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GT afirmativo

Diálogo sustenta elaboração da política de ações afirmativas

Por Angélica Queiroz. Criada em 21/08/17 14:04. Atualizada em 21/08/17 15:52.

II Colóquio Comunicação e Diferença foi organizado pelo Grupo de Trabalho em Ações Afirmativas da FIC

GT afirmativo

Texto: Angélica Queiroz

Fotos: Carlos Siqueira

"Ouvi na sala de aula na disciplina de telejornalismo que o meu cabelo não era adequado para a TV". "Me disseram muitas vezes que aqui não era o meu lugar". "Quando eu entrei não tinha negro na universidade". Os relatos de Mariza Fernandes, Marta Quintiliano e Ralph Passos chamam para a reflexão sobre o racismo no ambiente acadêmico e, consequentemente, no mercado de trabalho. As experiências dos estudantes foram a base para o diálogo no II Colóquio Comunicação e Diferença, realizado pelo Grupo de Trabalho em Ações Afirmativas da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) na manhã desta segunda-feira (21/8). A segunda edição do colóquio foi um espaço para pensar ações concretas para atualizar o documento elaborado no I Colóquio e avançar na implantação das medidas para elaborar a política de ações afirmativas da FIC.

Egressa da FIC e estudante do Programa de Pós-Graduação em Geografia, Mariza Fernandes lembrou que, desde a criação da política de cotas na UFG, não foram percebidas muitas mudanças e é preciso pensar na forma como essa política foi gerida após sua implementação. "O UFG Inclui só existe por conta da militância dos estudantes e precisamos retomar a participação deles na gestão das ações afirmativas para que eles se sintam de fato parte dessa instituição e possam se formar e acessar o mercado de trabalho", afirmou a estudante, criticando a falta de discussões sobre o racismo no mercado do trabalho na UFG. "Quando eu fui para o mercado não estava preparada para enfrentar o que viria", observou. A estudante sugeriu a realização de uma acolhida anual para os estudantes cotistas como um espaço para discutir "questões sobre as quais não se fala".

A estudante quilombola Marta Quintiliano, que hoje é mestranda no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, falou sobre o desafio de acessar e permanecer na universidade. "A começar pelo edital, que não é adequado para os públicos. A gente não consegue decifrar, a informação não é adequada", afirmou. Ela lembrou ainda a solidão vivida pelos estudantes cotistas após conseguir entrar na UFG. "A Universidade quer nivelar os alunos. Eu não sei qual o problema na diferença", completou. Para Marta, é preciso descolonizar as formas de conhecimento e parar de exigir que as pessoas se encaixem em um padrão. "Queremos mostrar que a diferença é positiva", concluiu.

Ralph Passos, que trabalha numa agência de publicidade, falou sobre os desafios do mercado de trabalho. "Nas agências não há negros. Não vemos uma comunicação que inclui. Ela é totalmente branca. Não existe protagonismo negro. A gente caminha a passos de formiga", lamentou. Para Ralph, espaços como os criados pelo Grupo de Trabalho em Ações Afirmativas  são essenciais para tentar equalizar as coisas. Eufrasia Songa, que estudou na UFG pelo PEC-G também participou da conversa e falou um pouco sobre ser estudante africana no Brasil. "As pessoas questionam sobre o lugar de onde a gente vem e temos que saber lidar com a imagem que elas têm", relatou. 

Outros estudantes, professores e técnicos presentes também levantaram questões para pensar como a universidade poderia se reconfigurar para garantir o acesso do estudante negro ao mercado de trabalho. Ações práticas, como firmar convênios com empresas e órgãos garantindo representatividade e criação de políticas públicas foram algumas das sugestões.  

Histórico 

O Colóquio Comunicação e Diferença surgiu em 2013 com o objetivo de reunir e ouvir os alunos que ingressaram na universidade pelo sistema de cotas a respeito de suas demandas. A partir das questões apresentadas no diálogo, foi elaborado um documento que apresentava uma série de ações a serem criadas pela universidade com vistas a acompanhar e garantir a formação de profissionais preparados para lidar com as diferenças. Em 2017, a FIC criou um Grupo de Trabalho em Ações Afirmativas para viabilizar o atendimento a essas e outras demandas na unidade. 

Fonte : Ascom UFG

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