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HC-UFG realiza I Fórum de Avaliação de Tecnologias em Saúde

HC-UFG realiza I Fórum de Avaliação de Tecnologias em Saúde

Por Angélica Queiroz. Criada em 29/09/17 16:11.

Evento, realizado na última quarta-feira (27/09), discutiu a importância das ATS nos hospitais universitários no auxílio aos gestores de saúde

HC-UFG realiza I Fórum de Avaliação de Tecnologias em Saúde

O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), realizou nesta quarta-feira (27/10) o I Fórum de Avaliação de Tecnologias em Saúde. O evento reuniu professores, estudantes, profissionais de saúde e pesquisadores, no auditório do Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública (IPTSP) da UFG, para a discussão sobre a importância da Avaliação das Tecnologias em Saúde (ATS) no contexto dos serviços de saúde.

A realização do Fórum foi uma iniciativa do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde (NATS), coordenado pelo Setor de Pesquisa e Inovação Tecnológica, da Gerência de Ensino e Pesquisa (GEP) do HC-UFG.  “O principal objetivo do Fórum é divulgar a cultura das ATS nos hospitais de ensino e no SUS, sensibilizando e incentivando os profissionais quanto à sua importância para subsidiar o gestor na tomada de decisão”, afirmou a chefe do Setor de Pesquisa e Inovação Tecnológica do HC-UFG, Marta Franco Finotti. O evento contou com a presença do gerente de Ensino e Pesquisa do HC, José Miguel de Deus, do superintendente do HC, José Garcia Neto, e do vice-reitor da UFG, Manoel Rodrigues Chaves.

Segundo Finotti, a ATS possui um papel relevante no processo contínuo de análise e síntese dos benefícios para a saúde e das repercussões econômicas e sociais do emprego de tecnologias em saúde, sempre pautado nas melhores evidências científicas disponíveis. Com o objetivo de promover e disseminar a ATS no Brasil, foi criada, por meio da Portaria n. 2.915, de 12 de dezembro de 2011, a Rede Brasileira de Avaliação em Saúde (REBRATS), que hoje é formada por 104 instituições. Sobre esse assunto falou a palestrante Luciana Leão, coordenadora de Avaliação de Tecnologias em Saúde do Departamento de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde (DECIT/SCTIE/MS).

Segundo Leão, a REBRATS busca estabelecer parcerias com os hospitais de ensino, oferecendo apoio financeiro para a criação dos Núcleos de ATS (NATS).“Cada rede deve ter suas iniciativas e atividades próprias e se conectar com as demais.Os esforços de capacitação e de disseminação devem ser contínuos. A intenção é aproximar a REBRATS da gestão da saúde”, afirmou Leão. O HC-UFG foi um dos primeiros hospitais a serem chamados para a criação do seu NATS. Atualmente, a REBRATS atua auxiliando as secretarias de saúde dos estados e municípios, na judicialização da saúde e incentivando Grupos de Trabalho para o desenvolvimento de estudos de evidência, como é o caso da Vigilância Sanitária.

A segunda palestra foi ministrada pela coordenadora da Unidade de Avaliação de Tecnologias em Saúde do Instituto de Educação e Ciências em Saúde, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Anna Buhler, que falou sobre a “A importância das Revisões Sistemáticas e Metanálises no contexto das ATS”. Segundo Buhler, é impossível para os médicos manterem-se atualizados diante da vasta literatura existente atualmente.   

“A revisão sistemática é o processo, com metodologia científica própria, que representa uma síntese das evidências. Os resultados obtidos a partir da revisão sistemática podem ou não validar a hipótese do autor, diferentemente da Revisão Narrativa, cujo estudo é desenvolvido com pesquisas que convalidam a hipótese do autor.” A Revisão Sistemática pode ser feita para analisar estudos de eficácia, efetividade, segurança e economia”, afirmou Buhler. Já a metanálise é uma análise estatística, que combina dois ou mais estudos independentes, para se chegar a uma análise mais real dos efeitos.  "A metanálise é uma ferramenta que permite analisar se as tecnologias se comportam de forma benéfica ou maléfica, além de explorar controvérsias", disse Bihler.

Judicialização da Saúde no Brasil

A terceira e última palestra do Fórum foi proferida pela assessora técnica da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, Clarice Alegre Petramale, que falou sobre “Judicialização na Saúde”. Segundo Petramale, a judicialização na saúde teve início, em 1991, com a incorporação do medicamento AZT, para o tratamento da Aids, na tabela SUS. Hoje, cresceram vertiginosamente os números de ações judiciais para solicitar o fornecimento de medicamentos pelo SUS para o tratamento de doenças crônicas. “Insulinas e medicamentos para tratamentos oncológicos são os campeões”, declarou.

Segundo Petramale, 90% dos gastos da União com medicamentos judicializados são de alto custo e destinados ao tratamento de doenças raras. Apesar disso, os dez medicamentos mais pedidos nas ações judiciais não estão legalizados no país, pois as empresas fabricantes nunca solicitaram à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) a análise desses medicamentos. “Isso é um problema muito sério, pois estes medicamentos nem sempre têm a sua eficácia comprovada, já que, em muitos desses casos, foram realizados pequenos estudos aleatórios, sem randomização”.

“A Conitec é a instância responsável pela incorporação de medicamentos fornecidos pelo SUS. Essa comissão avalia e recomenda os melhores medicamentos para uso em seres humanos no país, ou seja, aqueles que apresentaram os melhores resultados, com mais segurança e efetividade”, explicou Petramale. Segundo ela, 60% das ações judiciais para o fornecimento de medicamentos partem dos hospitais públicos e de convênios particulares. E, em 86% dos casos, o Poder Público perde a ação judicial. “O problema começa com as prescrições médicas, que devem ser feitas pelo nome genérico do medicamento e não o nome de marca. Os hospitais de ensino devem realizar auditorias e capacitações para ensinar médicos a prescreverem da forma correta”, relatou.

“O SUS não deve agir pela lógica mercadológica. A intenção do legislador, ao criar o SUS, foi garantir o direito à saúde para todos, e não somente para alguns. Por isso, temos que mudar de paradigma e combatermos esse tipo de prática”, finalizou. Ao final das palestras, as palestrantes participaram de uma mesa de discussões, moderada pela chefe do Setor de Gestão da Pesquisa e Inovação Tecnológica, Marta Finotti, e pelo gerente de Ensino e Pesquisa, José Miguel de Deus.

Fonte : Ascom HC

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