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Nós por nós indígenas e quilombolas capa

Inclusão exige novas formas de ensinar

Por Mariza Fernandes Santos. Criada em 14/09/18 15:45. Atualizada em 14/09/18 15:51.

Seminário abordou desafios enfrentados por estudantes indígenas e quilombolas na UFG

Texto: Mariza Fernandes

Fotos: Caaf / Cip

“Quando um aluno indígena ou quilombola fracassa, todos nós fracassamos. A instituição, o Estado, todos nós somos responsáveis”. A fala emocionante da estudante do curso de pedagogia da UFG, Márcia Sacramento Rocha, da Comunidade Quilombola Extrema (Iaciara-GO), marcou o tom do seminário Nós por Nós na última quinta-feira (13/09), na Faculdade de Educação da UFG. A atividade, realizada pela Coordenadoria de Ações Afirmativas (Caaf) e pela Coordenadoria de Inclusão e Permanência (Cip), em parceria com o Núcleo de Estudos Afrodescendentes e Indígenas (Neadi) da UFG, teve como tema o “Ensino e aprendizagem: Um olhar de estudantes indígenas e quilombolas para a Faculdade de Educação”.

Nós por nós indígenas e quilombolas 1

Leomar Wahinê Akwê Xerente, estudante de direito; Vanessa Hãtxu Karajá e Márcia Sacramento Rocha, estudantes de pedagogia

O objetivo foi debater os principais desafios enfrentados pelos ingressantes pelo Programa UFGInclui. O Programa, criado em 2008 pela UFG, estabelece a criação de uma vaga por curso e turma para estudantes indígenas e quilombolas, quando houver demanda, além de reserva de 15 vagas para estudantes surdos no curso de Letras: Libras. As falas dos participantes do evento indicaram que o Programa cumpre um importante papel ao garantir a entrada de grupos historicamente excluídos no espaço acadêmico, mas que a permanência e a qualidade na formação desses estudantes ainda é um desafio.

Prestes a realizar o sonho de se formar como professora, Márcia questiona a falta de preocupação com a inclusão nas práticas pedagógicas adotadas na instituição. “Que tipo de abordagem eu teria ao me deparar com alunos como eu? Pensando nisso, entendo que esse deve ser um trabalho humanizado e sensível. Tentar conhecer o aluno e desenvolver uma metodologia que o alcance. Não usar uma metodologia que já vem pronta. Você traz uma metodologia pronta e encontra um estudante indígena e quilombola e insiste em aplicar aquela metodologia, sem se importar se isso faz algum sentido pra esse aluno”, criticou a estudante.

Permanência

Além das barreiras enfrentadas pelas diferenças de formação em relação aos estudantes que ingressam pelo sistema universal e a falta de empatia dos professores, os estudantes também relataram a dificuldade de se manter financeiramente longe da família. Indígenas e quilombolas precisam deixar as suas comunidades para cursar a graduação na UFG. Em2014, o MEC instituiu o Programa de Bolsa Permanência, que concede auxílio financeiro a esse grupo. No entanto, mudanças recentes estão gerando uma série de obstáculos para que os estudantes que ingressaram em 2018 sejam contemplados com o benefício.

Nós por nós indígenas e quilombolas 2

Evento aconteceu na Faculdade de Educação da UFG

“Eles estão alegando que os indígenas estão deixando de ser indígenas porque estão saindo da aldeia para estudar. O governo não está reconhecendo os universitários indígenas”, explicou o estudante de direito Wahinê Akwê Xerente. Longe da família e sem condições financeiras para se manter no curso, alguns dos indígenas e quilombolas se veem obrigados a desistir do sonho e voltar para casa.

Enquanto a situação não se resolve, o grupo conta com o apoio dos amigos para superar as barreiras, tanto as econômicas quanto as impostas pelo modelo de ensino. “Os Xavantes são um povo guerreiro, que tem uma história aqui no Brasil. A gente vai entrando em contato e ajudando uns aos outros. Com o que eu aprendi, eu ajudo os colegas”, afirmou Wahinê.

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