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Entre a morte e a Vida CCUFG

Arte entre a vida e a morte

Por Patricia Veiga. Criada em 29/10/17 16:18. Atualizada em 30/10/17 07:46.

Exposição de fotografias convida espectador a lançar outro olhar sobre cemitérios

Texto: Patrícia da Veiga

Fotos: Carlos Siqueira

“Um olhar sobre o espaço da morte” é o título da exposição que está em cartaz no Centro Cultural UFG (CCUFG), até 24/11. A mostra reúne o trabalho de Marco Diniz e Samuel Vaz, dois fotógrafos brasileiros com trajetórias distintas, mas com o mesmo interesse: a arte, a história e os vestígios da vida social existentes em cemitérios.

Ambos se dedicam há anos a registrar e a compreender os signos postos em locais que são, acima de tudo, memoriais. Marco Diniz exibe imagens feitas no espaço do Père-Lachaise, em Paris, aberto desde 1804. Já Samuel Vaz apresenta negativos capturados no Cemitério São Miguel, na cidade de Goiás, inaugurado em 1858. Ao todo, o público poderá apreciar 38 fotografias.

Para Maria Elizia Borges, professora da UFG e curadora da mostra, os cemitérios são “locais de fruição estética expandidos da cidade” e, portanto, guardam uma rica expressão artística e cultural dos vivos. Nesse sentido, Père-Lachaise e São Miguel são patrimônio de suas sociedades. “Diríamos que o fotógrafo, ao registrar um cemitério e os seus túmulos, está mantendo a postura do sobrevivente que resgata a história de vida dos falecidos e coloca em evidência as representações imagéticas que ali foram instaladas, no sentido de prestar-lhes uma homenagem póstuma”, apresenta a curadora no catálogo da mostra.

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Fotografias registram o tempo e a vida nos espaços destinados a lembrar os mortos

Marco Diniz encontrou no cemitério francês a maior área verde de Paris, 44 hectares de extensão, 70 mil monumentos e um intenso movimento de turistas e curiosos. Lá estão enterradas personalidades como Auguste Comte (1798 – 1857), Allan Kardec (1804 – 1869), Edith Piaf (1915 – 1963), Pierre Bourdieu (1930 – 2002), entre outras tantas. O fotógrafo optou por se perder por entre os caminhos do local e, assim, captar detalhes pouco vistos pelos olhares mais apressados ou já direcionados pela propaganda. Desta forma, ele registrou a ação do tempo e do clima por entre túmulos, evidenciando a deterioração de monumentos. Também fez saltar aos olhos esculturas em diversos estilos, que produzem expressões de sentimentos e constroem narrativas.

Com 159 anos de existência, o Cemitério São Miguel possui 20.734 m² e 40 quadras. Administrado inicialmente pela Igreja Católica e somente em 1925 tornado instituição municipal, Samuel Vaz encontrou ali uma complexa divisão baseada em distinção social: espaços diferentes para crianças, irmandades religiosas, pessoas consideradas “pagãs”, “livres” ou “escravas”, famílias com poder local etc. Em busca de evidenciar o imaginário social vilaboense, ele optou por produzir retratos que contemplassem a paisagem local, seus contrastes e as marcas das disputas políticas dos vivos. Também deu destaque para cruzes e esculturas de diversos materiais e tamanhos.

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Público pode conhecer o trabalho dos fotógrafos até 24/11

Encontro

A abertura da mostra “Um olhar sobre o espaço da morte” foi realizada na quinta-feira (26/10). Na ocasião, Samuel Vaz anunciou que as imagens ali expostas, feitas em película, serão lançadas em livro no próximo ano. “O trabalho é sobre fotografia conceitual e histórica no espaço cemiterial. Considero sempre importante estar vinculado à questão”, declarou.

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Samuel Vaz e Maria Elízia Borges, parceiros de pesquisa, durante abertura da mostra

Para contar como a exposição surgiu, a curadora disse que se tratava de “uma feliz coincidência”. Com Samuel, Maria Elizia há muito tem uma relação próxima, em razão do interesse em comum pelo tema. Para Marco, que nunca veio pessoalmente a Goiás, ela foi apresentada à distância pela professora da UFG Rosa Berardo, que conheceu o fotógrafo enquanto trabalhava como professora visitante no Canadá. “Ele procurava alguém no Brasil que estudasse o tema, para poder dialogar”, explicou a mediadora.

Na medida em que as trocas foram acontecendo, o evento foi sendo delineado. Conforme Maria Elízia, embora os cenários visitados pelos fotógrafos sejam distantes geograficamente, um fio condutor entre ambos a deixou entusiasmada: “o que mais me interessou nesses trabalhos foi a finitude da vida e o modo como os dois refletem sobre isso”. Para o reitor da UFG Orlando Amaral, presente na abertura, o valor da mostra está ainda na possibilidade de se quebrar tabus. “A morte vem também acompanhada por flores, por beleza e por arte”, reforçou.

A Galeria do CCUFG está aberta ao público de terça a sexta-feira, das 10h às 18h, com entrada gratuita. No dia 11/11, às 16h, haverá uma roda de conversa com a curadora e um dos fotógrafos. O CCUFG está localizado na Avenida Universitária, n° 1533, Setor Universitário. Para informações sobre ações educativas e atividades envolvendo grupos, o contato é: (62) 3209 – 6251.

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Galeria cheia durante abertura da exposição "Um olhar sobre o espaço da morte"

Fonte : Ascom/UFG

Categorias : Última Hora CCUFG Arte cemiterial Fotografia

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