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Jornada HC

Violência é um problema de saúde?

Por Luciana Gomides. Criada em 17/02/17 09:21. Atualizada em 17/02/17 14:09.

Evento teve a participação de autoridades da saúde e segurança para tratar do papel do profissional da saúde no enfrentamento à violência

Texto: Luciana Gomides

Foto: Ana Fortunato

Trazer aos participantes os impactos gerados pelas violências interpessoais, promovendo a reflexão e reorganização do serviço de atenção à pessoa em situação de violência que procura ajuda não somente no Hospital das Clínicas da UFG/Ebserh (HC), mas nos demais pontos de atendimento de saúde, segurança e assistência social. Esse foi o principal objetivo da I Jornada sobre a Violência: Impacto das Violências Interpessoais e Desafios para a Saúde, que reuniu autoridades como Cheilla Marina Lima, do Ministério da Saúde, Maria de Fátima Rodrigues, da Secretaria Estadual de Saúde, a deputada estadual Adriana Accorsi, e representantes da Secretaria Municipal de Saúde no auditório da Faculdade de Enfermagem (FEN) e Nutrição (Fanut) da UFG na tarde desta quinta-feira (16/2).

I Jornada sobre a Violência

Jornada sobre a Violência reuniu autoridades na área

O evento é parte da Disciplina Seminário de Atenção a Vítima de Violência, integrada ao currículo obrigatório do Programa de Residência Multiprofissional de Saúde do HC, ministrada aos residentes de primeiro e segundo ano do Eixo Materno Infantil. As convidadas que compuseram a mesa de abertura reforçaram a importância da denúncia como enfrentamento à violência. Adriana Accorsi mencionou que, ao longo de sua experiência como delegada, vê nos profissionais de saúde fortes aliados no combate a esse tipo de crime. Segundo a deputada, “não é divulgado, mas, foram vários os casos em que crianças chegaram à delegacia na companhia de médicos que não aguentaram a situação e preferiram levar o caso até nós”. Ela ressaltou ainda o desconhecimento dos casos, que só chegam até as autoridades policiais por meio dos relatos de médicos e enfermeiros.

O problema foi reforçado por Maria de Fátima, demonstrando que a violência contribuiu para as chamadas causas externas de morte, como suicídio, fator em constante crescimento no Brasil. Cheilla Marina lamentou a banalização do tema em virtude dos altos índices apresentados em estatísticas e exaltou a necessidade de reflexão sobre o atendimento e acolhimento prestados pela Rede de Atenção. Como avanço, Cheilla elogiou a criação da Ficha de Notificação da Violência Interpessoal/Autoprovocada, documento que precisa ser preenchido por quem presta o socorro, como instrumento de gestão.

 Jornada HC

As duas palestras ministradas foram direcionadas a estudantes e profissionais da saúde, psicologia, enfermagem, medicina e serviço social

Reconhecimento

Ao tratar dos impactos da violência, a primeira palestrante da tarde, a médica sanitarista Marta Maria Alves da Silva, mencionou que, um dos principais desafios dos pesquisadores envolvidos no enfrentamento à violência é o reconhecimento desta como problema de saúde por parte do poder público. No entanto, os índices trazem elementos da epidemiologia, devido à magnitude (número de casos), transcendência (gravidade, relevância social e importância econômica) e vulnerabilidade. Através de estatísticas, a pesquisadora demonstrou a incidência de mortes geradas por causas externas de acordo com o sexo e faixa etária da população.

Segundo ela, os números mostram a incidência de óbitos por afogamento, asfixia, trânsito, violência de gênero, agressões e suicídio, distribuídos entre crianças, jovens, povos indígenas e mulheres. Para a pesquisadora, a violência forma uma espécie de ciclo. “A criança é agredida pelos pais, quando cresce sofre violência do companheiro e, ao envelhecer, dos filhos e cuidadores”, detalhou. Mencionando casos em cidades brasileiras, Marta foi incisiva na defesa da informação como instrumento de intervenção. “Ao atender um caso, o profissional da saúde precisa investigar e fazer dele a porta para salvar aquela pessoa, não apenas um curativo”.

Feridas que não cicatrizam

A neuropediatra Maria das Graças Brasil liderou a segunda palestra da tarde, trazendo como tema a influência da violência sobre o desenvolvimento infantil. Na definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), a violência contra a criança e o adolescente engloba todos as formas de maus-tratos físicos e emocionais que originem dano real ou potencial para sua saúde, desenvolvimento e dignidade. Segundo a médica, a exposição à violência crônica “não somente é um problema psicológico, sanado através de terapia”, mas traz sérias consequências físicas e biológicas.

Utilizando-se de termos médicos, Maria das Graças explicou as sequelas identificadas em crianças e adolescentes expostos a abusos físicos e psicológicos. A maior parte delas é gerada nas funções cerebrais, ocasionando distúrbios como a desnutrição, déficit de atenção, transtornos de conduta, comportamentos autodestrutivos e alterações psiquiátricas, como a depressão. Segundo ela, a sujeição aos chamados estressores desencadeia, além dos problemas físicos e emocionais, a chamada transmissão transgeracional. Trata-se de transmitir os efeitos de um trauma de mãe para filho. A neuropediatra, assim como os demais profissionais presentes, reforçou o papel fundamental dos enfermeiros, médicos e socorristas como denunciadores dos casos de violência atendidos. 

   

 

Fonte : Ascom UFG

Categorias : última hora HC/UFG violência

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