Abril Indígena celebra diversidade na UFG
Além de celebrar, evento busca reivindicar mudanças e ações de inclusão para os estudantes
Texto: Kharen Stecca
Fotos: Carlos Siqueira
A Universidade Federal de Goiás sedia em 2026 a quarta edição do Abril Indígena. Com o tema “Celebrar, reivindicar, projetar”, o evento que teve início no dia 22 de abril, no auditório da Faculdade de Letras da UFG com uma programação que se estende até o dia 24 de abril, foca em celebrar a presença indígena e reafirmar a luta pelo acesso e permanência plena na universidade. O evento tem promoção da Secretaria de Inclusão da UFG. Confira as fotos do evento.
A mesa diretiva reuniu diversos representantes da luta pela inclusão na universidade e reforçou o compromisso institucional com o tema. A Secretária Adjunta Marcilene Pelegrine Gomes destacou que o Abril Indígena integra o calendário de ações afirmativas desde 2022, celebrando os mais de 700 estudantes de 40 etnias presentes na UFG. Ana Paula Baumann, do Instituto Takinahaky, enfatizou que a presença indígena traz diversidade linguística e cosmológica, sendo um momento não apenas de celebração, mas de luta constante por direitos.
A coordenadora do evento, Marcilene Pelegrine, definiu o propósito do Abril Indígena como um projeto que visa "reunir indígenas e não indígenas nas comemorações e nas proposições alusiva à presença indígena na UFG". Ela destacou o compromisso da equipe de gestão da Secretaria de Inclusão, ela afirmou: "somos poucos, mas somos atentos e atentas e fortes na defesa intransigente da inclusão na UFG". A secretária de inclusão, Jaqueline Araújo, celebrou o "colorido" atual da universidade, ressaltando que as políticas afirmativas estão corrigindo exclusões históricas e garantindo que esses grupos ocupem os lugares que merecem. O professor do Campus Goiás, Hélio Simplício Rodrigues Monteiro apontou que no Campus Goiás 77% dos alunos da Licenciatura em Educação do Campo são indígenas, defendendo que a instituição deve se adaptar a essa realidade.
A reitora da Universidade Federal de Goiás, professora Sandramara Matias Chaves, destacou a importância histórica da instituição como um espaço de inclusão, relembrando sua trajetória desde 2006, quando, como pró-reitora de graduação, sentiu-se incomodada com a predominância de alunos vindos de escolas privadas nos cursos de alta demanda. Essa inquietação, ressaltou a reitora, levou à criação do programa UFGInclui, uma iniciativa pioneira que serviu de base para a Lei de Cotas nacional e que, ao longo dos anos, foi aperfeiçoada para garantir o acesso de estudantes indígenas e quilombolas. Ao celebrar a presença de mais de 500 estudantes indígenas em diversos cursos, a reitora reafirmou o compromisso de sua gestão em avançar nas políticas de permanência, defendendo a ampliação de recursos de Assistência Estudantil e a consolidação de ações que assegurem não apenas o ingresso, mas a diplomação e o protagonismo desses povos na universidade.
O representante da Pró-reitoria de Extensão, Isaac Saraiva, informou sobre a reserva de vagas para o Instituto Takinahaky em editais de bolsas de extensão. A pró-reitora Laura Vilela (PRPG) discutiu a necessidade de desestabilizar lógicas tradicionais na pós-graduação e destacou o novo programa federal de desenvolvimento acadêmico indígena. Maisa Miralva, da PRAE, anunciou que o atendimento aos estudantes indígenas será ampliado para a pós-graduação este mês. A vice-reitora Camila Cardoso Caixeta reafirmou que a universidade diversa é uma potência que transforma a sociedade e não pode retroceder.
Lançamento
Durante a cerimônia, a professora Marilúcia Lago, diretora de Mulheres e Diversidade da Secretaria de Inclusão (SIN-UFG), juntamente com diversas bolsistas apresentou o lançamento da Escola de Formação de Lideranças Femininas Indígenas e Quilombolas. O projeto é um curso de extensão semipresencial, estruturado em quatro módulos que abrangem desde políticas públicas e controle social até direitos trabalhistas e liderança participativa. Com 50 vagas iniciais, a iniciativa busca capacitar mulheres desses grupos para que ocupem espaços de decisão e representação política, combatendo a sub-representação histórica.
A programação cultural teve continuidade com a exibição do curta-metragem "Três Templos", dirigido pelo professor Hélio Simplício. O filme acompanha a trajetória de uma estudante de Licenciatura em Educação do Campo, registrando sua resistência e a finalização de seu ciclo acadêmico após os desafios impostos pela pandemia. Em seguida foi realizada a mesa-redonda "Representatividade Indígena na UFG: diálogo e construção coletiva", que aprofundou o debate sobre as barreiras estruturais e as conquistas dos estudantes dentro da academia.
Mesa-redonda
Na mesa-redonda, o professor Hélio Simplício iniciou as falas denunciando o racismo estrutural que ainda persiste e a necessidade de descolonizar os currículos, afirmando que a universidade precisa aprender com a diversidade dos povos que agora a ocupam. Elina Guajajara relatou sua experiência pessoal na transição para o curso de psicologia, motivada pela falta de profissionais de saúde mental em seus territórios, e destacou a importância do apoio aos novos ingressantes. Samila Caixana trouxe um depoimento sobre as dificuldades financeiras, afirmando que a bolsa permanência atual é insuficiente para o custo de vida em Goiânia e reivindicando suporte real para a moradia estudantil. Encerrando as exposições, Timari Karajá expôs a realidade do Campus Goiás, cobrando as mesmas condições de infraestrutura da capital, como casa de estudante e restaurante universitário completo, essenciais para garantir que o estudante indígena não se sinta apenas um "visitante" na instituição. A mediadora da mesa Marcilene Pelegrini incentivou os estudantes a escreverem uma carta com suas reivindicações como um resultado do evento, para que possa ser encaminhado à gestão da universidade.
Fonte: Secom UFG
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