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 Sônia Vasconcelos 05

Professora da UFRJ abre atividades do Programa de Formação em Pesquisa

Criada em 25/03/15 11:26. Atualizada em 26/03/15 08:45.

Confira ainda uma entrevista com a pesquisadora

Texto: Angélica Queiroz

Fotos: Carlos Siqueira

Mestrandos, doutorandos, professores e pesquisadores prestigiaram na manhã desta terça-feira, 24/03, no Centro de Cultura e Eventos Professor Ricardo Freua Bufáiçal da UFG, atividade do Programa de Formação em Pesquisa. A convidada para abrir a programação foi a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Sônia Vasconcelos, falou sobre integridade em pesquisa e produção científica.

Sônia destacou, entre outros pontos, que a pesquisa no Brasil ainda é muito jovem, se comparada a de outros países referências em pesquisas no mundo. Por isso, para a docente, a discussão sobre integridade na pesquisa é de extrema importância nesse momento e tem feito a diferença no olhar internacional sobre a maneira como a pesquisa é feita no país. “A ciência brasileira não pode ser desqualificada porque há muita corrupção no Brasil. Essa comparação é um exagero e não podemos deixar que a façam,” destacou.

Durante toda a manhã, a convidada instigou os presentes a discutirem ética na pesquisa, assunto que, segundo ela, deve ser preocupação de todos na área. “Ninguém está de fora. Para quem produz pesquisa o desafio está posto,” destacou. Um dos tópicos destaques na fala da professora foi a retratação e os prejuízos que ela pode causar à comunidade científica e ao autor do trabalho retratado.

Sonia 06.

Professora da universidade carioca interagiu com o público durante palestra

público lotou centro de eventos

Pesquisadores prestigiaram o evento

 

Programa de Formação em Pesquisa

Para a Pró-Reitora de Pesquisa e Inovação (PRPI), Maria Clorinda Soares Fioravanti, o grande número de presentes no evento já foi uma recompensa. “Esse é um programa para atender os anseios dos nossos pesquisadores. É um desejo institucional que a pesquisa passe a fazer cada vez mais parte do cotidiano dos nossos docentes e estudantes” afirmou. Clorinda também ressaltou a necessidade de a UFG pensar numa câmara de ética num sentido mais amplo, nos moldes da já existente na UFRJ.

O Pró-Reitor de Pós-Graduação da UFG, José Alexandre Felizola Diniz Filho, acredita que a universidade só vai crescer se tiver uma base forte de pesquisa. “Daí a necessidade de começar esse programa mais amplo e integrado trazendo todos para uma mesma percepção,” pontuou. O Vice-Reitor da UFG, Manoel Rodrigues Chaves afirmou, na ocasião, que a pesquisa precisa ganhar mais força no Brasil. “Queremos poder dar retorno à sociedade, melhorando a vida das pessoas com o resultado de nossas pesquisas”, ressaltou.

vice-reitor

Vice-reitor da UFG falou sobre a importância da pesquisa na Universidade e no país

O Programa de Formação em Pesquisa é uma promoção da Pró-Reitora de Pesquisa e Inovação (PRPI) e da Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PRPG) que objetiva difundir a ciência e a pesquisa no âmbito da Universidade, além de capacitar nossos pesquisadores para a elaboração de projetos de pesquisa, análise de dados e divulgação científica. A programação está sendo transmitido pela TV UFG para Jataí, Catalão e Goiás à pedido das regionais para que os pesquisadores que não tiveram a oportunidade de se deslocar à Goiânia também possam acompanhar.

 

Confira entrevista concedida pela professora Sônia Vasconcelos ao Portal UFG:

Qual é o principal desafio para a pesquisa e produção científica no Brasil hoje?

Sabemos que os desafios são vários, que incluem maior investimento em pesquisa e desenvolvimento, no número de pesquisadores ativos, na qualidade da produção e na internacionalização da ciência brasileira. Entretanto, talvez um dos maiores desafios seja estabelecer uma política de governança da pesquisa que, juntamente com esse investimento, possa fomentar uma cultura de integridade científica nas instituições. Acho que o desafio está posto aos atuais sistemas de pesquisa. Creio que fomentar essa cultura pode contribuir objetivamente para a formação de pesquisadores mais críticos e comprometidos com a qualidade de suas contribuições e estimular a conduta responsável no processo de geração de conhecimento acadêmico.

Há muita desinformação?

Há um conjunto de fatores que podem estimular práticas de má conduta científica e outros desvios éticos nas atividades de pesquisa. A desinformação é apenas um deles, mas não podemos assumir que esse é o fator principal nos casos documentados.

Que tipo de políticas públicas poderiam ser criadas para minimizar os problemas de má conduta na pesquisa no Brasil?

Pensando em políticas institucionais, por exemplo, creio que estimular reflexões sobre a ética e integridade em pesquisa num ambiente de produção científica cada vez mais colaborativo, mas também plural e competitivo, também pode provocar um “wake-up call” para muitos nesse ambiente.

Como membro do comitê organizador, quais as suas expectativas para a realização da 4ª Conferência Mundial em Integridade de Pesquisa no Brasil? 

São as melhores possíveis. Temos visto o interesse sobre o tema, e sobre o evento especificamente, aumentar consideravelmente desde que ele foi divulgado, em 2013. O incentivo e a divulgação dos nossos principais apoiadores, incluindo FAPESP, CAPES e SBPC, vem sendo decisivo.

Esse evento pode contribuir para mudar a forma como a pesquisa científica brasileira é vista lá fora?

Sim, acho que essa realização impacta positivamente a percepção internacional sobre nosso sistema de pesquisa. Na verdade o fato do Brasil sediar um evento mundial sobre esse tema, apoiado por seus principais órgãos de financiamento à pesquisa, sinaliza, minimamente, que o tema é relevante para sua comunidade. O apoio e representações no evento de importantes instituições de países responsáveis por uma fração considerável da produção científica mundial também fortalece essa visão. Entretanto, o comitê local de organização acredita que a participação brasileira e as ações que decorrerão a partir dessa conferência é que serão decisivas para consolidar o papel da integridade científica nas políticas de governança da pesquisa no Brasil. O sucesso dessas políticas pode potencializar os esforços que já vêm sendo feitos no país para fortalecer as contribuições da ciência brasileira no cenário internacional. 

 

 

 

Fonte: Ascom UFG

Categorias: Pesquisadores Última hora PRPI