Lançamento campanha ufg pela vida de todas

Universidade lança campanha UFG pela Vida de Todas

Em 10/03/26 08:44.

Evento apresentou ações e posicionamento da instituição no combate a violência de gênero

Texto: Kharen Stecca

Fotos: Júlia Mariano

A Universidade Federal de Goiás (UFG) lançou no dia 9 de março de 2026 a campanha “UFG pela Vida de Todas”, em uma cerimônia realizada no Centro de Eventos do Campus Samambaia. O evento marcou o início de uma mobilização permanente contra a violência de gênero e o feminicídio, sendo simbolicamente conduzida por uma mesa diretiva composta exclusivamente por mulheres, representando a atual gestão da universidade. A abertura do evento foi feita com intervenções artísticas de mulheres: Estefânia Farias com um apresentação de voz e violão, a estudante Fernanda Lustosa que declamou "Vozes Mulheres", de Conceição Evaristo; a estudante quilombola Vanessa Alves Pereira que apresentou "A Justiça pela Mão", de Rosalia de Castro; e houve ainda uma leitura poética por Eline Guajajara ressaltando a resistência de diversas etnias indígenas. Confira o álbum de fotos do evento.

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Eline Guajajara durante intervenção artística no evento

 

A secretária de Inclusão da UFG, Jaqueline Araújo, apresentou dados alarmantes para contextualizar a urgência da campanha. Ela destacou que, em 2025, o Brasil registrou 1.568 feminicídios, o que significa que quatro mulheres foram assassinadas diariamente por motivação de gênero, sendo que 62,6% das vítimas eram mulheres negras. Jaqueline também trouxe dados globais da ONU, indicando que uma mulher é morta a cada 10 minutos no mundo por familiares ou parceiros. Além da violência letal, a secretária pontuou o crescimento da violência psicológica online e do stalking, que atingiu 8,5 milhões de brasileiras no último ano, além de ressaltar que o Brasil permanece como o país que mais mata pessoas trans no mundo. Ela ressaltou que a data não deve ser marcada por "doces homenagens", mas sim por posicionamento e luta pelos direitos que são reiteradamente negados às mulheres.

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Secretária de Inclusão, Jaqueline Araújo

 

A ex-reitora da UFG, professora Angelita Pereira de Lima, relembrou a trajetória histórica do combate à violência contra a mulher, citando que a primeira dissertação sobre o tema na universidade foi de sua autoria, em 1999. Ela enfatizou que o enfrentamento ao feminicídio é, primordialmente, uma responsabilidade dos homens, por serem eles os principais agressores. Angelita celebrou o fato de que, pela primeira vez, o combate à violência de gênero tornou-se uma agenda central do Estado Brasileiro, por meio de um pacto entre os três poderes, e mencionou a condenação dos assassinos de Marielle Franco como um marco civilizatório recente. A ex-reitora que é membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o Conselhão, destacou que o conselho auxiliou o país para que o combate à violência contra a mulher se tornasse, de forma inédita, uma agenda central do Estado Brasileiro. O Conselho, segundo Angelita, foi o responsável por elaborar parte das propostas que estão sendo implementadas no pacto de enfrentamento ao feminicídio em diversos municípios brasileiros.

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Ex-reitora da UFG, Angelita Pereira de Lima

 

A pró-reitora de Assuntos Estudantis, Maísa Miralva da Silva em sua fala, denunciou a misoginia estrutural e institucional que gera preconceito e violência, utilizando a simbologia da cor lilás — resultado da mistura entre o azul e o rosa — para enfatizar que a busca pela igualdade de gênero é uma responsabilidade coletiva que deve incluir o engajamento dos homens. Maísa recorreu ao pensamento de Bell hooks para afirmar que a academia, ao produzir conhecimento, pode pavimentar a construção de uma sociedade melhor, conclamando todos a transformarem a campanha em uma luta diária contra o feminicídio e as desigualdades. Ela encerrou reafirmando o orgulho da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (Prae) em caminhar junto à Secretaria de Inclusão (SIN) em ações estruturantes sob a liderança da reitoria.

A vice-reitora Camila Cardoso Caixeta destacou os desafios de uma gestão liderada por duas mulheres e a importância de enfrentar a violência no cotidiano e nas relações interpessoais. Ela defendeu que a universidade deve se instrumentalizar para acolher as mulheres que sofrem e ressaltou o papel da educação na desconstrução da cultura do machismo desde a infância. Camila reforçou que as ações da campanha não serão pontuais, mas se estenderão por todos os meses e anos da gestão.

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A reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves convocou toda a comunidade, especialmente os homens a encamparem a luta por um ambiente justo e seguro para as mulheres

 

A reitora Sandramara Matias Chaves encerrou os discursos reafirmando o compromisso da UFG em ser protagonista na transformação social. Ela revelou que, mesmo após eleita, ouviu sugestões de que deveria ter homens em sua equipe para "fortalecê-la", o que reforça a necessidade de combater a misoginia institucional. Sandramara frisou que, mais do que "flores ou parabéns" pelo Dia da Mulher, a sociedade necessita de atitudes e políticas públicas concretas. Ela convocou toda a comunidade acadêmica, especialmente os homens, a encamparem essa luta para que a universidade seja um ambiente seguro e justo para todas as mulheres.

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Mesa simbólica do evento foi formada exclusivamente por mulheres

Banco Vermelho: um símbolo de alerta

Um dos marcos centrais da cerimônia foi o descerramento do primeiro Banco Vermelho da UFG. Inspirado em um movimento internacional, o banco pintado de vermelho serve como um memorial para as vítimas de feminicídio e um lembrete constante de que a violência não deve ser normalizada. A implementação dessa intervenção artística faz parte de uma ação nacional coordenada de forma interministerial entre a Andifes, o Ministério das Mulheres e o Ministério da Educação. O monumento instalado na entrada do Centro de Eventos possui placas com canais de denúncia e informações de ajuda. Além deste, a universidade planeja instalar outros bancos em todos os campus, incluindo um banco gigante próximo ao Restaurante Universitário (RU) do Campus Samambaia, local de grande circulação, para garantir que a mensagem de conscientização alcance toda a comunidade.

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Banco Vermelho é uma ação nacional que será replicada por todo o país

 

Ações permanentes e programação de março

A campanha prevê uma série de atividades ao longo do mês, com destaque para o dia 24 de março, quando a UFG receberá a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, para o lançamento de novas ações. Entre as medidas concretas anunciadas estão a criação da Ouvidoria da Mulher, que contará com uma "Sala Lilás" para atendimento humanizado e sigiloso, e a implementação de um "botão de pânico" no aplicativo Minha UFG, permitindo que a equipe de segurança localize e auxilie imediatamente mulheres em situação de risco dentro dos campus. Outras iniciativas incluem o Observatório da Mulher, para monitorar pesquisas sobre gênero, e rodas de conversa no Museu Antropológico focadas na violência contra mulheres indígenas.

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Estefânia Farias foi uma das atrações culturais do evento

 

Fonte: Secom UFG

Categorias: Notícias Reitoria SIN