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Programa Cão Guia ganha canil em Urutaí

On 04/27/18 18:20 . Updated at 04/27/18 18:27 .

Projeto que tem parceria com a UFG fornecerá cães guias para pessoas cegas

 

Kharen Stecca (com informações do IF Urutaí - Luíza Oliveira)

O Instituto Federal Goiano Campus Urutaí realizou no dia 23 de abril a cerimônia de inauguração das obras do canil do Programa Cão Guia. A obra foi financiada com recursos do Ministério da Educação. A professora Rosângela Carvalho da Escola de Veterinária e Zootecnia da Universidade Federal de Goiás acompanhou o evento que teve a presença de diversas autoridades do Instituto Federal Goiano, da prefeitura de Urutaí e também da coordenadora geral de desenvolvimento de pessoas do Ministério da Educação, Silvilene Souza da Silva, s Senadora, Lúcia Vânia Abrão Costa e o Deputado Federal, Marcos Abrão Roriz.

O Programa Cão Guia nasceu de uma ação do Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas - NAPNE do IF Catarinense Campus Camboriú. Este programa foi acolhido pela Secretaria de Desenvolvimento Humano - SDH e pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica - Setec/MEC como uma ação de promoção dos direitos das pessoas com deficiência e expandido para outros seis Institutos Federais, entre eles o IF Goiano Campus Urutaí.

O projeto tem o objetivo de formar novos treinadores e instrutores de cães-guia, bem como treinar e fornecer os animais como ferramenta de inclusão para pessoas cegas ou com baixa visão. O tempo de formação do cão-guia é de aproximadamente dois anos, uma vez que ele passa pela etapa de socialização e, somente após esse período, é direcionado para o treinamento. A UFG é parceira do projeto e oferecerá o acompanhamento veterinário aos cães.

Parceria – A Escola de Veterinária e Zootecnia da UFG albergará instalações para os cães padreadores (reprodutores/matrizes), filhotes e filhotes em fase de socialização. Segundo a professora Rosângela Carvalho, a UFG participará produzindo os filhotes que precisam ter boa qualidade genética e aptidão, enviando-os a famílias socializadoras e, ao fim desta etapa, entregando estes filhotes socializados para o IF Goiano, em Urutaí, para que possam receber a instrução como guias e a formação das duplas com os cegos.

A fase de socialização constitui período de dessensibilização dos cães jovens aos desafios do ambiente. Nesta fase, os cães são levados a shoppings, rodoviárias, aeroportos, escolas, festas, igrejas, são expostos a variados sons (sirenes, latidos, fogos), para que se sintam confortáveis diante destes desafios na vida adulta. Essa fase é importante para o desenvolvimento das três principais características de um cão-guia: educação, obediência e foco no trabalho de guiar. Durante essa etapa o socializador é assistido pela equipe do programa, formada por instrutores, treinadores e médicos veterinários. 

A professora explica que ainda não está pronta na UFG a estrutura do albergue de cães, pois ainda há etapas da estrutura física e mobiliário a serem cumpridas. “A ideia é utilizarmos nossos alunos como famílias socializadoras. A EVZ também participa fornecendo assistência médico veterinária aos cães do projeto, quando demandado, via Hospital Veterinário", informa.

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UFG é parceira do projeto fornecendo atendimento veterinário e também albergando cães reprodutores e matrizes e cães em fase de socialização

Canil - Após a etapa de socialização, o cão retorna para o canil, localizado no IF de Urutaí, onde será treinado pelos instrutores do programa no centro de formação. Esse treinamento dura em média 6 meses, sendo nesta etapa o início da seleção do cego que receberá o cão. Esta seleção é feita a partir do Cadastro Nacional de Candidatos a Utilização de Cães-Guia, criado em 2014 pela SDH.

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Estrutura do canil no Instituto Federal de Urutaí

Ao término da seleção é realizada a etapa de adaptação do cego ao animal. Nesta fase, que tem duração média de 02 meses, o deficiente visual passa um período residindo dentro do Centro de Formação. Ao final dessa etapa o instrutor acompanha o cego e o cão-guia em seu local de residência, onde fica por uma semana. 

Segundo o coordenador do Programa Cão-Guia do IF Goiano Campus Urutaí, professor Leonardo Goulart "quando se contribui com a formação de um cão-guia, os envolvidos no processo estão transformando a vida de uma pessoa cega, promovendo assim maior acessibilidade". De acordo com o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE de 2010, existem no país mais de 6 milhões de pessoas com grande dificuldade para enxergar e cerca de 530 mil são cegas. Hoje já existem dois cães em socialização e três adultos sendo treinados no canil em Urutaí.

Legislação - Apesar de ainda existir discriminação em relação a entrada de cegos com seu cão-guia em estabelecimentos fechados, esse e outros direitos são garantidos pela Lei nº 11.126/05 e o Decreto nº 5.904/2005. A Lei 11.126/05, conhecida como a Lei do Cão-guia, determina que “é assegurado à pessoa com deficiência visual usuária de cão-guia o direito de ingressar e permanecer com o animal nos veículos e nos estabelecimentos públicos e privados de uso coletivo”. Além disso, define que a deficiência visual restringe-se à “cegueira e à baixa visão”.

Interessados em saber mais sobre o programa ou como se tornar uma família socializadora podem entrar em contato pelo e-mail programa.caoguia@ifgoiano.edu.br ou pelo telefone (64) 3465-1930.

Source: Secom UFG

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