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Palestra Crime e Literatura no Congresso da Faculdade de Direito

Relação entre crime e literatura é discutida em palestra

Por Serena Veloso Gomes. Criada em 13/08/14 14:30. Atualizada em 21/08/14 11:48.

Escritor Carlos Nejar e membros da Academia Goiana de Letras estiveram presentes nas discussões

Texto e fotos: Serena Veloso

 

De procurador da justiça do Estado do Rio Grande do Sul a um dos poetas mais importantes da década de 1970, Carlos Nejar, conhecido como “poeta do pampa brasileiro”, foi um dos convidados da palestra Crime e Literatura do I Congresso da Faculdade de Direito, que encerra atividades na noite desta quarta-feira, 13 de agosto. Ao lado do escritor, estiveram o diretor da Faculdade de Direito, Pedro Sérgio dos Santos, os membros da Academia Goiana de Letras (AGL), Miguel Jorge e Gabriel Nascente, e o advogado e conselheiro da Ordem de Advogados do Brasil (OAB) – Seção Goiás, Carlos André Pereira Nunes.

“Até o direito e a criminologia podem se tornar objeto de criação, desde que haja linguagem. Uma linguagem trabalhada, uma linguagem criativa”, relatou Carlos Nejar, que disse se sentir muito a vontade para falar sobre o assunto. O escritor, que se tornou romancista aos 40 anos, contou um pouco de como sua experiência na época de procurador do Ministério Público e suas lutas pela aplicação da justiça influenciaram seu trabalho artístico.

Palestra Crime e Literatura

Para o escritor Carlos Nejar, a impunidade de certos crimes relacionados ao poder talvez ocorra pela falta de um direito penal econômico no Brasil

Alguns dos personagens de seus livros foram inspirados em casos reais. Um deles foi criado a partir de um crime que ocorreu na década de 1970 na cidade de Itaqui, no Rio Grande do Sul. Durante a conversa, tanto quanto poética, Carlos Nejar mostrou que a relação entre literatura e crime tem origem das próprias histórias bíblicas de Adão e Eva e de Caim e Abel. Para ele, a criatividade é um importante fator para que a elaboração de histórias sobre crimes não se torne mero relato. Um exemplo aclamado na literatura é o livro Crime e Castigo, de Dostoievsk, e ainda as obras do escritor belga Georges Simenon. “O criador precisa criar novos planos e o leitor precisa descobrir, junto a ele, o mistério da criação. O leitor é nosso cúmplice”, afirmou.

Na ocasião, o escritor foi homenageado com uma poesia de Gabriel Nascente e ainda com um troféu da Academia Goiana de Letras, entregue pelo escritor Miguel Jorge. “Um autor que fumega lirismo pelas palavras. Poderíamos codinomeá-lo anjo rebelde”, descreveu Gabriel Nascente. Em celebração da AGL ao Ano Cultural Moema de Castro e Silva Olival, professora e escritora, filha de um dos fundadores da UFG, Colemar Natal e Silva, também recebeu uma homenagem.

Novas possibilidades para o ensino do direito

O advogado Carlos André Nunes também elogiou Carlos Nejar por sua importância na literatura brasileira, como um dos 37 maiores escritores do século XX. “Os grandes escritores contribuem não só na nossa formação intelectual, como na espiritual”, declarou.

I Congresso da Faculdade de Direito - Crime e Literatura

Com o tema Crime e Literatura, palestra ressaltou a importância de intersecções entre o direito e outras áreas de conhecimento

Mestre em Letras e articulista da AGL, Carlos André Nunes acredita que o curso de Direito da UFG passou por importantes transformações e tem se dedicado a valorizar o direito como uma ciência, não se focando meramente na preparação de estudantes para os concursos na área. Outra importante questão tratada foi uma aproximação maior das disciplinas ministradas no curso com outras áreas do conhecimento, como a literatura, para compreensão da própria atividade do direito. “As faculdades de Direito precisam se preocupar com disciplinas mais ontológicas”, ressaltou.

O professor Pedro Sérgio dos Santos destacou a importância de incentivar os alunos a manterem afinidade com a literatura, como é o caso da aluna do 4º período do curso de Direito, Juliana Matos, que mantém um blog que fala sobre livros, junto ao estudante Jeferson Barbosa, do 7º período do curso de Engenharia Civil. “Sempre buscamos trazer a literatura na formação pedagógica e humana dos alunos”, pontuou o professor.

Fonte : Ascom/UFG

Categorias : Última hora Faculdade de Direito crime literatura

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