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Exposição cegos

Centro Cultural UFG recebe deficientes visuais em exposição

Por Luciana Gomides. Criada em 07/04/17 13:18. Atualizada em 09/04/17 10:13.

Mostra fotográfica O olhar vertical promove a acessibilidade por meio de audiodescrição e textos em braile

Texto: Luciana Gomide

Fotos: Adriana Silva

O Centro Cultural da UFG (CCUFG) recebeu, na tarde desta sexta-feira (07/4), um grupo de deficientes visuais em visita à exposição fotográfica O olhar vertical, de Tuca Reinés. A experiência desse tipo de visitação acessível, inédita em Goiânia, é uma parceria da Universidade Federal de Goiás (UFG) com o Centro Brasileiro de Reabilitação e Apoio ao Deficiente Visual (Cebrav). Os visitantes usufruíram da exposição através de audiodescrição e textos em braile.

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Grupo de deficientes visuais visitam exposição fotográfica no Centro Cultural UFG, em iniciativa inédita em Goiânia

Luciana Magalhães, da Associação dos Deficientes Visuais do Estado de Goiás (Adveg) e especializada em audiodescrição, conduziu o grupo pelas duas salas da galeria, onde estão expostas as 53 fotografias de cidades brasileiras, acompanhada pela mediadora cultural Flávia de Castro, colaboradora da área de Ações Educativas do CCUFG. Ao longo da visita, Luciana descreveu, em detalhes, os elementos que compunham as imagens, como cores, construções, linhas divisórias e contrastes.

CCUFG 2

Luciana Magalhães conduz grupo por meio da audiodescrição, descrevendo em detalhes os elementos das fotografias

As descrições, porém, não pararam por aí. Para auxiliar na experiência sensorial, foram reproduzidos áudios associados às cidades retratadas. Por exemplo: após a explicação sobre as fotos de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Goiânia, o grupo ouviu sons com ruídos urbanos, samba ou música sertaneja. Também foram comentados a história do próprio projeto, detalhes técnicos e curiosidades de algumas das imagens, além de análises das imagens capturadas.

Flávia contou que a iniciativa partiu de uma necessidade real experimentada na mostra de Reinés. Uma criança, aluna de escola pública e deficiente visual, compareceria à exposição e, a fim de permitir sua interação com as obras e as outras crianças, o CCUFG contatou o Núcleo de Acessibilidades da UFG que, na falta de um especialista em audiodescrição, pediu orientações ao Cebrav, tornando possível o suporte ao estudante.

A partir daí, além da sugestão de visita de um grupo maior, Luciana Magalhães elaborou um treinamento voltado para os mediadores do Centro Cultural, preparando-os para futuras visitas. Também foi confeccionado um material em braile, que se encontra disponível na recepção da galeria, no qual consta o mesmo conteúdo dos textos informativos e folders distribuídos na exposição.

Pela heterogeneidade do grupo, formado por pessoas cegas e de baixa visão, os resultados foram positivos e diferenciados. Ana Luíza consegue distinguir cores e já visitou João Pessoa, uma das cidades capturadas. Segundo ela, a perspectiva pode variar pela experiência visual anterior de cada um, mas reforça que o método da audiodescrição associado à utilização de sons contribui para que os visitantes, estreantes nesse tipo de experiência, possam entender o que está sendo retratado.

Ana Luiza e Romeu

Ana Luiza acompanha Romeu, também participante do grupo, em visita à exposição no Centro Cultural UFG

Francisco possui deficiência visual total e, além de ouvir as músicas e detalhes da visita guiada, tateou telas e molduras, buscando uma experiência sensorial ainda maior. Acompanhado de Bruna, cuja visão a permite distinguir vultos, deu feedback positivo à exposição. Porém, ambos aproveitaram para manifestar reprovação quanto à acessibilidade aplicada na cidade. "Goiânia é uma cidade muito bonita mas, também, violenta. Além disso, é muito ruim para deficientes visuais, as calçadas são ruins, é impossível andar sozinho nas ruas", comentou Bruna.

Bruna e Francisco

Bruna e Francisco elogiaram a experiência mas se mostraram preocupados quanto a problemas de acessibilidade em Goiânia

Exposição
O olhar vertical: Tuca Reinés - fotografias da Coleção Santander Brasil é o resultado do trabalho realizado desde 2013 pelo fotógrafo e arquiteto Tuca Reinés. Foram percorridos 94.205 quilômetros de voos domésticos e helicóptero, além de 10.635 quilômetros por vias terrestres. O intuito era retratar as cidades sob o ponto de vista urbano e arquitetônico, gerando questões como a ocupação territorial brasileira. Foram clicadas localidades como Goiânia, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza e Porto Alegre.

A exposição estará aberta a visitação até o dia 20 de abril, de terça a sexta-feira, no Centro Cultural da UFG, localizado na Avenida Universitária, no Setor Universitário. A entrada é franca.

Fonte : Ascom UFG

Categorias : última hora CCUFG

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