Pedro Baby (Foto: Nando Chagas)

Pedro Baby leva voz, violão e sensibilidade ao Música no Câmpus

Em 28/07/21 01:09. Atualizada em 28/07/21 01:17.

Espetáculo intimista do artista teve composições feitas em parceria com grandes nomes da MPB

Pedro Baby (Foto: Nando Chagas)
"Velha infância" e "Vilarejo" estão entre os sucessos de Pedro Baby (Foto: Nando Chagas)

 

Texto: Versanna Carvalho

A apresentação de Pedro Baby para o segundo show da temporada 2021 do Música no Câmpus cumpriu com o que ele havia prometido em entrevistas concedidas aos veículos de comunicação da Universidade Federal de Goiás (UFG) antes do espetáculo. Uma apresentação intimista, voz e violão, luz baixa e acolhedora. "Tentando mostrar para as pessoas como é que a gente toca violão em casa", disse.

O artista selecionou 12 músicas entre composições próprias em parceria com grandes nomes da música brasileira como Marisa Monte e Arnaldo Antunes, sucessos dos Novos Baianos, e dos seus pais Baby do Brasil e Pepeu Gomes. Antes de cada canção, Pedro falava dos parceiros de composição e contava um pouco do processo de criação. A primeira música do show foi "Pra matar meu coração", uma parceria com Daniel Jobim, neto de Tom Jobim, gravada por Maria Rita em 2011, no álbum Elo. 

Atencioso, Pedro Baby fez questão de dizer, no início e no final do espetáculo, que esta é a sua quarta participação no Projeto Música no Câmpus. Ele conta que as anteriores, antes da pandemia, foram presenciais. O início da sua história com o Música no Câmpus foi em 2012 como parte da banda que acompanhou Gal Costa no show "Recanto ao vivo". A segunda vez foi em junho de 2013, dirigindo a mãe, Baby do Brasil, na turnê "Baby Sucessos". "Depois, em 2015, eu fui novamente convidado pela Universidade. Eu fiz um show mostrando o meu trabalho, com convidados que eram o meu pai, Pepeu Gomes, Jorginho Gomes, e Dadi, dos Novos Baianos".

Tribalistas

Compositor de vários sucessos dos Tribalistas, Pedro Baby cantou "Fora da memória", em parceria com Arnaldo Antunes, Marisa Monte, Pretinho da Serrinha e Carlinhos Brown, faz parte do segundo álbum dos Tribalistas (Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown), lançado em 2017. 

"Essa próxima música se chama "Beija". Foi o primeiro single do meu trabalho, que lancei em 2015, uma parceria com Arnaldo Antunes, de novo, e o meu primo Betão Aguiar, filho de Paulinho Boca de Cantor, dos Novos Baianos, e Marilinha", anuncia.

Ao falar sobre "Aliança", do segundo álbum dos Tribalistas, Pedro Baby mostra como às vezes uma música surge em momentos mais inusitados, toma corpo e acaba fazendo parte de grandes projetos. Segundo o artista, já havia uma ideia inicial da melodia, que ele fez em homenagem a sua avó quando a mostrou ao Pretinho da Serrinha, no saguão de um hotel em Lisboa (Portugal), durante uma turnê da Marisa Monte.

"A gente ia pegar uma van e seguir para o Porto. A música começou a ser feita na van. Até chegar no Porto, boa parte da música já estava feita. Quando a gente se encontrou com os Tribalistas em Salvador (BA), após um show da Marisa na Concha Acústica, apresentamos a ideia, e essa música ganhou vida com os versos maravilhosos de Arnaldo Antunes".

Novos Baianos

Além de composições próprias, Pedro Baby, interpretou músicas de grandes nomes da música popular brasileira, e, ao mesmo tempo, figuras com as quais conviveu desde antes de nascer. Uma delas é "Eu sou o caso deles", de Moraes Moreira e Galvão, dos Novos Baianos. 

Antes de cantar "Mistério do planeta", também uma dobradinha de Moraes Moreira e Galvão, dos Novos Baianos, Pedro disse que talvez seja a sua música preferida da banda. "Acho que muita gente concorda comigo. É uma música muito forte, que atravessa gerações e eu tenho o maior orgulho de tocar", explica. 

De volta ao repertório autoral, o cantor e compositor, apresentou "Bora lá", uma parceria com Edu Krieger. O samba "Centro da Saudade" tem melodia de Davi Moraes e Pedro Baby, com letra de Carlinhos Brown, que faz parte do álbum de 2010, Diminuto, de Brown.

Baby e Pepeu / Pepeu e Baby

Os pais de Pedro Baby, Baby do Brasil e Pepeu Gomes, também foram homenageados durante o show para o Música no Câmpus UFG. "Esta é minha homenagem para minha querida mãe, Baby. Essa é uma música que ela conta que estava na pedra do Arpoador [Rio de Janeiro, RJ] e viu um homem na asa delta tendo dificuldades para pousar. De repente essa música veio pra ela. Eu acho uma canção linda. Uma das favoritas de tantas que ela escreveu, com todos os seus parceiros, com o meu pai, com o Jorginho Gomes, tanta gente bacana que ela escreveu música, e eu escolhi esta aqui ["Um auê com você", Canceriana telúrica, 1981] para homenageá-la", afirma.

A música do pai escolhida para o show foi "Deusa do amor", do disco Masculino e Feminino de 1983. "Eu nunca cantei essa música que eu escolhi para cantar agora. Eu estava com vontade de fazer uma homenagem para o meu pai, fiquei pensando, pois são tantas músicas que eu gosto dele, e resolvi me colocar na situação de escolher uma que nunca cantei, mas é uma música que eu acho linda e é um dos grandes sucessos da carreira dele. É uma parceria do meu pai com a minha mãe", contextualiza o artista.

Cantando de casa

Já caminhando para o encerramento da apresentação, e antes de dizer qual seria a próxima música do show, Pedro pediu que o público o acompanhasse e cantasse de casa. Com certeza ele foi atendido. O cantor interpretou "Velha Infância", do primeiro disco dos Tribalistas de 2002, feita em conjunto com Marisa Monte, Davi Moraes, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. 

"Eu tenho muito orgulho de ser um dos compositores dessa música que começou, pouca gente sabe disso, mais ou menos em 1997, 1998, numa violada entre Davi Moraes, Marisa Monte, e eu estava presente. Ela fez essa melodia linda, maravilhosa e logo depois ela levou essa música pro Arnaldo e pro Carlinhos e eles letraram. Foi um dos grandes sucessos do primeiro disco dos Tribalistas". 

A canção final foi "Vilarejo", composta com Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. "Essa aqui é mais uma parceria com os Tribalistas, a música que está presente no disco da Marisa "Infinito particular" [2006]. Toda vez que eu ouço essa música na rádio eu me emociono bastante", comentou.

O show pode ser revisto pelo canal do YouTube UFG Oficial.

 

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