Curso de Jornalismo da UFG comemora 60 anos
O evento contou com palestra e anúncio de projetos que vão manter vivo o legado do curso
Texto: Ana Beatriz Santiago
Fotos: Lucas Yuji
A Faculdade de Informação e Comunicação (FIC/UFG) deu início às comemorações dos 60 anos de seu curso de jornalismo. O evento, realizado nesta terça-feira, (07/04), data em que se comemora o Dia do Jornalista, e reuniu no auditório autoridades acadêmicas, egressos de destaque, estudantes e representantes de entidades de classe para lançar um projeto que se estenderá até 2027. O evento de abertura também contou com a apresentação do grupo de choro Ponta de Lança da Escola de Música (EM/UFG) e uma palestra da jornalista Olga Curado. Confira o álbum de fotos.
A coordenadora do curso e do projeto, professora Solange Franco, apresentou um plano abrangente de resgate histórico que inclui a criação de um repositório digital e inventários que vão reunir as memórias do curso. Para Solange, a iniciativa busca "resgatar e analisar a memória cultural e histórica do curso de jornalismo da UFG, sua importância e impacto social". A professora destacou ainda o apoio de parceiros como a TV Brasil Central e o Grupo Jaime Câmara para a construção desse acervo. "A gente precisa resgatar essa história" , enfatizou a coordenadora.
A atual reitora da UFG, professora Sandramara Matias Chaves, prestou homenagens aos pioneiros que enfrentaram desafios estruturais para consolidar o curso. "Ao comemorar 60 anos, reconhece-se o papel e a importância daqueles que fizeram parte dessa história e dessa trajetória", declarou a reitora, reforçando que o curso é hoje um "expoente na formação de jornalistas que ocupam espaços no cenário goiano, nacional e internacional".
A reitora da UFG, na gestão 2022 a 2025 e professora do curso, Angelita Pereira de Lima, destacou a relevância da instituição para a manutenção do Estado Democrático de Direito. Para ela, o jornalismo vive um momento de reafirmação após um período de descrédito causado por desinformação. "Descobriu-se que a instituição que garante investigação, que garante legitimidade à informação é a instituição que pode proteger a cidadania e a democracia", afirmou. Ela também chamou a atenção para a necessidade de descentralizar a formação e a produção de notícias no estado para combater os "vazios de informação" no interior.
O diretor da FIC, Daniel Christino, lembrou que o jornalismo é o alicerce da unidade acadêmica. "Tudo nasce exatamente do esforço institucionalizado da comunicação que é assim concretizado na figura do jornalismo" , observou. A visão foi compartilhada pela vereadora Kátia Maria, que contribuiu com emendas parlamentares para o projeto, destacando que "a comunicação séria salva a democracia e salva vidas".
Solange Franco, coordenadora do curso de Jornalismo, mostrou em entrevista ao Jornal UFG a visão do futuro: “São anos de reflexão e de adaptação às mudanças que estão sendo impostas à sociedade. Nos últimos anos, tivemos grandes transformações.” A coordenadora cita novos desafios na área, como lidar com o rápido consumo de informações, as mudanças no funcionamento dos veículos de comunicação, as redes sociais, além de inteligências artificiais e os avanços da tecnologia. “Não só adaptar-se ao que o mercado cobra e ao que o mercado está fazendo, mas refletir criticamente, analisar e apontar rumos. Acredito que a universidade é esse caminho, o espaço ideal para essa discussão”.

Daniel Christino, diretor da FIC, e Solange Franco, coordenadora do curso de Jornalismo
Mudanças no Jornalismo
A coordenadora do evento Solange Franco, atual coordenadora do curso de Jornalismo ressaltou os principais desafios da profissão ao longo destes 60 anos. “São anos de reflexão e de adaptação às mudanças que estão sendo impostas à sociedade. Nos últimos anos, tivemos grandes transformações”, explicou. A coordenadora cita novos desafios na área, como lidar com o rápido consumo de informações, as mudanças no funcionamento dos veículos de comunicação, as redes sociais, além de inteligências artificiais e os avanços da tecnologia. “Não só adaptar-se ao que o mercado cobra e ao que o mercado está fazendo, mas refletir criticamente, analisar e apontar rumos. Acredito que a universidade é esse caminho, o espaço ideal para essa discussão”, avaliou.

Olga Curado é egressa do curso de jornalismo da UFG e referência nacional na área
Uma história de responsabilidade com a apuração dos fatos
A palestrante do evento, a jornalista Olga Curado é egressa do curso de Jornalismo da UFG. Atualmente Olga também é escritora e dirigente da Curado Comunicação, empresa voltada à consultoria e formação de lideranças. Na palestra intitulada "O curso, a carreira e a minha vida como jornalista na luta por um trabalho ético e democrático", a palestrante contou um pouco de sua trajetória no jornalismo político, usando como referência os acontecimentos históricos e políticos do Brasil passando pela redemocratização, as primeiras eleições diretas até os dias atuais.
Ela ressaltou o quanto estar em veículos da grande imprensa exigiram dela, como profissional, responsabilidade e critério na apuração dos fatos. Olga passou por cargos de liderança em diversos veículos como o Grupo Globo e Estado de São Paulo. Além disso, integrou equipes de assessoria para figuras políticas como os presidentes Luiz Inácio Lula da Lula e Dilma Rousseff. Para os futuros jornalistas, ela deu conselhos sobre a profissão, para que busquem um ritmo saudável de trabalho.
Programação coletiva
Para comemorar a data, várias ações estão em andamento como a elaboração do acervo e do repositório digital para preservar o patrimônio material e imaterial do curso; inventário dos egressos, de professores, dos projetos pedagógicos e documentos; além de levantamentos numéricos e outros indicadores para subsidiar pesquisas e servir de referência do curso. Também estão previstas homenagens, gravação de depoimentos que vão integrar o Memorial do Jornalismo, exposições e publicações.
História
O curso de Jornalismo da UFG é o mais antigo de Goiás e, por mais de três décadas, foi o único a formar os profissionais que atuaram e atuam no Estado. Considerado um marco para a profissionalização da imprensa, contribuiu em grande medida para o desenvolvimento dos veículos de comunicação e um espaço de fomento aos direitos constitucionais, à plena cidadania, à liberdade de expressão e aos ideais democráticos.
A criação do curso de graduação representou o êxito de uma longa trajetória de luta empreendida com obstinação por indivíduos e entidades sociais. O sonho iniciado nos idos dos anos de 1930 pela Associação Goiana de Imprensa (AGI), encontrou mais tarde ressonância e apoio na recém-criada Universidade Federal de Goiás, conseguindo finalmente êxito, justamente em um momento de extrema excepcionalidade política.
O então curso de Comunicação Social Habilitação em Jornalismo foi criado em 30 de setembro de 1966; a primeira turma só ingressaria dois anos depois, prazo em que se organizou a estrutura mínima de funcionamento, o projeto pedagógico, alguns professores e se realizou o primeiro vestibular com 30 vagas, 80 candidatos e 30 classificados. Naquela época, apenas nove fizeram matrícula e, destes, somente quatro colaram grau em 1971.
Ao longo desse tempo, o curso se consolidou como referência na graduação em Goiás e no país. Há anos conquistou e mantém a nota máxima no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e segue nos princípios da UFG, uma universidade pública e gratuita, o conceito de excelência acadêmica junto ao Ministério da Educação (MEC), e que integra a lista das 3% melhores universidades do Brasil.

Auditório fico repleto de jornalistas e estudantes que foram formados na FIC

Grupo de choro Ponta de Lança da Escola de Música (EM/UFG)

Mesa diretiva enalteceu a trajetória do curso e de todos os jornalistas já formados na UFG
Fonte: Secom, com informações da Assessoria de Comunicação da FIC/UFG
