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Livro publicado pela Editora UFG é finalista do Prêmio Jabuti

Por Agnes Dias. Criada em 01/09/09 07:35.
_Que poesia é essa?_ concorre na categoria crítica literária/teoria literária

O livro “Que poesia é essa?”, de Teresa Cabañas, publicado pela Editora UFG, está entre os dez finalistas do Prêmio Jabuti de Literatura, na categoria Crítica Literária/Teoria Literária. O prêmio, o mais importante e tradicional do Brasil, divulgará os vencedores de cada categoria no dia 29 de setembro.

 

Apresentação: Que poesia é essa?

Por Heloísa Buarque de Hollanda

 

A pergunta que dá título a este livro foi a questão mais recorrente diante da emergência da poesia marginal, nos idos dos anos 70. Os tempos eram cinzentos, a censura e a repressão ainda estavam em plena vigência, tornando o cotidiano dos jovens brasileiros um cotidiano de pressões, inquietações, perplexidades. Por outro lado, o capitalismo internacional avançava, trazendo também sua marca de instabilidades, de rito de passagem de uma sociedade de produção para uma sociedade de consumo, transnacionalizada, com novas lógicas e novas formas de socialização.

 

É nesse quadro de sufoco e raras certezas, que surgem os marginais, poetas que, de certa forma, se alinham às propostas da contracultura com traços próprios e contigenciais. Eram poetas “rápidos e rasteiros” que procuravam formular modos alternativos de experimentar a vida e a arte, de preferência fora do sistema de produção e mercado e das restrições que a história política do momento impunha a todos nós. Escolhendo como campo de atuação a literatura, uma área tradicionalmente reativa a interpelações, o aparecimento dos poetas marginais promoveu um desconforto na crítica acadêmica.

 

Pois foi nesse vespeiro que Teresa Cabañas escolheu colocar as análises e reflexões de sua tese de doutoramento, cujo título, Que poesia é essa?, recebe o subtítulo “Poesia marginal: a estética desajustada”. E talvez precisamente por ter consciência do vespeiro, tenha desenvolvido formas e abordagens da questão surpreendentemente cuidadosas e seguras. Teresa, de imediato, toma um partido teórico-metodológico que me parece hoje talvez o único caminho possível para o estudo e compreensão dos novos fenômenos culturais que marcaram o final do século XX e esse início de milênio. Ou seja, caminho de uma bem-elaborada contextualização de seu objeto de estudo.

 

Assim, a autora se empenha num exame meticuloso dos vários níveis discursivos que tecem a complexa trama de um dado momento histórico. Teresa começa pelo nível cuja sintomática, por ser mais aparente, pode se constituir num ponto de partida rentável: as divergências, polêmicas e ambivalências que se manifestam diante do surgimento dessa poesia, e que vão progressivamente definindo novas posições e composições de forças e de poderes no campo intelectual e artístico do final dos anos 70. É admirável como a autora desenha com leveza essa movimentação do campo intelectual diante da pequena, mas insolente interpelação dos poetas marginais.

 

Isso posto, ela parte para compor o panorama da pós-modernidade ou capitalismo tardio, que também chega com um forte poder desestabilizador dos paradigmas e valores culturais estabelecidos pela alta modernidade. Este quadro bem traçado vai ser o terreno onde a autora, daqui para a frente, pisará com passo firme e seguro.

Pelo que me lembro, quando abordei, no calor da hora, cheia de curiosidade e entusiasmo, a poesia marginal, certamente pressenti o potencial interpelativo desta produção. Na academia e na imprensa daquela hora, o ponto em questão invariavelmente era saber se aquilo “era ou não era literatura”. O que passou a me interessar então eram menos as respostas possíveis a essa questão, mas a insistência com que se colocava tal pergunta. Portanto, um dos pontos mais atraentes da poesia marginal me parecia ser a colocação em cena de uma pergunta cuja pertinência, no quadro referencial pós-moderno, era inquestionável.

 

Foi nesse sentido que a leitura do excelente trabalho de Teresa Cabañas me tocou tão profundamente. Teresa enfrentou com maestria analítica não apenas essa questão e seus inúmeros corolários, mas sobretudo as características históricas e literárias da poesia marginal e de seu quadro epistemológico, possibilidade mesma do surgimento dessa poesia (com destaque para a parte em que faz um exame decisivo da questão da cotidianidade, central para a compreensão do sentido político e artístico da poesia marginal e mesmo do conjunto das produções culturais alternativas daquela hora).

 

Um dos aspectos que mais me atrai na leitura deste trabalho é o rigor com que Teresa Cabañas indicia a espessa textura do debate gerado pela rápida, porém vigorosa, passagem da poesia marginal entre nós, tomando entretanto o cuidado (sábio!) de manter em aberto a pergunta Que poesia é essa?! ...

 

Heloisa Buarque de Hollanda

Professora Titular de Teoria Crítica da Cultura da Escola de Comunicação e Coordenadora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea do Forum de Ciência e Cultura, ambos da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

 

Fonte : Editora UFG

Categorias : Literatura

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