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UFG segue discutindo o seu papel diante da pandemia

Em 17/06/20 13:39. Atualizada em 17/06/20 13:51.

Professores, estudantes e líderes sindicais da UFG debateram pontos importantes durante o 1º Congresso Andifes

Carolina Melo e Caroline Pires
Com o objetivo de promover as discussões sobre a nova realidade brasileira frente a pandemia da Covid-19, teve início na manhã de hoje, 17/6, às atividades do 1º Congresso da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). O evento foi dividido em duas mesas-redondas e reuniu representantes de classes, professores e estudantes para pensar o futuro pós pandemia.
A pró-reitora de Assuntos Estudantis, Maísa Miralva Silva, iniciou a fala reafirmando a função social fundamental de debates como este para que a Universidade continue exercendo o seu papel de estimular discussões. O reitor da UFG abriu na manhã de hoje, 17/6, as atividades do congresso. Ele destacou a importância de múltiplos olhares sobre a questão com o objetivo de se organizar melhor para pensar a educação, artes, humanidades e saúde. Vale lembrar que a UFG promoveu o Simpósio Arte, Educação e Ciência, entre os dias 8 e 16/6, reunindo pesquisadores de todo o pais para discutir essas temáticas. 
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Primeira mesa-redonda reforçou a necessidade de pensar a Saúde Mental na pandemia
Iniciando a fala da manhã, Dener Lucas Santos, representando a Associação de Pós graduandos da UFG, defendeu que a pandemia explicitou situações de vulnerabilidade social. "Nós temos uma mistura entre os efeitos que atuais da pandemia mas também estamos vivenciando os desafios e dificuldade que já nos eram impostas pelo Governo Federal", defendeu. Ele lembra que os ataques contra a ciência e a perspectiva de mitigar a pesquisa continua mesmo durante o distanciamento social. 
Pensando a questão da realização de aulas a distância durante a pandemia, Dener Lucas considera a necessidade de que seja levada em conta as condições dos estudantes de acesso a internet e ainda a saúde mental deles, cotidianamente pressionados a cumprir prazos mesmo diante da pandemia. "Como vamos conseguir manter a saúde mental dos pesquisadores e o que vai acontecer com os bolsistas que não conseguirão manter o mesmo nível de produtividade?", questionou para encerrar sua fala e contribuir com o debate. 
Elis Valadares, do Diretório Central dos Estudantes da UFG, defendeu que os alunos brasileiros de instituições públicas já são uma classe que sofre com diversas dificuldades no seu dia a dia, mas que diante da pandemia a condição se agravou. "A Covid-19 escancarou as desigualdades sociais no Brasil e que afetam de forma agressiva os estudantes", defendeu. Segundo ela, este ano não deve ser discutido a possibilidade de retorno de aulas presenciais. Já com relação a realização de aulas por uso de tecnologias para educação no ensino remoto, Elis Valadares defende que deve ser levado em consideração não só a questão do acesso a internet mas, concordando com Dener Lucas, a saúde mental deve ser priorizada. "Nesse momento nenhum aluno deve ficar para trás. A UFG deve assegurar a não evasão dos estudantes nesse, adotando medidas necessárias no que se refere tanto à bolsas quanto à saúde mental", concluiu. 
Na defesa que a preservação da vida deve ser tomada como ponto chave para nortear qualquer ação da UFG, Fernando Mota, coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior (Sint-ifesgo), iniciou sua contribuição para o debate. "Temos cobrado que seja providenciada a testagem de servidores que estão no regime presencial e semi presencial. A realização desses testes de forma periódica é fundamental", defendeu. 
Por fim, o professor Flávio Alves da Silva, do Sindicato dos Docentes da Universidade Federal de Goiás (ADUFG), considera que com a pandemia a sociedade está enxergando com mais clareza o papel das Instituições públicas de ensino. "Mesmo com os servidores na linha de frente do combate à Covid-19 nas mais diversas frentes, ainda sofremos o ataque contra os seus direitos de forma insistente", frisou. Fernando Silva reforçou que a ADUFG-Sindicato tem lutado para garantir especialmente os direitos dos professores. 
Universidade

Mediado pela pró-reitora de Extensão e Cultura da UFG, Lucilene Maria de Sousa, o debate sobre as percepções do papel da universidade durante e após a pandemia uniu palestrantes das diferentes áreas de conhecimento na segunda mesa-redonda do Congresso. O professor e diretor da regional Goiás, da UFG, Renato Francisco dos Santos Paula, foi o escolhido para falar sobre às áreas de Humanas, a professora e diretora da Escola de Engenharia Civil e Ambiental, Karla Emmanuela Ribeiro Hora, fez sua apresentação sob o olhar das áreas das Exatas, e o professor e diretor do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública, Clecildo Barreto representou a área da Saúde.

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Pró-reitora de Extensão e Cultura, Lucilene Sousa, e o Diretor da Reigonal Goiás, Renato Paula

 

Ao iniciar sua fala, professor Renato Francisco lembrou que sua escolha também foi realizada para garantir, além da área de conhecimento, a representação negra, uma vez que os docentes “não passam de 3%” na universidade. E destacou a Humanidades como área estruturante  histórica da universidade no mundo, presente em sua constituição inicial. Segundo o professor, a atual revisão e reordenamento da universidade proposto pelo atual governo, de supressão do espaço dessa área acadêmica e direcionamento à razão instrumental, “não corresponde à lógica emancipatória e plural” presente na história constitutiva da universidade. “Há um pensamento estruturado pela razão instrumental que, se for levado à cabo, significa o retrocesso ao desenvolvimento social, político, e humano” do País.

As Humanidades incomodam, de acordo com a análise do professor Renato Francisco, porque promove a reflexão crítica que ameaça os três pilares que garantiram a ascensão da extrema direita ao poder no Brasil. Sendo eles o jurídico, o comunicacional e o sociocultural. Em todos esses espaços essa área do conhecimento traz uma visão crítica dos cenários constitutivos e dos discursos em disputa.

Por sua vez, a professora Karla Emmanuela partiu de três pressupostos para elencar os desafios futuros da Universidade. O primeiro é a importância da universidade pública e gratuita para a sociedade, caracterizada por sua produção de conhecimento, divulgação, trocas na área da Ciência e Tecnologia, assim como pela formação humanística integral; já o segundo pressuposto diz respeito ao entendimento de que a universidade é para todos. “Parece óbvio, mas temos que reafirmar. Ela deve primar pela inclusão e formas de permanência”, disse.

Após destacar todos os projetos e ações que a UFG vem provendo no combate à pandemia e em benefício à sociedade, professora Karla Emmanuela elencou como desafio a superação das desigualdades e assimetrias dentro do espaço acadêmico para garantir a inclusão e permanência dos estudantes.

Em sua fala, professor Clecildo Barreto lembrou o protagonismo de base da comunidade acadêmica da UFG em participar de soluções de problemas e enfrentamentos à pandemia no Estado de Goiás. “A UFG tomou a iniciativa de ir ao combate do vírus e da pandemia. O que se percebe é que houve um despertar das universidades por todo o País”, disse. Com o desalinhamento entre o Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais de Saúde, segundo o professor, as universidades se mostraram fundamentais. “Nunca fomos tão chamados a dar entrevistas para a mídia e a contribuir com as decisões do poder público”, afirmou.

Em relação à educação remota e presencial, professor Clecildo afirmou que, com a pandemia, os professores descobriram que, na era das novas tecnologias de comunicação e informação, “não vão ser substituídos por máquinas”. O professor avalia ser o ensino da graduação a fase que mais demanda atenção nesse momento de isolamento social e ensino remoto, sendo desafiante pensar o processo de ensino-aprendizagem.

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Debatedores responderam a perguntas enviadas ao vivo pelo chat

Fonte: Secom

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