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capa encontro África

"Precisamos contar a história da gente", aponta historiador africano

Por Vinícius Paiva. Criada em 13/09/17 15:32. Atualizada em 13/09/17 16:52.

Diálogo com Elikia M’Bokolo mostrou aos participantes como buscarem suas realidades a partir das percepções do povo e não pela versão dos colonizadores

Texto: Vinícius Paiva

O Brasil foi explorado por europeus e, durante esse período, os colonizadores massacraram milhares de indígenas e escravizaram e mataram diversos negros trazidos a força do continente africano. Atualmente os negros são a maioria da população, mas quais histórias são fornecidas, especialmente para esse grupo, e para os outros moradores do país? Quais relatos são possíveis de serem acessados? Qual versão do passado é contada para os brasileiros?  Foram apenas alguns dos muitos questionamentos feitos pelo historiador Elikia M’Bokolo na manhã desta quarta-feira (13/9), no auditório da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) da UFG para o I Seminário de História da África e suas diásporas.

Elikia M’Bokolo

Elikia M’Bokolo liuta pela história da Africa e afirmou que ela deve ser ensinada não só aos negros, mas a todos os brasileiros

Segundo o historiador, o mundo arquitetou uma visão estereotipada sobre o continente africano e continua perpetuando a imagem de um continente tomado por coisas negativas... “mas não é assim, por lá, buscamos sempre melhorar”. M’Bokolo ainda aproveitou para aponta três aspectos básicos para repensar a África e questionar o conhecimento difundido no país. “Os problemas geográficos entram como primeiro marcador, pois a história da África é mundial, o continente teve relações com todas as partes do mundo”, explicou.

O segundo aspecto está relacionado a temporalidade. Para o africano, não se deve definir um determinado momento histórico com um conceito que se surge anos depois. "A história da África tem sua própria duração e não se resume aos períodos de colonialismo. Deve–se pensar todo o contexto para conhecermos o passado, entendermos o presente e pensarmos novas afirmativas para melhorar o futuro”. O terceiro tópico se resume as questões sociais e questiona quem são os atores da história da África e afirma: "Não são só os reis ou imperadores, muito menos colonização, é sobre a história do povo, a vida do povo africano".

Tomar posse da história

M’Bokolo ressaltou o tempo todo a importância de pegar a própria história para si, e não deixar, simplesmente, na mão dos que detém o poderio da informação. Formas alternativas para contar histórias podem ser uma boa solução e até mesmo construir personagens a partir do contexto histórico, afinal nem sempre obter relatos são possíveis. “A história é a sua coisa. É a coisa de todos nós. Não é só dos historiadores, precisamos intercambiá-las também”.

Fonte : Ascom UFG

Categorias : Última Hora

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