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Denúncia, resistência e reverência

Por Patricia Veiga. Criada em 07/08/17 17:02. Atualizada em 09/08/17 16:09.

Sete artistas revelam experiências, discutem racismo e saúdam cultura afro-brasileira na exposição Vozes do Silêncio

Texto: Patrícia da Veiga

Fotos: Adriana Silva

 moises patricio

 Trabalho de Moisés Patrício (SP)

 

 “Quantos trabalhos falam sobre questão racial?”

“Sou herdeiro de uma violência histórica”

“Como você aborda um assunto tão doloroso, traumático e ao mesmo tempo tão potente?”

“Busquei por situações que me tiravam a voz”

“De repente, percebi que todo mundo na rua fazia a sua performance”

“É preciso pensar o protagonismo dos corpos negros”

 

As frases acima, aqui em fragmentos, fazem parte da apresentação de Vozes do Silêncio, mostra que reúne trabalhos dos artistas Antônio Obá, Dalton Paula, Helô Sanvoy, Rosana Paulino, Paulo Nazareth, Moisés Patrício e Janaína Barros. Em um vídeo que revela parte do processo curatorial da exposição, eles falam sobre suas leituras de mundo, descrevem seus processos criativos e, sobretudo, respondem a uma pergunta-chave: o que há de político em cada trabalho?

As respostas são diferentes, mas caminham para um eixo central: a existência. Existir enquanto artista negro e/ou negra em um país racista, cujas marcas da colonização são profundas, é um ato político. Tal constatação guiou o curador Paulo Henrique Silva na busca por esses sete artistas, oriundos de Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais e São Paulo. Assim, foi idealizada a exposição que está em cartaz na galeria do Centro Cultural UFG até o dia 6 de setembro.

 dalton paula

Artista Dalton Paula conversa com seu público durante abertura da exposição

“Como eles lidam com as questões étnico-raciais utilizando suas obras como meios de narrativa e de discussão política desse corpo negro que ocupa esse espaço? Foi isso o que me chamou atenção”, explicou o curador durante a abertura da mostra, realizada na quinta-feira (3/8). Para Silva, o debate acerca do racismo estrutural em espaços ainda embranquecidos, como as galerias de arte, é urgente: “Por mais que nós tenhamos hoje alguns movimentos de aglutinação, de discussão sobre a condição do artista negro, é muito tímido esse debate no estado de Goiás. E é uma ousadia porque é um campo delicado. Depende da forma como você vai se colocar”.

helo sanvoy

Instalação Desvio para o Branco, do goiano Helô Sanvoy

O modo como os artistas escolheram “se colocar” se deu pela multiplicidade de linguagens e ferramentas que trazem ao público relatos de experiências, denúncias de marcas sociais e de projetos de poder, além de reverências à cultura afro-brasileira, aos trabalhadores e à sabedoria dos mestres populares. Os 31 trabalhos exibidos incluem fotografia, gravura, vídeo-performance, instalação e desenho.

Vozes do Silêncio é subsidiada com recursos do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás e teve uma primeira temporada na Galeria de Artes Antônio Sibasolly, em Anápolis, durante os meses de junho e julho. No local, o número de pessoas atraídas surpreendeu a curadoria, que considerou haver identificação popular com a temática. “Aumentamos a quantidade de pessoas negras no aparelho cultural e isso foi fantástico”, comentou Silva.

A galeria do Centro Cultural UFG está aberta de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 18h. A entrada é gratuita e visitas escolares podem ser agendadas pelo telefone: (62) 3209-6499. No dia 2 de setembro, às 16h30, haverá uma roda de conversa com os artistas.

 vozes casa cheia

Centro Cultural UFG na abertura da exposição Vozes do Silêncio, realizada no dia 3 de agosto

Fonte : Ascom/UFG

Categorias : Última Hora Artes CCUFG Questões Étnico-Raciais

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