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A UFG pode parar*

In 11/10/21 16:52 . Aggiornato alle 13/10/21 08:08 .

Em artigo publicado no jornal O Popular, reitor alerta sobre situação financeira da instituição

por Edward Madureira Brasil (Reitor da Universidade Federal de Goiás - UFG)

 

A Universidade Federal de Goiás tem papel de destaque no processo de desenvolvimento do estado de Goiás, tanto na formação de recursos humanos de alto nível, como na pesquisa científica e tecnológica de nível internacional que ela realiza, tornando-a capaz de contribuir com a construção de soluções inovadoras para os processos econômicos, sociais e para a elaboração de políticas públicas nos vários níveis dos entes federados. Sua ação destacada durante o enfrentamento da pandemia de COVID-19 é demonstração irrefutável disso.

Apesar disso, a UFG tem enfrentado limitações orçamentárias que ameaçam sufocar sua capacidade de funcionamento e desenvolvimento. Desde agosto de 2020, por ocasião do envio da LOA 2021 (Lei Orçamentária Anual) ao Congresso Nacional, divulgamos um alerta sobre o risco que a UFG correria de não conseguir concluir suas atividades nesse ano de 2021. Tal alerta teve como base o corte de cerca de 18% na LOAque somado às reduções orçamentárias de anos anteriores e aos impactos decorrentes do desmembramento das duas novas universidades federais do estado, levariam à impossibilidade absoluta de arcarmos com as despesas de manutenção da instituição.

Diante desse cenário, implementamos uma política de redução de custos na universidade, mesmo sabendo que algumas dessas reduções em itens como manutenção predial, adequações de infraestrutura, bolsas diversas, etc, seriam danosas ao funcionamento pleno da instituição e que comprometeriam diversas atividades essenciais no presente e no futuro. Um grande esforço foi feito também na modernização do sistema de segurança, investimentos em painéis fotovoltaicos dentre outras medidas de aprimoramento na gestão.Esse conjunto de ações levou a uma redução significativa nas despesas da UFG, cerca de R$ 13 milhões anuais.

Entretanto, mesmo com este esforço de modernização de processos e otimização de recursos, a realidade prevista no ano passado se configura de forma dramática nesse ano. As despesas anuais de custeio da instituição eram da ordem de R$ 78 milhões em 2020, que somadas a um passivo do ano anterior de R$ 8 milhões, totalizariam em uma necessidade de recursos de R$86 milhões em 2021. Diante de um orçamento reduzido para 53 milhões, mesmo considerando o grande esforço de economia descrito acima, foi gerado um déficit de R$ 20 milhões que inviabiliza o pagamento das despesas da universidade nos 4 últimos meses do ano, o que pode levar à interrupção de fornecimento de diversos serviços e o próprio funcionamento da instituição.

Esse valor de R$ 20 milhões é relativamente pequeno se comparado aos cerca de R$ 2 bilhões que a instituição movimenta e que são diretamente injetados na economia goiana na forma de salários, recursos para pesquisas, projetos de extensão e cultura que são captados junto aos mais diversos atores da sociedade, incluindo aí as 3 esferas de governo, os 3 poderes da república, empresas, organizações do terceiro setor e recursos internacionais.

Diante deste cenário, estamos mobilizando todas as nossas energias para, juntamente com parlamentares, governo federal e demais atores da sociedade, mantermos a Universidade Federal de Goiás, maior patrimônio do povo goiano, de portas abertas e em pleno funcionamento.

 

 

*Artigo publicado na edição de 10/10/2021, da editoria "Opinião" do jornal O Popular.

 

Fonte: Jornal O Popular

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