Weby shortcut
Bandeira Reino Unido
Youtube da UFG
Instagram da UFG
Picasa da UFG
Radio universitária
TV UFG
ciro marcondes  capa

Abertura do Semic traz palestra com o pesquisador Ciro Marcondes Filho

Por Serena Veloso Gomes. Criada em 21/10/14 12:02. Atualizada em 22/10/14 15:27.

Professor da USP discutiu a relação entre a mídia e as manifestações de junho de 2013

Texto: Serena Veloso

Alunos da Pós-Graduação em Comunicação (PPGCom) da UFG, dos cursos de graduação em Comunicação da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) da UFG e de outras instituições participaram ontem, 20 de outubro, da abertura do VIII Seminário de Mídia e Cidadania e o VI Seminário de Mídia e Cultura (Semic). Com o tema Comunicação e Manifestações Populares, o evento, promovido por docentes e discentes do Mestrado em Comunicação da FIC, iniciou as atividades com uma palestra ministrada pelo professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade Federal de São Paulo (ECA-USP) Ciro Marcondes Filho.

Na ocasião também ocorreu o lançamento de três livros da coleção Rupturas Metodológicas para Leitura Crítica da Mídia. A coleção é resultado do projeto financiado pelo CNPq que prevê a parceria entre os Programas de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ e da UFG.

 ciro marcondes

Com o objetivo de estimular reflexões teóricas sobre a comunicação a partir da apresentação de trabalhos na área, o Semic recebeu este ano 75 trabalhos inscritos, que serão apresentados em sete Grupos de Trabalho nesta terça-feira (21). “Temos trabalhos de Goiás, Brasília, Mato Grosso, Maranhã e Rio Grande do Sul, o que prova que estamos caminhando para uma visibilidade nacional”, destacou o coordenador do evento, Claudomilson Fernandes Braga, que comentou ainda sobre a mudança no formato do evento para a próxima edição. Também estiveram presentes na abertura o diretor da FIC, Magno Medeiros e a coordenadora do PPGCom, Ana Carolina Têmer.

Durante a palestra, Ciro Marcondes Filho falou sobre a necessidade de se pensar teoricamente a comunicação nos cursos de graduação e pós-graduação e sobre sua nova teoria da comunicação, resultado de pesquisas desenvolvidas no Núcleo de Estudos Filosóficos da Comunicação da ECA-USP, do qual é coordenador. O pesquisador enxerga a comunicação como um processo reflexivo, que mobiliza o indivíduo fazendo-o mudar sua visão de mundo. “O acontecimento comunicacional é esse momento mágico que nos faz repensar o mundo”, explicou.

As manifestações políticas ocorridas em junho de 2013 também foram foco da palestra, que analisou o papel das redes sociais no fortalecimento do debate político. “Os movimentos que ocorreram nas capitais brasileiras no ano passado promoveram uma virada na ordem política e midiática. Ficou claro que os grandes veículos de comunicação não detinham o monopólio das mobilizações políticas”, afirmou.

Em entrevista cedida à Ascom, Ciro Marcondes Filho aprofundou no tema das manifestações, avaliando os impactos provocados nos meios de comunicação e no próprio papel que o jornalista assume nas redações:

 

Portal UFG: Como você avalia a relação entre mídia e sociedade nos desdobramentos que tiveram as manifestações ocorridas em junho de 2013?

Ciro Marcondes Filho:O que houve ano passado foi um movimento que começou a partir de um aumento no preço das passagens de ônibus, mas que depois virou protestos genéricos contra a corrupção, contra PECs e várias outros elementos da política maior. Sentiu-se algo muito interessante que foi um salto qualitativo: como um movimento local detona um movimento maior que questiona o poder público e a corrupção. Um dos objetivos do movimento era ser não-partidário e ser organizado pelas redes sociais. Isso marcou efetivamente o contra-poder, o que não tinha aparecido até então com essa envergadura e começou a chamar atenção dos grandes meios de comunicação. As manifestações serviram como sinalizador de acontecimentos ainda não finalizados que não se sabe certamente como vai terminar.

 

Portal UFG: Qual seria a interferência dessas mobilizações políticas na credibilidade dos grandes veículos de comunicação?

Ciro Marcondes Filho: Seria exatamente a demonstração da falência da credibilidade. Se durante um tempo os veículos tentaram uma fachada supostamente neutra, imparcial, o que nunca foi verdadeiro, hoje eles não sustentam mais essa posição. Aparecem de uma forma crua na opinião pública como veículos de setores conservadores, ligados a grandes grupos que querem segurar os movimentos sociais por possuir essa característica expansiva e estarem avançando cada vez mais.

 

Portal UFG: Quais os desafios da comunicação para os próximos anos diante do avanço tecnológico e da midiatização?

Ciro Marcondes Filho: O fenômeno das mídias sociais tem fechado o universo das pessoas, primeiro porque elas estão fazendo isso das suas próprias casas, dos seus próprios espaços. O isolamento leva a uma série de práticas sociais perigosas. As pessoas estão perdendo um pouco o sentido do que é sociabilidade. Há uma tendência à incomunicação de uma forma mais ampla. As pessoas vão se sentindo só, criando suas neuroses, seus comportamentos desviantes e vão cada vez menos abrindo espaços para o outro.

 

Portal UFG: Pensando por esse viés, esse isolamento restringiria os debates políticos somente ao espaço das redes?

Ciro Marcondes Filho: Você pode aumentar o debate político com as redes sociais, aumentar a participação e os movimentos de rua. Mas isso não automaticamente forma consciência. Você pode formar um sentimento de agregação, mas às vezes isso não basta. É preciso um trabalho maior, continuado, de circulação de conteúdos diferentes. É preciso organizar os debates, fazer as pessoas se engajarem mais, pois as práticas políticas atualmente são de total desengajamento: quanto mais alienada a população estiver, mais ela não atua, não participa da política.

Fonte : Ascom UFG

Categorias : SEMIC Fic última hora

Listar Todas Voltar