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EVZ tem dia D de vacinação antirrábica

Em 30/05/22 18:10. Atualizada em 31/05/22 09:11.

Iniciativa faz parte da retomada das atividades presenciais na UFG

Texto: Luciana Santal

Fotos: Andréia Barra

 

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No último sábado, 28 de maio, tutores de cães e gatos puderam levar seus animais para receber a dose anual da vacina antirrábica. É que a Universidade Federal de Goiás (UFG), por meio da Escola de Veterinária e Zootecnia (EVZ), realizou, em parceria com o Centro de Zoonoses de Goiânia, o dia D de vacinação para atender, principalmente, os moradores que vivem próximos ao Câmpus Samambaia. Há dois meses, o Centro de Zoonoses foi notificado sobre o caso de um gato infectado pelo vírus da raiva a dois quilômetros do Câmpus Samambaia e a UFG, na retomada das atividades presenciais na universidade, aproveitou o momento para desenvolver a ação junto à população circunvizinha. Para aqueles que não conseguiram levar seus animais, a notícia boa é que o Posto de Vacinação da EVZ realiza a aplicação da vacina antirrábica durante todo o ano, desde o final de 2019.

É o que explica o coordenador do Posto de Vacinação, Álvaro Ferreira Júnior: "Antes da pandemia, fizemos uma parceria entre a universidade e a prefeitura para ter um segundo posto de vacinação permanente na cidade, o outro está localizado na Unidade de Vigilância em Zoonoses (UVZ). Aqui, o atendimento é realizado de segunda à sexta-feira, das 8h às 17h, sem necessidade de agendamento e de forma gratuita". A expectativa dos organizadores do dia D era a de vacinar cerca de 200 animais, mas felizmente os números foram superiores ao que se esperava: 470 cães e 130 gatos foram vacinados.

equipe vacinação antirrábica EVZ e SMS
(da esq. p/a direita) Álvaro Ferreira, Murillo Reis, Clorinda Fioravanti, Angelita Lima, Isadora Araújo e Luana Ribeiro representam parceria entre UFG e SMS no dia D 

 

A campanha municipal de imunização de cães e gatos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) será realizada nos sábados do mês de setembro, a cada fim de semana serão atendidos dois distritos sanitários da capital. "Nós resolvemos fazer hoje, no dia D, uma intensificação de vacinação para ampliar a cobertura vacinal dos animais da região norte de Goiânia, nas proximidades do Câmpus Samambaia. Sabemos que o vírus está circulando nesse local devido ao caso do gato infectado. Esse fato alertou para a importância de manter os animais domésticos imunizados. Na campanha do ano passado, conseguimos vacinar mais de 130 mil animais e o posto de vacinação permanente, durante esse ano, já vacinou mais de 2 mil animais. Nós fornecemos os insumos e a EVZ disponibiliza os médicos veterinários residentes e os alunos de graduação e pós-graduação para aplicar a vacina", informou o diretor de Vigilância em Zoonozes de Goiânia, Murilo Reis, também egresso da EVZ. 

O gato em questão foi infectado com o Lyssavirus, que é transmitido pelo morcego que, quando está doente, aparece durante o dia e no chão. A suspeita é a de que se tratava de um gato de rua que caçou o morcego numa tentativa de se alimentar e foi mordido. O gato foi resgatado das ruas e, durante as manobras de resgate, mordeu duas pessoas e depois ainda mordeu a médica veterinária que o atendia em uma clínica. Elas receberam o atendimento necessário nesses casos. "A raiva que esse morcego transmite é do tipo paralítica: não tem a fase agressiva que a gente conhece, o cachorro bravo, mordendo, avançando, salivando. Ela já passa direto para a fase de paralisia, o animal vai perdendo a capacidade de movimento, dificuldade de respiração, até morrer. Do início do sinal clínico até a morte é um período de até 10 dias. A raiva furiosa foi erradicada no Brasil a partir das campanhas de vacinação anuais, mas agora está surgindo essa raiva dos animais silvestres e é mais comum encontrar morcegos nessa região próxima a reservas", destacou o professor Álvaro.

Os morcegos podem voar até 15km e se estiverem infectados, eles vão morrer também, mas antes caem no chão e podem transmitir o vírus por meio da mordida, já que a saliva é o principal vetor de transmissão. A recomendação do professor é que, caso apareça um morcego caído no quintal ou sacada do apartamento, é preciso afastar o animal de estimação para evitar que ele chegue perto do morcego. Depois, entrar em contato com o Centro de Zoonoses, que tem uma equipe de plantão para recolher esse animal, que será eutanasiado de forma humanitária e examinado para verificar a presença ou não do vírus da raiva. "Se for confirmado, eles já seguem toda uma conduta de saúde pública para a família tutora e fazem uma vacinação de bloqueio na região para proteger os outros animais, porque o morcego pode transmitir o vírus para qualquer mamífero", acrescentou.

Extensão e Curricularização

A diretora da EVZ, Maria Clorinda Soares Fioravanti, contou que o Centro de Zoonoses procurou a direção da escola para instalar, em forma de parceria, um posto permanente de vacinação na EVZ. Ela explicou que a raiva é uma doença neurológica que afeta todos os mamíferos, desde cães e gatos, como suínos, bovinos e também o ser humano. Uma vez que desenvolve os sintomas, o infectado morre em até dez dias. "A vacinação é a única maneira de proteger o animal e também a família que cuida desse animal. A raiva urbana, transmitida pelos cães, já foi controlada, mas isso não é possível no caso da raiva transmitida pelo morcego. Por isso, é tão importante a existência desse posto de vacinação", defendeu Maria Clorinda. 

O professor Álvaro reitera a importância da iniciativa. "Esse projeto vai atender também a curricularização da extensão do curso de Veterinária. Hoje, temos alunos do mestrado e da graduação trabalhando, ele consegue integrar bastante. Inicialmente, o objetivo do projeto é fornecer a vacina antirrábica o ano todo para imunizar cães e gatos para a gente evitar termos aqui episódios de raiva. Mas também visa atender o programa de residência e fortalecer a relação entre o curso de Veterinária e a saúde pública. O ano passado a gente vacinou 702 animais, durante a pandemia", ressaltou. 

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A diretora explica que a Escola de Veterinária já tem muitos projetos de extensão em andamento, e que agora é preciso curricularizar. "Isso significa que as horas de atividades que o estudante vai desenvolver serão pontuadas e devem constar no currículo. O MEC exige que 10% da carga horária do estudante de graduação deve acontecer em atividades de extensão. Um dos projetos que são passíveis e que vão ser utilizados para a curricularização é o Posto de Vacinação. Ele é um projeto de extensão que envolve a participação de estudantes da graduação, da residência e da pós-graduação. É por excelência o que a gente entende por extensão, é a universidade prestando serviço para a comunidade", enaltece a professora.

Fonte: Secom

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