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capa reunião do museu

Museologia e Museu Antropológico discutem extinção do Ibram

Por Michele Martins. Criada em 14/09/18 10:00. Atualizada em 14/09/18 15:38.

Professores, estudantes e servidores decidem se mobilizar para impedir a aprovação das Medidas Provisórias n° 850 e 851

Texto: Michele Martins

Fotos: Museu Antropológico

Integrantes das áreas de cultura, museus e patrimônio no Brasil foram surpreendidos com o anúncio das Medidas Provisórias nº 850 e 851, publicadas pelo governo federal no dia 10 de setembro. As principais decisões nestas medidas foi a extinção do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e criação da Agência Brasileira de Museus (Abram), bem como a definição de nova regulamentação para captação de fundos patrimoniais.

Para discutir o assunto, professores e estudantes do curso de Museologia da UFG, junto com os servidores do Museu Antropológico, promoveram na noite de quarta-feira (12/9) uma reunião. Várias considerações foram levantadas pelos presentes sobre a decisão do governo federal. De acordo com a professora Luciana Souza, a publicação das duas medidas provisórias podem mudar drasticamente o campo cultural, por isso os professores do curso de Museologia tiveram a iniciativa de chamar os estudantes para essa discussão que tem repercutido negativamente no âmbito dos museus em todo o Brasil. "Vai mudar a dinâmica dos equipamentos culturais, a maneira de se construir as políticas públicas no campo dos museus", alertou a professora.

reunião no Museu Antropológico 2

Professora Luciana Souza chama a atenção para a importância de se discutir a atual realidade dos museus no Brasil

Recém-chegado do Rio de Janeiro, o diretor do Museu Antropológico, Manuel Ferreira Lima Filho, participou desta reunião. Ele fez o relato de sua participação na ajuda em recuperação do Museu Nacional e em encontros que discutiram a atual realidade dos museus universitários no país. Manuel Ferreira Lima apresentou também a carta que foi elaborada em conjunto com o professor presidente do Movimento Internacional para uma Nova Museologia (Minom), Mário Chagas, na qual defendem a existência do Ibram. Para o diretor do Museu Antropológico, os fatos anunciados pelo governo comprometem a autonomia universitária e representam uma política de privatização dos museus e das universidades.

reunião no Museu Antropológico

Diretor do Museu Antropológico, Manuel Ferreira Lima Filho, alerta para a defesa dos museus universitários

Criado em 2009, o Ibram é uma autarquia do Governo Federal, responsável por formular e executar políticas pública para os museus em âmbito Nacional. De acordo com as medidas provisórias, a Agência Brasileira de Museus (Abram) firmará contrato de gestão com o Poder Executivo para execução de suas finalidades, podendo administrar instituições museológicas. Esta notícia pegou todos do campo dos museus de surpresa e a principal reclamação foi que o governo não consultou o setor para a formulação desta legislação.

Após a exposição das opiniões dos estudantes, professores e servidores, todos decidiram por concentrar esforços para mobilizar as discussões sobre o assunto e pressionarem o Congresso Nacional a não aprovar as medidas provisórias. Entre as propostas foi tentar levar a discussão ao Conselho Superior da UFG, e contribuir para tornar as atividades da Primavera dos Museus, semana cultural coordenada pelo Ibram para promover, divulgar e intensificar a relação dos museus com a sociedade, um ato político em defesa do Ibram.

Fonte: Secom / UFG

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