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Uma nova escola é possível

Por Carolina Melo. Criada em 29/09/17 12:56. Atualizada em 29/09/17 14:13.

Parte do Fórum Nacional de Educação para Todos, exposição do professor José Pacheco sobre "Escolas Inspiradoras" questionou a escola tradicional

Texto: Carolina Melo

Fotos: Carlos Siqueira

“Em uma aula não se aprende nada. As aulas são inúteis e prejudiciais”. Foi com essa afirmação provocadora que o professor José Francisco de Almeida Pacheco, indutor de mais de cem projetos de uma nova escola no Brasil, iniciou a sua exposição sobre o tema “Escolas Inspiradoras”. O encontro ocorreu nesta quinta-feira (28/9) e fez parte da programação do Fórum Nacional de Educação Básica para Todos – Vivências Sistêmicas, que ocorre até sábado (30/9).

Após a provocação, o professor deu lugar a uma pergunta: “O que vocês querem saber?”. Segundo ele, o primeiro processo da aprendizagem é a escuta atenta e, portanto, costuma evitar a fala, assim como dar respostas, sem que haja perguntas. A abordagem estimulou inúmeros questionamentos dos participantes ao longo do evento, que nortearam a fala do docente. O ponto de partida da discussão foi: “como gerar um ensino inovador, com práticas inovadoras, se não há formação inovadora?”.

A partir de então, José Pacheco, começou a discorrer sobre as compreensões que existem em torno dos conceitos “escola”, “inovação”, “professor”.  Conforme relatou, quase sempre a representação mental que se tem da escola são as salas de aula, o quadro, o prédio. “Mas escolas não são edifícios. Escolas são pessoas, e as pessoas são os seus valores. Os valores quando transformados em princípios de ações dão espaço aos projetos. Na escola tradicional, essa percepção não existe”, disse. A visão que se tem da escola, segundo José Pacheco, remete à proposta filosófica do século XVII, que diz que é possível ensinar todos como se fossem um só, o que é impossível.

Fórum Nacional

Professor José Pacheco em diálogo com os participantes do evento

Por sua vez, no âmbito da escola tradicional, quando se fala em inovação, o que se tem são alternativas que tratam os alunos como cobaias ou que se baseiam em propostas que vem de fora do País, em especial da Europa e dos Estados Unidos. “O velho modelo ‘cosmetizado’ não serve para nada. No Brasil há inovação. A inovação está na América Latina e os países do norte não aceitam e não entendem. Os professores devem parar de nortear o que vem do norte, para ‘sultear’ o sul”, brincou. Na avaliação do professor, não devem ser realizadas ações mitigadoras, devem ser elaboradas novas construções sociais de aprendizagem, que, como tais, dialogam com a prática do que é ser professor. “Prendo-me à erudição para não dar respostas, mas para inspirar. Ensinar é impossível, aprender é inevitável”, afirmou.

Para José Pacheco, o professor não deve dar respostas, não deve fazer planejamento de aula, ele não existe para aplicar provas. De acordo ele, a figura do professor existe para contribuir com a construção autônoma do aluno. “O professor deve ajudar o outro a planejar”, disse.  Seguindo esse raciocínio, o docente elaborou três perguntas para gerar reflexão: “Por que é que há aula? Por que aulas têm 50 minutos? Por que há recesso na escola?”, questionou, sem responder.

A partir de uma abordagem freiriana, José Pacheco relatou experiências educativas da Escola Projeto Âncora, que partiram da história individual do aluno para a construção do conhecimento. A formação planejada a partir dessa perspectiva dialoga, inclusive, com os conteúdos das bases curriculares nacionais. No entanto, as ações não se encaixam na estrutura de uma escola tradicional, baseada em salas de aula, divisão por séries e provas. Na instituição, a organização das crianças ocorre em núcleos formativos de acordo com o seu grau de autonomia.

“Vale a pena partir daquilo que somos, valorizar nossos saberes para construir novas formas de saberes”, acredita o professor. Segundo ele, para aprender é preciso três condições: que a aprendizagem seja significativa, antropofágica e que tenha vínculo, sendo, portanto, multidimensional. “O caminho é cuidar das pessoas e reconfigurar a prática”, disse.

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