Filme "De onde viemos, para onde vamos" (1)

Filme goiano é vencedor em 2 categorias no Festival de Brasília

Em 31/12/21 12:44. Atualizada em 05/01/22 09:27.

Pesquisador recebe troféu por melhor som e diretora, egressa da UFG, por temática afirmativa

Filme "De onde viemos, para onde vamos" (1)
Longa discute a resistência da cultura tradicional do povo Iny

 

Texto: Versanna Carvalho

Fotos: divulgação

O filme "De onde viemos, para onde vamos" recebeu dois prêmios no 54º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, realizado de 7 a 14 de dezembro de 2021. O longa foi contemplado com o troféu Candango de melhor som, para o pesquisador do Centro Regional para o Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da Universidade Federal de Goiás (CRTI/UFG), Paulo Roberto Gonçalves da Silva, e melhor filme com temática afirmativa, para a diretora do longa e egressa da UFG, Rochane Torres. A produção ainda recebeu menção honrosa do júri da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).

"É uma honra o filme ter sido selecionado e ficado entre os 6 de 160 longas. Mas honra ainda é ter recebido dois prêmios e uma menção honrosa da Abraccine", afirma a diretora do longa, Rochane Torres. A cineasta observa que o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro "é o mais importante festival do Brasil. Fez e faz história do cinema brasileiro, com seu primor ao fazer e discutir cinema. Hoje ele é patrimônio cultural do Brasil", ressalta.

Filme "De onde viemos, para onde vamos" (2) - foto da diretora
Rochane Torres: honrada com os 2 Candangos e a menção honrosa da Abraccine

 

Paulo Gonçalves também falou sobre a emoção de ser premiado. ​​"Nós já ficamos muito felizes com a seleção do filme para a mostra competitiva do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Foi o primeiro filme goiano a ser selecionado nestes 54 anos de festival, e nos sentimos gratificados em poder representar o querido estado de Goiás. É ainda mais honroso e estimulante receber um prêmio de um festival de cinema tão importante, neste momento tão difícil para a cultura brasileira como um todo, e em particular para o cinema, que é uma arte extremamente dependente de recursos financeiros e de um ambiente adequado para a sua produção e distribuição. Pessoalmente, é uma recompensa por vários anos de trabalho com o cinema independente e um grande estímulo para seguir em frente, mas vale lembrar que, no cinema, as conquistas são sempre coletivas".

Rochane explica que “De onde viemos, para onde vamos” discute a resistência da cultura tradicional do povo Iny (autodenominação do povo karajá), a incorporação da cultura branca e a perda de identidade entre os jovens Inys. A diretora também dirigiu A filha do Xingu (2018), Aquelas ondas (2017), Silêncio não se escuta (2016), Morte na madrugada (2015), Lady Francisco: De boate de quinta a palcos reluzentes (2013), Lembranças esquecidas (2011), Concerto de separação (2010), Resto de sabão (2006), Os que passam correndo (2008) e Antropofagia (2002). "A edição deste ano trouxe uma homenagem e retrospectiva dos importantes filmes e personalidades do cinema brasileiro. "Tem um compromisso com o cinema e com a história do cinema brasileiro, ser selecionada e premiada nesse festival é uma honra", comenta Rochane.

 

Filme "De onde viemos, para onde vamos" (3) - foto de Paulo Gonçalves
Paulo começou a estudar o som e estrutura espectral no IF UFG nos anos 1990

 

Finais de semana

Perguntado sobre como concilia o trabalho acadêmico no CRTI com o cinematográfico, Paulo Gonçalves afirma que conseguiu estabelecer uma relação entre as duas atividades. "Meu trabalho no CRTI consiste em dar suporte analítico a pesquisas em diferentes áreas do conhecimento. É um trabalho apaixonante, mas que requer muita dedicação. Para poder trabalhar também com a produção cinematográfica, é necessário empenhar muitas horas de trabalho à noite e aos fins de semana", diz.

"Curiosamente, foi enquanto estudante do Instituto de Física da UFG nos anos 1990 que comecei a estudar o som e sua estrutura espectral, com o auxílio de um osciloscópio digital e de um amplificador analógico. Posteriormente, no início dos anos 2000, eu faria meu mestrado na UnB [Universidade de Brasília], na área de computação sônica e orientado pelo professor Aluizio Arcela, então meus interesses pela ciência e pelos aspectos técnicos e estéticos do som no audiovisual sempre estiveram imbricados e eu tive de trabalhar ativamente para que as atividades acadêmicas e artísticas não se tornassem conflitantes".

Paixão de cinéfilo

Paulo também conta como começou a trabalhar com cinema, que sempre o fascinou. "Graças aos cineclubes de Goiânia e ao Cine Cultura, tive acesso a grandes obras do cinema nacional e mundial, que não eram exibidas nos cinemas convencionais. A paixão de cinéfilo trouxe-me a ideia de trabalhar com a produção cinematográfica, ainda como um sonho distante, pois não havia cursos de cinema em Goiânia".

Naquela época, o hoje ganhador do Candango de melhor som, começou a estudar como autodidata os aspectos históricos, técnicos e estéticos do cinema, e a adquirir a formação técnica necessária para começar a se aventurar em trabalhos profissionais.

"No ano de 2001, fiz a edição do documentário "A festa de Oxossi", de Juliano Basso, e passei a fazer trabalhos profissionais como câmera e edição. Em 2008, fiz a edição e o desenho de som do filme "Os que passam correndo" de Rochane Torres, um filme experimental baseado em um conto de Franz Kafka. Este filme começou uma parceria que perdura até hoje: fizemos vários curta-metragens juntos, e "De onde viemos, para onde vamos" é o primeiro longa-metragem que produzimos", recorda-se.

Sobre o filme

De acordo com a sinopse de "De onde viemos, para onde vamos" obtida no canal do YouTube do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o filme de 98 minutos, fala sobre "conflito de identidade, perda das formas tradicionais de vida e resistência. O passado e o presente nas experiências atuais. Documentário sobre o povo Iny, que vive na Aldeia de Santa Isabel do Morro, na Ilha do Bananal, Tocantins. Sentidos e tensões entre o resgate das tradições originárias dos líderes e anciãos e a incorporação da cultura branca pelos jovens indígenas. Processos de experiências e memórias: desalentos e resistência no enfrentamento da identidade Iny. Delicado registro de diferentes olhares imagéticos no entrelaçamento entre cineasta indígena e diretora do filme".

"De onde viemos, para onde vamos"

Direção: Rochane Torres

Documentário, 98 min, 2021, Goiás

Não recomendado para menores de 12 anos

Clique aqui para assistir ao trailer de "De onde viemos, para onde vamos".

Ficha técnica

Direção: Rochane Torres

Produção executiva: Juliana de Castro

Produção: Denir Calassara

Produção local: Curerrete Waritirre

Roteiro: Rochane Torres

Argumento: Renata Torres

Direção de fotografia: Paulo Rezende (colaboração: Rafael Siriguela e Juanahu Karaja)

Trilha sonora: Paulo Gonçalves

Música Original: Juanahu Karajá (assistentes: Hugo Rezende, Ítalo Lopes, Dilmar Fernandes Lopes)

Mixagem: Paulo Gonçalves

Som direto: Alexandre Rodrigues 

Tradução: Idjaruma Kamaiura Karajá e Eudo Araújo Júnior

Montagem: Rochane Torres

Elenco/participação especial: Juanahu Karajá, Curerrete Waritirre, Haribedu Karajá, Marcia Mytara Karajá, Narubia Werreria e Sakrowe Karajá

 

Fonte: Secom UFG

Categorias: Notícias Orgulho de ser UFG CRTI