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Como funciona a ciência?

Palestra leva à reflexão sobre a ciência das ciências

Criada em 17/09/18 15:36. Atualizada em 18/09/18 09:21.

Evento realizado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (PRPI) instigou estudantes a pensarem, afinal, como funciona a ciência

Texto: Aline Borges

Fotos: Carlos Siqueira

Em 2015, diversos internautas entraram em colapso para decidir se o vestido que circulava pelas redes sociais era, por fim, azul e preto ou branco e dourado. Quem diria que três anos depois, a mesma questão seria colocada novamente em pauta, só que, dessa vez, para discutir o funcionamento da ciência. A abordagem foi utilizada pelo sociólogo e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais, Fausto Miziara, durante a palestra Como funciona a ciência?, realizada pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação da Universidade Federal de Goiás (PRPI/UFG), no âmbito do Programa Diálogos em Pesquisa e Inovação, na última quinta-feira (13/9). A palestra reuniu cerca de 100 estudantes de diversas áreas do conhecimento.

"Se você perguntar para dez pessoas na rua 'o que é ciência', nove vão dizer que é estudar o real”, afirmou o professor Miziara, que continuou provocando: mas a realidade é construída ou objetiva? A repercussão gerada pelo vestido é, para o pesquisador, um exemplo evidente de que o cérebro humano é capaz de construir uma imagem mental da realidade que nem sempre é a realidade. O fato é que, independentemente do que ou como o indivíduo perceba, existe uma realidade objetiva, mas é necessário analisá-la a partir de uma perspectiva, uma teoria, que permita ao pesquisador compreender o real por meio daquilo que é previsto. Sendo assim, "o foco principal da ciência é a própria ciência, é a teoria, são os modelos teóricos explicativos", concluiu o pesquisador.

Professor e palestrante da manhã, Fausto Miziara

Integração das ciências

Para o professor, uma outra forma de compreender a ciência é pensá-la como lentes que auxiliam o indivíduo míope a enxergar o mundo e os fatos sociais, afinal, a própria ciência seria um construto social definida em meio de relações de poder e interesses interpessoais. Nesta perspectiva, é interessante pensar o desafio da produção científica interdisciplinar dentro da universidade, instituição que acolhe uma pluralidade de áreas do conhecimento.

"As ciências, como eu disse, dentro desse projeto social de construção, tendem a se fragmentar, ou seja, elas não eram assim no início. Os precursores da ciência eram pessoas que transitavam entre diversas áreas. Hoje temos uma dinâmica de concentração cada vez maior e isso leva a um comprometimento do pesquisador com esse modelo. Então, por um lado, a ciência é uma coisa muito poderosa e, por outro lado, é limitadora, justamente porque desconhecemos o que está sendo feito por outras ciências, outros modelos. A questão da interdisciplinaridade surge quando esse modelo apresenta seus limites", explicou Miziara.

Ultrapassar tais limites é um dos objetivos do Programa Diálogos em Pesquisa e Inovação. De acordo com a diretora de Pesquisa da PRPI, professora Rejane Faria, "esses muros criados entre a pesquisa científica e o desenvolvimento tecnológico faz com que se entenda que desenvolvimento tecnológico, que é a geração de produtos, a geração de soluções que vão inovar e resolver problemas na sociedade é algo de determinadas áreas e a pesquisa científica de outras áreas".

Em resumo, pensar a ciência sob um viés epistemológico faz que novas questões e perspectivas sejam colocadas, além disso, expandir o assunto para diversos campos, provou-se uma experiência rica e necessária. "Eu acho que essa palestra vem abrir um ciclo onde estamos inserindo palestras que atingem a todos os interesses, mas com a intenção de misturar. Foi muito positivo e a abertura de um ciclo", completa Rejane.

Fonte: Secom UFG

Categorias: Notícias PRPI