04_live 30-06.png

Economia e Saúde não estão opostos na pandemia da Covid-19

Em 30/06/20 09:43. Atualizada em 30/06/20 12:01.

Live reforçou a necessidade de que o Brasil seja reformulado para um projeto nacional em defesa da vida e da dignidade da pessoa humana

Caroline Pires

 

Mais de 50 milhões de pessoas no Brasil precisam hoje de uma renda básica que lhes garanta o mínimo de cidadania, mas isto ainda é pouco para romper a crise que o país enfrentará. Olhando para essa realidade foi realizada ontem, 29/6, a live "Desafios do conhecimento científico na pandemia e compromisso com a vida". As explanações da noite convergiram não só na apresentação sobre a doença e os aspectos epidemiológicos, mas especialmente na necessidade de que a população brasileira tenha o direito a vida e de se proteger nesse momento tão delicado que resulta em uma crise humanitária no Brasil e que deverá se agravar nos próximos anos. As cinco mulheres palestrantes da noite reforçaram que mas do que nunca é essencial o olhar social para a profunda relação entre os aspectos econômicos e saúde coletiva. 

Maísa Miralva da Silva, Pró-reitora de Assuntos Estudantis da UFG, lembrou em sua fala que infelizmente os interesses escusos individuais têm se sobreposto a necessidade de atuação para defesa do coletivo. "Vivemos uma crise sanitária, política econômica e humanitária. Todas nós mulheres estamos aqui nesta noite tentando entender o momento sobre todos os pontos de vista que compõe esse cenário para pensar os interesses da coletividade", iniciou sua fala. Segundo ela, há uma falsa compreensão de uma dicotomia entre saúde e economia. "Economia não é só dinheiro, ela é a busca planejada do bem estar de todos. A economia deve servir a vida e não a interesses ultraliberais", destacou. 

 02_live 30-06.png

"Numa sociedade como a brasileira não possível essa ausência de seguridade social e políticas universais que garantam dignidade"

 

A pró-reitora lembrou que o lema de "Fique em casa" não é tão simples para muitas camadas da população. "Para ficar em casa é preciso ter casa, é preciso ter renda e cabe ao governo garantir o direito à vida e isso exige uma série de ações que não estamos vendo por parte dos governantes. O que impede as pessoas de ficar em casa é a instabilidade econômica. Quanto mais desproteção social mais essa situação se prolifera assim como o vírus", frisou.  Ela afirmou ainda que é necessário que cada um tire o foco do indivíduo e pense no que se refere a ação e saúde coletiva. Em contraponto a realidade de grande parte da população, os bancos brasileiros tiveram um aumento de 30% em seus lucros. "Tem alguém lucrando com a crise", afirmou.

Por fim, a pró-reitora destacou que não será possível enfrentar o nível de degradação social que a população será submetida sem taxação de grandes riquezas, apoio maciço a populações de vulnerabilidade e reforma agrária. "O Estado Brasileiro é um Robin Wood as avessas que tira dinheiro dos pobres para dar para os mais ricos. Não temos um congresso que reaja a essa crise humanitária. A crise não será resolvida com cestas e bolsas é preciso de um fundo público para permitir a cidadania", concluiu. 

Saúde Pública

A professora Cristiana Toscano (IPTSP/UFG) explicou que do ponto de vista da Saúde Pública, a transmissão da coença deve ser o ponto chave para atuação das autoridades especialmente porque a pandemia no Brasil está em momentos diferentes em cada região. Ela reforçou que Goiás alcançou o tão falado achatamento da curva de transmissão, mas que no mês de junho se constatou o aumento rápido desta transmissão, por conta do relaxamento das medidas de isolamento social.  "Olhando para os dados, percebemos que especialmente em países mais pobres quando as medidas de isolamento não são acopladas a uma série de outras medidas econômicas e de apoio a população de baixa renda ou pequenos comerciantes vivemos a não adesão ao isolamento", explicou. 

Outro ponto destacado pela pesquisadora, é a necessidade que o trabalho diagnóstico seja realizado de forma adequada para de fato conseguir implementar confirmar os sintomáticos da Covid-19. "A quebras das cadeiras de transmissão consegue de fato inibir a progressão da doença e deve ser considerada por todos", reforçou. Neste contexto, os agentes comunitários de saúde tem um papel fundamental pois em uma busca ativa conseguem colaborar para rastrear os novos casos.

 

 04_live 30-06.png

Palestrantes reforçaram a necessidade de que o estado responda as necessidades de toda a população

 

Covid-19 e profissionais da saúde

A professora Moara Santa Bárbara Borges (IPTSP/UFG) iniciou as falas da noite apresentando de forma aprofundada o que é a infecção por Covid-19. Ela ressaltou que a doença é multissistêmica e que por conta dessa característica apresenta uma série de sintomas que podem se manifestar de forma variadas nos indivíduos. "Percebemos uma piora tardia dos pacientes, principalmente após a segunda semana com falta de ar, sepse e angustia respiratória, que leva o o indivíduo para a UTI", explicou.

A médica do Hospital das Clínicas e professora da UFG, reforçou que a evidência científica é um ponto chave na medicina e que isso deve ser levado em consideração sempre quando se pensa em qualquer possibilidade de uso de medicação. "Muitos tratamentos tem sido discutidos de forma leviana. A evidência mais recente é que o uso de corticóiodes para pacientes que precisam de ventilação mecânica foi benéfico, mas que em pacientes com sintomas precoces está terminantemente proscrito", ressaltou. 

Inserido no macro contexto da crise de saúde por qual passa o Brasil, Ivete Santos Barreto, presidente do Conselho Regional de Enfermagem (COREN/GO), ressalta que é preciso um olhar para a vulnerabilidade dos profissionais da saúde envolvidos no enfrentamento da pandemia. Ontem 29/6, os dados de Goiás apontam que são 1673 infectados e 6 óbitos entre essa população. Deste total, 61.8% são profissionais de enfermagem e, segundo ela, essa situação demanda uma maior atenção. "Estamos expostos diariamente a estes riscos e o alerta para esta situação é feita desde o início da pandemia. Não se verifica plano de contigência de recursos humanos no que se refere a organização dos processos de trabalho desses profissionais", exemplificou. Ivete Santos reforça que o conselho tem recebido inúmeras denúncias quanto a uso de material de equipamento de produção adequados, jornadas de trabalho extenuantes, prejuízo da saúde mental dos profissionais e falta de condições adequadas dentro dos hospitais. 

 

03_live 30-06.png

Ao final das palestras as participantes responderam a perguntas que foram encaminhas por chat ou vivo

 

 

Fonte: Secom/UFG

Categorias: Notícias Coronavírus PRAE IPTSP FEN