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Catira na Cidade de Goiás é tema de pesquisa da UFG

Por Caroline Pires. Criada em 04/01/18 08:42.

Fora das lentes fotográficas dos turistas, Catira se manifesta na periferia da cidade

Texto: Carolina Melo

Foto: Divulgação

 

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Parte do festejo da Folia de Reis, a Catira se manifesta em rotas não turísticas da Cidade de Goiás, a 141 km de Goiânia. Conforme pesquisa realizada pela Universidade Federal de Goiás (UFG), a dança do folclore brasileiro fica longe das lentes fotográficas dos visitantes e resiste nos espaços da periferia como uma demonstração de fé e tradição dos foliões.

De acordo com o estudo, tanto a Catira como a Folia de Reis são manifestações da cultura popular que ocorrem fora do âmbito da área tombada como Patrimônio Histórico da Humanidade, na Cidade de Goiás, onde está o poder instituído pelo período colonial. “As apresentações da dança no centro histórico, ou seja, na área mais turística, católica, branca, elitista, são bem pontuais. É na periferia que, de fato, a dança se manifesta”, afirma a pesquisadora Juliana Marra, que acompanhou dois anos do festejo. Segundo ela, a catira se manteve na cidade graças à própria comunidade, que alimentou um sistema cultural de práticas, significados e sentidos. “A tradição contribui para que a cidade faça sentido para os moradores da periferia. É um jeito muito criativo, rico e bonito de buscar o pertencimento”, afirma.

A professora da UFG e orientadora da pesquisa, Izabela Tamaso, levanta a reflexão sobre a forma como o patrimônio é utilizado para construir a identidade de uma sociedade, por intermédio do que é extraído de uma cultura para simbolizar a nação. Nesse sentido, a Cidade de Goiás se torna um patrimônio devido aos seus prédios e construções históricas. O patrimônio imaterial, formado pelas produções sociais de uma cultura plural e miscigenada, acabou ficando de fora dessa narrativa de valorização da antiga Vila Boa. “Nesse contexto é sempre o pedra e cal que é valorizado. Mas para além disso, há muito valor simbólico e manifestações culturais na periferia”, afirmou.

Presença feminina

O estudo acompanhou três grupos de Catira do estado: um inserido no ritual da folia da Companhia de Reis da Bandeira Vermelha, na Cidade de Goiás, e dois do município de Itaguari, onde se encontram os grupos Irmãos Oliveira e Orgulho Caipira. De acordo com Juliana Marra, é por meio da performance corporal que são repassados os conhecimentos da dança folclórica para as novas gerações. “A dança resiste pela própria sociabilidade e também pela inovação das tradições”. Conforme explica a pesquisadora, tradicionalmente os catireiros são homens, mas vem ocorrendo uma gradativa inserção das mulheres, que inclusive contribui com a perpetuação da manifestação cultural.

Um dos grupos que acompanhamos, o Orgulho Caipira, é composto só por mulheres. Já na Cidade de Goiás acompanhamos a transição. No segundo ano que participamos da folia, o grupo já permitiu a presença feminina”, diz. A presença das mulheres gera uma releitura da tradição que fortalece a manifestação cultural. “É justamente devido às mudanças que a dança sobrevive e se fortalece”, analisa Juliana.

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