José César Clímaco é novo professor emérito da UFG
Trajetória é marcada pelo amor à gravura, às artes e ao ato de ensinar
Texto: Caroline Pires
Fotos: Carlos Siqueira
José César Teatini de Souza Clímaco teve a sua trajetória acadêmica honrada com o recebimento do título de professor emérito. Cercado de familiares e da comunidade da Faculdade de Artes Visuais (FAV), a solenidade foi realizada no dia 15/4 e ressaltou a maneira como o docente conseguia equilibrar a sua atuação na área de docência, gestão e pesquisa. José César Teatini foi o primeiro diretor da FAV, quando houve o desmembramento com a Escola de Música e Artes Cênicas (antiga EMAC e atual Escola de Música). Confira o álbum de fotos do evento.
Lembrando sua história e a forma como nunca se afastou da UFG, José César Teatini se formou pela UFG em 1973 no curso de Ciências Sociais mas, apesar de toda a dedicação nessa graduação, retornou à universidade dois anos depois, para o então Instituto de Artes. “Eu, que nunca quis ser professor de Ciências Sociais, me encantei com a possibilidade de ser professor de gravura”, lembrou. Assim, no início da década de 80, ele começou uma profícua produção em prol da arte “eu nunca separei o artista do professor e tudo isso se complementa. E acredito que isso foi porque as Universidades são, sem dúvida, o maior patrimônio do Brasil, pois é aqui que se pensa o desenvolvimento de uma nação. Ser professor na UFG é um privilégio e um compromisso”, defendeu. Ele conta que de maneira concomitante com as atividades de pesquisa e gestão, também atuou junto a Associação dos Docentes da UFG (ADUFG-Sindicato), quando teve a oportunidade de se envolver e conhecer de maneira aprofundada várias áreas da Universidade. Ao assumir a direção da então criada Faculdade de Artes Visuais, ele conta que trabalhou no sentido de fazer com que todos os cursos tivessem a mesma força e que a comunidade se engajasse no registro de suas pesquisas.
A reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves, destacou que a Universidade hoje é altamente dinâmica e estabelece uma relação única com a sociedade, “somos pujante e crescemos exponencialmente e só temos essa força porque somos construída por pessoas que no dia-a-dia fazem essa história”. Destacando Guimarães Rosa ao dizer que aquilo que a vida quer de todos é coragem, a reitora fez um paralelo com a postura de José César diante dos desafios, “a contribuição sua e de pessoas que passaram por essa história é para formar cidadãos que fizeram e farão a diferença na nossa sociedade”. Sandramara Matias Chaves destacou ainda a importância de valorizar a memória de uma instituição e adiantou a expectativa de que o Projeto Memória UFG entreviste mais de 400 pessoas nos próximos anos.

Lembranças e agradecimento permearam o momento da entrega do título de professor emérito
Fazendo uma apresentação histórica sobre a xilogravura, o diretor da Faculdade de Artes Visuais, Flávio Gomes de Oliveira, estabeleceu uma comparação entre o ato de entalhar e o ato de ser professor. “Um docente de sucesso é quem sabe contornar os erros e repensar matrizes. Sem dúvida, José César teve que se reinventar várias vezes para ter toda desenvoltura em sua vida”, afirmou. Segundo ele, são poucos os que conseguem conservar o respeito de todos, “e eu posso afirmar que ele é um exemplo de equilíbrio. Para ser professor emérito, José César gravou muitos estudantes com sua ética, respeito e capacidade de se manifestar sempre que é necessário. Obrigado por ser esse exemplo”, afirmou.
Saudando o homenageado, a professora Eliane Chaud lembrou que está na UFG há 30 anos, e que José César esteve na sua banca de concurso. “Fazer esse discurso por um lado é fácil, graças a sua participação e atividade, mas por outro lado é muito difícil achar palavras adequadas para expressar esse momento", iniciou sua fala. Ela compartilhou detalhes da história do professor, que ingressou na UFG como estudante em 1960 e que em 1981 ele se tornou docente efetivo, trabalhando na universidade por 38, em uma dedicação que passou do ensino e alcançou também na pesquisa e na gestão. “Colega, professor, artista e gestor. Admiro por ter conseguido conciliar todas essas vertentes. Eu tive a alegria de conviver com alguém com uma simpatia única. Gravar é sua vocação, então grave hoje em seu coração nosso respeito”, finalizou.
Adriana Mendonça, também docente da FAV, compartilhou que o professor é alguém sempre inquieto e que quer aprender para ensinar. Segundo ela, essa é uma e que essa atitude é algo que ela tenta reproduzir “conjugando a sabedoria das técnicas com a gravura, tudo que fez é permeado pelo pensamento filosófico e poético do mundo. Ele se dedicou à formação de artistas e estimulou a exploração do mundo sensível”, afirmou. Ao final da cerimônia, ela entregou uma obra de arte em homenagem ao professor emérito.

José César Teatini atuou com docente da UFG por 38 anos

José César Teatini foi o primeiro diretor da Faculdade de Artes Visuais da UFG

Mesa diretiva da cerimônia com o homenageado
Fonte: Secom UFG
