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Males do sertão

Professora da Faculdade de História publica livro

Por Júlia Mariano. Criada em 18/09/14 15:28.

Obra aborda o papel determinante da alimentação na ocorrência de doenças no estado de Goiás

A professora da Faculdade de História da UFG (FH/UFG), Sônia Maria de Magalhães, publicou o livro "Males do sertão, alimentação, saúde e doenças em Goiás no século XIX", resultado da tese de doutorado defendida na UNESP-Franca em 2004. O livro apresenta minuciosa pesquisa sobre o papel determinante da alimentação na ocorrência de doenças no estado de Goiás. O trabalho sustenta-se em vasta pesquisa documental e aloja-se no contexto da Nova História, que privilegia novos objetos aspectos da cultura material como a alimentação, a saúde e as doenças peculiarmente no domínio da História Cultural.

A autora mostra que o repasto cotidiano dos goianos não passou por mudanças significativas na transição dos séculos XVIII para o XIX. Continuaram a comer farinha de milho e de mandioca, acompanhada de carne-seca, quando era possível, e frutos silvestres provenientes do cerrado. Aliás, esse bioma foi importantíssimo para essa gente, que vivenciou longos períodos de escassez de víveres e, por vezes, enfrentou episódios de fome declarada. As recorrentes crises de fome e a carestia dos mantimentos determinaram as possibilidades e as preferências alimentares dessa gente. Mesmo as pessoas mais abastadas, em diversos momentos, sofreram os efeitos daquela conjuntura de dificuldades. Os desprovidos de renda, mormente os livres pobres e escravos, periodicamente padeciam de fome e mesmo em condições normais de abastecimento sofriam privações.Se essa dieta restrita saciou a fome de muitos, ao longo do tempo criou brechas para a instalação de inúmeras doenças.

Trabalhando um contexto em que não se conhecia a etiologia das doenças, nem mesmo o conceito de vitaminas, Sônia Maria de Magalhães realiza uma investigação de profundidade, situando historicamente seu objeto de estudo desde os primórdios da colonização do Brasil até início do século XX. Os resultados encontrados pela pesquisadora refutam a ideia de abundância de alimentos presente na literatura sobre a região escrita por alguns cronistas.

Só no século XX a garantia do abastecimento alimentar passa a ser vista pelo governo como essencial para a consolidação do projeto nacional. Com o crescimento das cidades, a partir do século XIX – num período em que as mazelas sociais se tornavam cada vez mais evidentes – as condições de vida da população brasileira começaram a suscitar interesse de estudiosos das faculdades de medicina do Rio de Janeiro e da Bahia, por meio da Cadeira de Higiene. Mas sobre as enfermidades reinantes no interior do Brasil, quase não se tinha notícia nessa época. Todavia, a autora, utilizando-se de fontes plurais como relatórios de saúde, de expedições científicas e registro de óbitos, entre outros, traz à tona aspectos poucos conhecidos sobre a saúde dos goianos no Oitocentos, negligenciados pela historiografia até então pela historiografia notadamente orientada pelas análises políticas e econômicas. Com o painel amplo de dados levantados bem como com as instigantes análises apresentadas, a autora logrou revelar de  foram clara os verdadeiros Males do Sertão – alimentação banal e insuficiente, multiplicidade de doenças, população desamparada pelo governo e ausência de qualquer política de assistência à saúde. Estes males, que seriam expostos de forma mais sistemática apenas no século XX por meio das expedições científicas, aparecem neste livro compondo um rico painel de análise, em que lucidamente os problemas de saúde são vistos como decorrentes de vários outros, de ordem socioeconômica, política e cultural.

Males do Sertão

 

Sobre a autora:

Sônia Maria de Magalhães possui graduação em História pela Universidade Federal de Ouro Preto (1994), mestrado (1998) e doutorado (2004) em História pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Realizou estágio pós-doutoral como bolsista PRODOC na Universidade Federal de Goiás nos anos de 2006 a 2007. Iniciou pós-doutorado no Programa de História das Ciências e da Saúde da Casa Oswaldo Cruz em 2014. É autora dos livros Males do sertão: alimentação, saúde e doenças em Goiás no século XIX (2014) e de A Mesa de Mariana: produção e consumo de alimentos em Minas Gerais (1750-1850)(2004).

Participou da organização dos livros Casa de vereança de Mariana: 300 anos de História da Câmara Municipal;Histórias de Goiás: memória e poder; Cristianismos em Goiás, O ensino de história: aprendizagens, políticas públicas e materiais didáticos;. Coordenadora do Laboratório de Ensino (LEHIS) e o projeto PIBID Interculturalidades e Ensino de História da Faculdade de História da UFG.

Tem experiência na área de História, atuando principalmente nos seguintes temas: Goiás, abastecimento, alimentação, fome, doenças, Minas Gerais, história da medicina, história e educação, formação de professores. É docente Adjunto III no Departamento de História da Universidade Federal de Goiás.

Fonte : Ascom UFG

Categorias : última hora Faculdade de História lançamento de livro

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