra, José Ubiratan Santana afirmou que o Incra ganhou força com o fortalecimento do MDA. “Hoje cada agricultor produz uma diversidade de alimentos para a cidade. Cada um deles precisa de uma casa digna”, reforçou ele ao defender maiores recursos para garantir condições necessárias para que a agricultura familiar siga crescendo.
Fonte: Secom/UFG
