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luciano cachimbo

Poesia em forma de exposição

Por Patricia Veiga. Criada em 11/01/18 10:46. Atualizada em 16/01/18 12:19.

Em cartaz no Centro Cultural UFG até 26 de janeiro, mostra desafia espectador a desfazer textos prontos e ler nas imagens os próprios versos

Texto: Patrícia da Veiga

Fotos: Adriana Silva

Ao visitar a exposição “Como é a pintura, a poesia é” Luciano Ferreira Cachimbo, estudante do 3° período de Direção de Arte, não se contentou em observar as obras do artista plástico Luiz Martins sob um único ponto de vista. Deitou-se no chão, levantou, se encostou na parede, cerrou um dos olhos e passou a mirar pelos vãos de cada trabalho, buscando seus vazios, seus detalhes, suas outras possibilidades de fruição. “Se você olha somente de um modo linear, como estamos acostumados, não perceberá as dimensões da arte”, explicou.

luciano cachimbo

Estudante de Direção de Arte aprecia instalação do artista

Impecável na atenção e aberto aos sentidos, Ferreira percorreu todo o salão e construiu sua própria narrativa: “Vejo algo bruto, inacabado. Vejo também um ser humano com duas grandes orelhas, um crucifixo derretendo, uma foice, uma superfície porosa, algo que está brotando e que passa por transformações, uma passagem de tempo. Se pudesse dar um título para essa mostra, diria: O caminhar. Há um percurso, mas não há um fim”. Diante de um dos objetos de metal e madeira instalado na parede, sentiu algo especial. “Lembrei da minha infância, mas não sei explicar porque”, comentou, nostálgico.

A coragem do estudante ao falar sobre o que viu e sentiu é o que Martins deseja ao público que comparecer à Galeria do Centro Cultural UFG até dia 26 de janeiro, período em que “Como é a pintura, a poesia é” está em cartaz. Para tanto, o artista não se atreve a dar nome às obras. Se assim o fizer, considera que muito da capacidade imaginativa do espectador pode ser desperdiçada. Para ele, a poesia se instala no instante da interação, na relação entre os corpos. “Quero que as pessoas venham abertas, tenham seus embates e formem sua leitura visual”, convidou.

Luiz Martins

Para o artista, cada pessoa deve fazer a sua própria leitura do que ele propõe: "a poesia é uma literatura sensível"

Do canônico ao comum

Ao todo, são 25 obras com forma e linguagem bi e tridimensionais, entre esculturas, desenhos, colagens e instalações. Os trabalhos resultam de séries feitas em momentos distintos da vida do artista e tecem comentários sobre política, cultura, religião, cidades e territórios. Concernente a todos é a afinidade de Martins com a arte rupestre, a referência à literatura e à filosofia, bem como o exercício de inverter o sentido do que está posto.

Os papeis que ele utiliza como matéria-prima, por exemplo, são trechos retirados da Bíblia, de dicionários e de jornais. Fontes que, segundo o artista, oferecem respostas para as questões do mundo, mas no contexto da exposição deixam de ter essa função. Também compõem as obras chapas de metal e pedaços de madeira. Esses, por sua vez, são retirados de entulhos, foram descartados pela sociedade. Ou seja, “são objetos carregados de energia” que também podem se tornar outra coisa. Nessa inversão, é como se Martins retirasse a importância das letras dos cânones e devolvesse valor para outros signos que estão no espaço comum. Outras histórias são reescritas.

obras luiz martins

Folhas de jornais, dicionários e de textos bíblicos são materiais usados nos trabalhos 

É na eloquência da pesquisa permanente deste artista singular que esta curadoria procura entreter os visitantes e provocar a reflexão entre o discurso óbvio e o filosófico reflexivo”, anuncia o texto curatorial, que na UFG tem a assinatura do professor da Faculdade de Artes Visuais (FAV) Samuel de Jesus, diretor da Galeria. Para o professor, Martins é um poeta visual e traz consigo um repertório rico que merece ser apreciado. “Como é a pintura, a poesia é” pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e de 14h às 18h. A entrada é gratuita. O CCUFG está localizado à Av. Universitária, n° 1533, Setor Universitário.

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Visitantes durante a abertura da exposição, em dezembro

Fonte : Ascom/UFG

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